O MEL é Vegano?

Este e outros textos deste site é fruto de muitos anos de prática do vegetarianismo, cerca de três anos de alimentação orgânica, estudos de diversos temas relativos a nutrição consciente, cursos e prática de agricultura natural, medicina alternativa, ecologia e apicultura.
Quando todos esses temas são combinados, a visão se amplia e os "contextos maiores" ficam mais claros.


Sou leitor ávido em quatro idiomas, não considero um mérito e sim um privilégio, pelo qual sou grato.
Minhas esferas de interesse se estendem a muitas outras áreas fora do tema nutrição,  como tantra, várias áreas de psicologia (transpessoal, psicologia transgeneracional, terapias de som), neurofisiologia, xamanismo, plantas enteógenas, temas espirituais, economia, política, física quântica, filosofia, matemática, informática, civilizações interplanetárias, tribalismos urbanos, internet networks,  inédia... a lista é longa.
Novamente não vejo mérito nisso e sim privilégio.


O texto abaixo é consequência e extensão de alguns debates de tópicos que postei em comunidades vegetarianas e veganas do Orkut, das quais tenho sido participante.

Embora seja ótima a existência de canais abertos de debate, existe um enorme número de pessoas que ingenuamente defendem com paixão suas opiniões muitas vezes baseadas em condicionamentos e "crenças", sem embasamento em estudos, conhecimentos, experiência própria e até mesmo sabedoria.

Muitas pessoas parecem ávidas em escrever, expressar suas ideias, embora pareçam ter pouco interesse em ler, estudar, pesquisar e aprender.

Pessoalmente estou mais interessado em pessoas, mesmo quando arrogantes, mas que sejam  conhecedoras de temas fascinantes do que em pessoas humildes e sem conhecimentos.
Sou mais interessado em gente como Fritjoff Capra, Richard Dawkins, Noam Chomsky, Ken Wilber, Michio Kaku, Terence McKenna, David Suzuki e milhares de outros do que em madre Teresa de Calcutá,  Ghandi ou o papa.

Mas somos todos seres humanos, habitantes do mesmo "barco" que está afundando, mesmo quando o afundamento é ajudado por pessoas aparentemente com boas intenções.
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Consumo de Mel e o veganismo.
A apicultura ecológica consciente.

Sobre mel e apicultura existe uma enormidade de fatos, o tema é bem extenso.
Existem fatos pouco conhecidos por pessoas que nunca estudaram ou praticaram apicultura:


Desde tempos imemoriais o homem sentiu-se atraído pelo aroma e delicado sabor do mel.
A flor é o órgão sexual das plantas e o néctar da flor é a secreção adocicada e aquosa da parte feminina das flores. O MEL é o néctar de flores coletado por abelhas e outros insetos coletores de néctar e polinizadores e concentrado através de desidratação.


Existem incontáveis sabores diferentes de méis, pois vindo de diferentes néctares de flores, sabor e aroma são diferentes para cada néctar ou combinação de néctares. Existem fósseis de abelhas melíferas incrustados em pedaços de âmbar (resina vegetal petrificada) com cerca de 100 milhões de anos. As abelhas são as mesmas, o que indica que elas não "evoluíram" ao longo do tempo para se "adaptar" ao ambiente, como a maioria dos animais, inclusive o "animal racional"; o homem. Apenas esse fato já é muito curioso, uma provável indicação que as abelhas estão há mais de 100 milhões de anos "perfeitas" para o papel que desempenham na Natureza.

A função mais importante das abelhas não é produzir mel e sim POLINIZAR PLANTAS, isto é fecundar as flores femininas com o sêmen das flores masculinas, o pólen. Através da "polinização cruzada" isto é; quando uma abelha fecunda uma flor com pólen de outra árvore da mesma espécie, ocorre um "aperfeiçoamento" do fruto ou semente a ser produzido(a) pela flor fecundada. Pode-se considerar que os insetos polinizadores desempenham um papel essencial na evolução do reino vegetal.

O fato do mel provocar uma natural atração ao olfato e paladar humano foi o motivo pelo qual o ser humano teve seu interesse despertado para trabalhar em conjunto com as abelhas, construindo "casas" para as mesmas (as colmeias), cuidando delas e depois colhendo parte do mel por elas produzido.

O público, em geral, leigos em apicultura, conhece muito pouco ou nada sobre como funciona a vida das abelhas, porque elas produzem mel além de suas necessidades imediatas. O público, em geral, também pouco sabe porque  e como as abelhas se "multiplicam", seus métodos perfeitos de controle populacional e "explosão demográfica", o fenômeno do "enxameação" etc.

Pouquíssima gente sabe que a prática da APICULTURA estimula o crescimento das populações de abelhas, incrementando a polinização cruzada, beneficiando a a quantidade e qualidade da produção de frutos e sementes. Pouca gente entende as enormes implicações positivas que a prática imemorial da apicultura tem de estimular a natureza e protegê-la contra ofensas, sejam os desmatamentos (por queimadas ou não) as queimadas ou o uso de agrotóxicos.

 

O fato do homem construir colmeias para abelhas, desde tempos imemoriais, (antigamente com palhas trançadas e hoje caixas de madeira ), plantar flores, árvores e arbustos melíferos ou poliníferos, isso apenas já justifica o homem ter o merecimento de utilizar uma parte do mel, pela economia de tempo e trabalho que proporcionou às abelhas, que economizam energia para "construir" suas casas com favos pendurados em árvores, à mercê dos elementos naturais e predadores. Mas a apicultura obviamente não "tolhe"  liberdade das abelhas  continuarem livremente vivendo livres na Natureza. Mesmo os enxames de apicultores são livres para "ir embora pro mato" quando quiserem, e as abelhas fazem isso quando julgam necessário. Comparar apicultura com avicultura, suinocultura ou criação de gado de leite ou corte indica  uma ignorância total dos fatos.

A apicultura, a atividade humana de "cuidar" de abelhas, tem um enorme efeito benéfico à natureza. O fato de existir um apiário em um  sítio/fazenda beneficia a vegetação das redondezas, aumentando a qualidade e quantidade de frutos/sementes de espécies polinizáveis pelas abelhas melíferas.

A abelha comum, a Apis Mellifera, poliniza muitas espécies, mas não todas, existem outros insetos que polinizam flores que não são visitadas pela Apis Mellifera, em função de seu tamanho ou forma.
A pequena "jataí", abelhinha nativa no Brasil, poliniza flores pequeninas não visitadas pelas populares abelhas melíferas que conhecemos.


Como em muitos outros casos, o homem pode e deve trabalhar em conjunto com a natureza, ajudando a beneficiá-la e enriquecê-la. Isso implica em conhecer e entender a ecologia e não apenas "explorar" animais.

Usar cavalos e bois para "arar" a terra tem sido praticado há milênios. Nesses casos os agricultores alimentavam e cuidavam de seus animais de tração para poder usufruir de sua força e capacidade de puxar arados ou transportar cargas. Essa atividade pode implicar em maus tratos aos animais de cargas (cavalos e bois) ou não, dependendo da consciência do agricultor. Usar cavalos para puxar um arado não é necessariamente promover maus tratos ao cavalo, pode ser uma uma troca. O cavalo trabalha, economiza tempo e esforço ao homem e em troca o agricultor o alimenta, o abriga e o protege da chuva e frio. Um "trabalho de equipe".  Que embora útil no passado é desnecessário hoje.

Hoje em dia, com a mecanização, os "animais de tração" são desnecessários.
Mas sempre existiram e ainda existem agricultores que maltratam seus animais de carga, o que é condenável.
No caso da apicultura o mesmo se aplica.
Apicultura não é uma atividade com o objetivo de "maltratar" e explorar insetos "per se", isso depende de como é praticada. Por isso seria melhor usar o termo APICULTURA ECOLÓGICA CONSCIENTE.


O consumo de mel é um hábito que beneficia a natureza, pois estimula o interesse humano pela apicultura, que promove o incremento de insetos polinizadores, abelhas melíferas no caso.
O aumento de produção de mel implica automaticamente em melhoria da quantidade e qualidade de frutos e sementes da região.

Um aspecto importante nos dias atuais é o de ser a apicultura uma atividade implicitamente oposta ao uso de agrotóxicos, destruição de florestas, por queimadas ou não, pois essas duas práticas criam problemas para a atividade apícola.

Quanto mais apicultores existirem numa região menor será o uso de agrotóxicos em pulverizações, menos prática de queimadas. Quanto mais se consumir mel, maior será a demanda, mais apiários e mais benefícios ecológicos.
Mas existe sempre um limite entre trabalhar e ter os frutos de sua capacidade criativa e produtiva e a tendência (capitalismo selvagem) de "explorar" animais, seres humanos ou o meio ambiente, a mentalidade capitalista do tipo "tudo é válido para se produzir lucro".

A ganância humana é o que está levando o mundo à destruição, ao caos climático, poluição de solos, água e atmosfera, e eventualmente extinção da vida humana na Terra. O problema é o "capitalismo selvagem" e não a atividade apícola.
"Nós", os seres humanos, estamos nos matando, estamos destruindo o Planeta, nossa única casa, através da busca de "lucro a qualquer custo".


Sabe-se que após a 2a. guerra mundial a Alemanha precisava soerguer sua agricultura, devido ao desestímulo promovido durante o longo governo Hitler que concentrou esforços na industrialização, fomentando a importação de alimentos dos países vizinhos. Após o término da guerra, como forma de estimular a recuperação da produção agrícola o governo criou um órgão, a nível ministerial, apenas para estimular e promover a Apicultura, sabendo que uma apicultura desenvolvida incrementa a produtividade e a qualidade de uma enorme variedade de produtos agrícolas.

No Brasil a apicultura é incipiente, somos importadores de mel da Argentina, Uruguai, México, etc.
No Brasil hoje há enorme ênfase à pecuária e extensas monoculturas para exportação e os "lobbies" de indústrias e empresas agropecuárias estão sempre lutando para extinguir a prática da apicultura, que "incomoda" sua atividade pecuarista e de monoculturas. 

É difícil ter apiários quando as fazendas em volta de seu sítio criam gado, promovem queimadas anuais para "limpar os pastos" e a destruição de florestas nativas é intensa. É difícil ter apiários onde se utiliza fumigação intensiva com agrotóxicos utilizando aviões para isso. É difícil iniciar atividades pecuárias ou industriais numa região onde há concentração de atividade apícola. Uma atividade não combina com a outra.

A apicultura defende e promove o enriquecimento e diversificação da flora. Pecuária e monoculturas destroem a diversidade da flora nativa, contaminam e danificam o meio ambiente.
Mas a agropecuária tem um "peso" muito maior junto aos legislativos do governo, seus "lobbies" são poderosos, bem como seus "caixas-dois".

Para nós, seres humanos, para os animais e para a ecologia a APICULTURA é sempre benéfica e dá suporte, tanto do ponto de vista nutricional como de proteção ao meio ambiente. Infelizmente pouca gente sabe disso. Na verdade pouca gente sabe até para que serve seu próprio fígado, baço ou vesícula biliar, não é verdade?
Os cartéis farmacêuticos adoram esse desconhecimento.

Pouquíssima gente sabe como funciona a apicultura. A indústria pecuária adora isso.
Para um pecuarista, ou dono de um matadouro, ou até mesmo acionista de uma indústria de salames, presuntos etc poderia até ser interessante contratar alguns adolescentes para participarem de networks tipo Orkut, criando opiniões "veganas" contrárias ao consumo de mel e à apicultura.
Se esses adolescentes forem "straight edges" melhor ainda, eles se sentiriam felizes por ficar martelando nessas teclas, citando exploração animal, especismo, etc.  As corporações da agropecuária podem "usar" Paul Singer a seu favor se quiserem.  Posso ensinar-lhes como fazer isso, se quiserem, por um preço. Mas "entregar o ouro pro bandido" nesse caso considero honesto, (na verdade não entregaria, eu "venderia") pois já conheço os antídotos, sei como "tomar o ouro de volta" depois.  Entre o onivorismo e a Inédia, o veganismo está no meio do caminho, mas aí é onde reside o maior grau de ingenuidade. O veganismo pode ser facilmente "usado" para se auto-destruir.  O consumo de sub-produtos de soja, medo de deficiência de B12, oposição à apicultura e a prática de "adotar" cães de rua são alguns exemplos da ingenuidade do veganismo.

O que muitos veganos não sabem é que o consumo de mel e a existência de apicultura SALVA insetos, pássaros e pequenos mamíferos numa proporção milhões de vezes mais do que prejudica abelhas, quando prejudica, nos casos minoritários de empresas apícolas que usam métodos desumanos, restritas praticamente apenas aos EUA, o principal "centro" do capitalismo selvagem, do "american way", da filosofia do "lucro a qualquer custo" no mundo .


Quanto mais apicultura ecológica, mais proteção às matas nativas, mais indivíduos fazendo oposição a queimadas, mais interesse em agricultura orgânico-ecológica, mais equilíbrio ecológico, menos morte de insetos, menos destruição da vida micro-orgânica do solo, menor destruição de pássaros e pequenos mamíferos silvestres.

Quanto mais apicultura consciente, mais gente "contra" o uso de fumigação de lavouras com agrotóxicos, mais agricultura orgânica.

Para um "vegano", o consumo de vegetais orgânicos deveria ser um princípio básico, essencial, faz muito sentido, pois a agricultura que utiliza produtos químico-sintéticos, como fertilizantes, herbicidas, fungicidas, etc, é responsável por uma destruição enorme da flora e fauna nativas, contaminação de plantas, solo, ar e água.

Apicultura NÃO TEM que se necessariamente agressiva, destrutiva ou implicar em maus tratos às abelhas.
Se for praticada de forma consciente produzirá como resultado mel e pólen de qualidade, sem implicar em "exploração" de  abelhas. Quando o instituto Nina Rosa ou a PETA divulga os fatos tristes da apicultura capitalista selvagem, mercantilista e que visa apenas lucros, usando métodos desumanos com as abelhas, está mostrando um lado da moeda, mas está prestando um desserviço enorme para com a Natureza, disseminando a ideia errônea de que TODO mel é fruto de atividade destrutiva para as abelhas.

O problema não é o consumo de mel "per se" e sim a forma capitalista selvagem de produzi-lo.
Segundo estatísticas disponíveis no site da "Vegan Society" (onde "nasceu" o veganismo, em 1944) existem 40 mil apiários na Inglaterra, sendo apenas 320 comerciais ou semi comerciais. Daí se pode ver que essa minoria (menos de 1%) usa recursos capitalistas do tipo "tudo pelo lucro", mas não os outros 99%, composto de pequenos apicultores.


O Dr. Michael Greger é um médico, "chef" vegano, autor de livros, conferencista conhecido mundialmente e uma autoridade com muito mais visão e conhecimento do que qualquer integrante do interessante e simpático Instituto Nina Rosa. O movimento vegano é milhares de vezes maior na Europa ou EUA do que no Brasil. Por consequência existem lá muito mais pessoas com autoridade e conhecimento de causa.
Um texto do Dr. Greger chamado "Porque mel é vegan", está no link abaixo:

http://satyamag.com/sept05/greger.html.

A disseminação da ideia de que MEL e PÓLEN DE FLORES são  "não-vegano em TODOS os casos",  através da cartilha da "Vegan Society" inglesa, pelo Instituto Nina Rosa no Brasil ou por quem quer que seja apenas indica o desconhecimento do "grande contexto", da "big picture" da estória,  com todos os fatos, detalhes e suas implicações.

Existe uma enorme "antipatia natural" por parte das pessoas carnívoras em relação ao vegetarianismo e muito mais ainda em relação ao movimento vegano, no caso deste, devido ao fato de haver muitas posições extremistas, antipáticas e impregnadas de julgamento apressado por parte dos integrantes do mesmo em relação às dietas menos conscientes, como o onivorismo.

Se vegetarianos e particularmente os veganos quiserem expandir a nutrição mais consciente e menos agressiva e assassina de animais, mais defensiva da Ecologia, terão que se armar de argumentos brandos, convincentes, menos radicais e exclusivistas. Infelizmente isso não é o que ocorre, principalmente dentro dos adeptos do veganismo.
O maior inimigo do ideal vegano talvez sejam os próprios veganos, quando usam e abusam de argumentações monolíticas, anedóticas e até falaciosas para defender o aspecto "ético" do ideal vegano.

Se um vegano e começasse a responder perguntas de carnívoros sobre seus motivos de ser vegano, ele poderia atrair a atenção dos onívoros sob diversos ângulos. Não comer carne devido à morte, ao "abate" de 50 bilhões de animais por ano (2004), não consumir ovos, devido ao horror que são as granjas, a "indústria avícola" responsável pelo abate de 47 bilhões de aves por ano, (a mesma estatística, 2004) incluindo TODAS as poedeiras, após "perderem" sua capacidade de postura comercialmente lucrativa.
 

Depois poderia falar dos malefícios do leite, da "exploração" das vacas, do seu "abate para carne" quando ficam mais velhas e "menos lucrativas" para produzir leite.
Isso ainda sensibiliza as pessoas, mas algumas já se irritam com essas verdades.
No momento que um vegano menciona  "não comer MEL", os onívoros se afastam, perdem o interesse, olham o vegano como um  radical inconsistente, um "lunático", um exagerado em seus argumentos.

O vegano passa a ser então responsável pela "perda" de um possível novo defensor e praticante do veganismo.
Simplesmente parar de comer carnes já é um grande passo, eliminar ovos e laticínios outro, isso é até bem aceito por muitos onívoros. Mas quando a argumentação vegana menciona não consumir mel, a maioria dos onívoros dá meia volta e se dirige ao churrasco mais próximo.  Mais um potencial futuro vegano perdido.
A indústria de agrotóxicos, a indústria agropecuária, a indústria dos vegetais geneticamente modificados AMAM a posi
ção vegana contra apicultura. Essas atividades mencionadas (além de outras) tem na Apicultura um inimigo, e se os veganos são contra a Apicultura... então vale aquele ditado; "o inimigo do meu inimigo é meu amigo".

O MEL é positivo no "grande contexto", a APICULTURA CONSCIENTE é incrivelmente adequada e protetora da ECOLOGIA.
O mel é nutritivo, tem qualidades medicinais enormes, fatos cientificamente comprovados.

A mistura de mel e pólen de flores é fantástica pela grande variedade de amino-ácidos, vitaminas e minerais contidos no pólen associado à qualidade biológica dos açúcares invertidos, vitaminas e enzimas do mel.

Estimular o consumo de mel e pólen de flores provenientes de pequenos apicultores é estimular a saúde humana, é estimular a proteção da natureza e desestimular a destruição ecológica provocada pela agricultura "químico-sintética" convencional, praticada por grandes corporações.

O consumo de mel nesses termos é muito mais "pró-animal" do que contra. Necessário apenas que a apicultura tenha um enfoque ecológico, natural e consciente. Isso, como já citamos, é o caso da maioria dos apicultores; 99% na Inglaterra, para citar dados da própria "Vegan Society" inglesa, neste link: http://www.vegansociety.com/html/animals/exploitation/bees.php

 Os menos de 1% dos apicultores ingleses que SÃO comerciais e usam métodos desumanos para com as abelhas acabaram criando um mito de que TODA a apicultura é exploratória e infame. Isso é um erro tão inconsciente como n
ão consumir pão integral da loja de produtos naturais porque o padeiro da esquina coloca bromato de potássio no pão branco de sua  padaria. Ou achar que nunca devemos usar um carro porque o mecânico do seu cunhado vive "enganando-o" e explorando-o quando ele leva seu carro para consertar. Ou nunca mais assistir a TV Educativa, ou o Discovery Channel porque as novelas da globo são alienantes etc. Generalizações, sem conhecimento de causa, são sempre destrutivas e mais alienantes ainda.

A disseminação da ideia de simplesmente se evitar TODO TIPO DE MEL é contraproducente ao veganismo, à saúde, à ecologia. Para entender isso há que se CONHECER como funciona a apicultrura de pequena escala, como e porque é viável praticá-la em total consonância com a natureza instintiva das abelhas, sem exploração, e sim com uma natural troca, onde o maior beneficiário NÃO é o homem nem a abelha e sim o meio ambiente e a ECOLOGIA em geral.

Pessoas que desconhecem apicultura ecológica e pensam erroneamente que as abelhas "fabricam mel", que o apicultor as está explorando, maltratando, roubando seu trabalho, matando-as abelhas,  terão facilmente ideias obtusas e distorcidas sobre o importante papel que a apicultura desenvolve no sentido de ajudar a preservar o equilíbrio ecológico que inclui a flora bem como a FAUNA nativas. 

A filosofia, ética e princípios veganos desempenham um respeitoso papel em erradicar a exploração, morte e abuso que o homem promove contra os animais, mas seu antagonismo à apicultura é contraproducente ao espírito do veganismo.

Um APICULTOR ecológico, com 50 caixas de abelhas em sua roça, que luta contra ou impede seus vizinhos pecuaristas de usar produtos químicos, que estuda a flora apícola, promove a POLINIZAÇÃO das plantas com suas abelhas  faz MAIS pela filosofia vegana do que 200 veganos éticos e radicais reunidos.

Muito mais importante, dentro do contexto da filosofia vegana, do que demonizar o consumo de mel e pólen de flores é apoiar e consumir somente produtos orgânico-ecológicos.
O consumo de vegetais não orgânicos é enorme e
diretamente nocivo  à fauna nativa, que adoece ou morre diretamente pelas pulverizações aéreas ou por queimadas.

A agricultura não orgânica prejudica os animais enormemente, diretamente matando-os envenenados por agrotóxicos ou, indiretamente, por destruir a flora nativa, ervas e plantas pequenas, necessárias ao habitat natural de um sem número de espécies, de insetos a pássaros e pequenos mamíferos.


Conclusões:
- 99% dos apicultores são pequenos, ecológicos e promotores da proteção ecológica, segundos dados citados no site da "Vegan Society",  da Inglaterra. A Vegan Society é onde nasceu o Veganismo, há mais de 50 anos.

- 1% dos apicultores são grandes empresas mercantilistas, promovem exploração e danos desnecessários às abelhas.

- A apicultura protege a ecologia, dificulta ou impede a ação destrutiva da agricultura com agrotóxicos e a agricultura mercantil-destrutiva das monoculturas.

- Agricultura "química" é totalmente anti-vegana, devido à destruição ecológica que promove e deveria ser um foco de atenção mais cuidadosa por parte dos veganos éticos, radicais ou não.

- O veganismo é um PROCESSO sem fim, impossível ser 100% vegano.
O ser humano promove, de milhares de formas diferentes, a exploração,  desconforto e destruição de espécies animais, incluindo insetos, sem esquecer o próprio homem, um "animal racional".
Entre os seres humanos destrutivos estão também os veganos. Infelizmente eles, veganos, não estão conscientes do como quando e por quê são destrutivos.
Estudar, analisar as prioridades, saber quais são as mais importantes deveria ser parte da filosofia vegana, questionar, pesquisar e investigar é sempre necessário, em qualquer atividade humana.

- Em função de nossa experiência de quase 30 anos de vegetarianismo, leituras, estudos, e da prática como apicultor ecológico durante um ano, conhecimentos gerais e pesquisas sobre ecologia, somos totalmente favoráveis ao consumo de mel e pólen de flores, como adequado e condizente com o espírito, com a essência do veganismo.

O fato da apicultura ser uma promotora de um mundo menos destrutivo em rela
ção aos animais, devido à sua característica defensora da ecologia, das matas naturais e também pelo antagonismo natural da atividade apícola em relação ao uso de agrotóxicos e queimadas, isso em si já seria suficiente para que a atividade apícola seja considerada uma das mais condizentes com os princípios do veganismo. 
 
Texto de Jivan Ananto (2005/2006/2007)
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