Este
e outros
textos deste site é fruto de muitos anos de prática do
vegetarianismo,
cerca de três anos de alimentação
orgânica, estudos de diversos temas relativos a
nutrição consciente, cursos e prática de
agricultura natural, medicina
alternativa, ecologia e apicultura.
Quando todos esses temas são combinados, a
visão se amplia e os "contextos maiores" ficam mais claros.
Sou
leitor
ávido em quatro
idiomas, não considero um mérito e sim um
privilégio, pelo qual sou grato.
Minhas esferas de interesse se estendem a muitas outras áreas
fora do tema nutrição, como tantra, várias
áreas de psicologia (transpessoal, psicologia
transgeneracional, terapias
de som), neurofisiologia, xamanismo, plantas enteógenas,
temas
espirituais, economia, política, física quântica,
filosofia, matemática, informática,
civilizações
interplanetárias, tribalismos urbanos, internet networks,
inédia... a lista é longa.
Novamente não vejo
mérito nisso e sim privilégio.
O
texto abaixo é
consequência e extensão de alguns debates de
tópicos que postei em comunidades vegetarianas e veganas do
Orkut, das quais tenho sido participante.
Embora seja ótima a
existência de canais abertos de debate, existe um enorme
número de pessoas que ingenuamente defendem com
paixão suas opiniões muitas vezes baseadas em
condicionamentos e
"crenças", sem embasamento em estudos, conhecimentos,
experiência própria e
até
mesmo sabedoria.
Muitas pessoas parecem ávidas em
escrever, expressar suas ideias, embora pareçam ter pouco
interesse em ler,
estudar, pesquisar e aprender.
Pessoalmente estou mais interessado
em pessoas, mesmo quando arrogantes, mas que sejam
conhecedoras
de temas fascinantes do que
em pessoas humildes e sem conhecimentos.
Sou mais interessado em gente como Fritjoff Capra, Richard
Dawkins,
Noam
Chomsky, Ken Wilber, Michio Kaku, Terence McKenna, David Suzuki
e
milhares de outros do que em madre
Teresa de Calcutá, Ghandi ou o papa.
Mas
somos
todos seres humanos,
habitantes do mesmo "barco" que
está afundando, mesmo quando o afundamento é ajudado por
pessoas aparentemente com boas intenções. ------------------------------------------------------------------------------------------------------
Consumo
de
Mel e o veganismo. A apicultura ecológica
consciente.
Sobre
mel e
apicultura existe uma
enormidade de fatos, o tema
é bem extenso.
Existem fatos pouco conhecidos por pessoas que nunca estudaram ou
praticaram
apicultura:
Desde tempos
imemoriais o homem
sentiu-se atraído pelo aroma e
delicado sabor do mel.
A flor é o órgão sexual das plantas e o
néctar da
flor é a secreção adocicada e aquosa
da parte feminina das flores. O MEL é o néctar de flores
coletado por abelhas e outros insetos coletores de néctar e
polinizadores e concentrado
através de desidratação.
Existem
incontáveis sabores
diferentes de méis, pois vindo de diferentes néctares de
flores, sabor
e aroma são diferentes para cada néctar ou
combinação
de néctares. Existem fósseis de abelhas melíferas
incrustados em pedaços de âmbar (resina vegetal
petrificada) com cerca de 100 milhões de anos. As abelhas
são as mesmas, o que indica que elas não "evoluíram" ao
longo do tempo para se "adaptar" ao ambiente, como a
maioria dos animais, inclusive o "animal racional"; o homem.
Apenas
esse fato já é muito curioso, uma provável
indicação que as abelhas estão há mais de
100 milhões de anos "perfeitas" para o papel que desempenham na
Natureza.
A
função mais importante
das abelhas não é
produzir mel e sim POLINIZAR PLANTAS, isto é fecundar as flores
femininas com o sêmen das flores masculinas, o pólen.
Através da "polinização cruzada" isto é;
quando uma abelha fecunda uma flor com pólen de outra
árvore da mesma espécie, ocorre um
"aperfeiçoamento" do fruto ou semente a ser produzido(a) pela
flor fecundada. Pode-se considerar que os insetos polinizadores
desempenham um papel essencial na
evolução do reino vegetal.
O fato do mel
provocar
uma natural
atração ao olfato e paladar humano foi o motivo pelo
qual o ser humano teve seu interesse despertado para trabalhar
em conjunto
com as
abelhas, construindo "casas" para as mesmas (as colmeias),
cuidando delas e depois
colhendo parte do mel por elas produzido.
O público, em geral,
leigos em apicultura, conhece muito pouco ou nada sobre como
funciona a vida das abelhas, porque elas produzem mel além de
suas necessidades imediatas. O público, em geral, também
pouco sabe
porque e como as abelhas se "multiplicam", seus métodos
perfeitos de controle populacional e "explosão
demográfica", o fenômeno do "enxameação" etc.
Pouquíssima gente sabe que a prática da APICULTURA
estimula o crescimento das populações de abelhas,
incrementando a polinização cruzada, beneficiando a a
quantidade e qualidade da produção de frutos e sementes.
Pouca gente entende as enormes implicações positivas que
a prática imemorial da apicultura tem de estimular a natureza e
protegê-la contra ofensas, sejam os desmatamentos (por queimadas
ou não) as queimadas ou o uso de agrotóxicos. O
fato do homem
construir colmeias para abelhas, desde tempos imemoriais,
(antigamente com palhas trançadas e hoje caixas de madeira ),
plantar
flores, árvores e arbustos melíferos ou
poliníferos, isso apenas já justifica o homem ter o
merecimento de utilizar uma parte do mel, pela economia de tempo e
trabalho que proporcionou às abelhas, que economizam energia
para "construir" suas casas com favos pendurados em árvores,
à
mercê dos elementos naturais e predadores. Mas a apicultura
obviamente não "tolhe" liberdade das abelhas
continuarem livremente vivendo livres na Natureza. Mesmo os
enxames de
apicultores são livres para "ir embora pro mato" quando
quiserem, e as abelhas fazem isso quando julgam necessário.
Comparar apicultura com avicultura, suinocultura ou
criação de gado de leite ou corte indica uma
ignorância total dos fatos.
A
apicultura, a
atividade humana de "cuidar" de abelhas,
tem um enorme
efeito benéfico à natureza. O fato de existir um
apiário em um sítio/fazenda beneficia a
vegetação das redondezas, aumentando a qualidade e
quantidade de frutos/sementes de espécies polinizáveis
pelas abelhas melíferas.
A abelha comum, a Apis Mellifera,
poliniza muitas
espécies, mas não todas, existem outros insetos que
polinizam flores que não são visitadas pela Apis
Mellifera, em função de seu tamanho ou forma.
A pequena "jataí", abelhinha nativa no Brasil,
poliniza flores
pequeninas não visitadas pelas populares abelhas
melíferas que conhecemos.
Como
em muitos
outros casos, o homem
pode e deve trabalhar em conjunto
com a natureza, ajudando a beneficiá-la e enriquecê-la.
Isso
implica em conhecer e entender a ecologia e não apenas
"explorar" animais.
Usar cavalos e bois para "arar" a terra tem sido
praticado há milênios. Nesses casos os agricultores
alimentavam e cuidavam de seus animais de tração para
poder usufruir de sua força e capacidade de puxar arados ou
transportar
cargas. Essa atividade pode implicar em maus tratos aos animais de
cargas (cavalos e bois) ou não, dependendo da consciência
do agricultor. Usar cavalos para puxar um arado não é
necessariamente promover maus tratos ao cavalo, pode ser uma uma
troca.
O
cavalo
trabalha, economiza tempo e esforço ao homem e em troca o
agricultor o
alimenta, o abriga e o protege da chuva e frio. Um "trabalho de
equipe".
Que embora útil no passado é desnecessário hoje.
Hoje em dia, com a mecanização, os "animais de
tração" são desnecessários.
Mas
sempre existiram e ainda existem agricultores que maltratam seus
animais de carga,
o que é condenável.
No caso da apicultura o mesmo se
aplica.
Apicultura não é uma atividade com o objetivo de
"maltratar"
e explorar insetos "per se", isso depende de como é praticada.
Por isso seria
melhor usar o termo APICULTURA ECOLÓGICA CONSCIENTE.
O
consumo de mel
é um
hábito que
beneficia a natureza, pois estimula o interesse humano pela
apicultura,
que promove o incremento de insetos
polinizadores, abelhas melíferas no caso.
O aumento de
produção de mel implica automaticamente em melhoria da
quantidade e qualidade de frutos e sementes da região.
Um aspecto importante nos dias atuais é o de ser a apicultura
uma atividade implicitamente oposta ao
uso de agrotóxicos, destruição de florestas, por
queimadas ou não, pois essas duas práticas
criam
problemas para a atividade apícola.
Quanto mais apicultores
existirem
numa região menor será o uso de agrotóxicos em
pulverizações, menos prática de queimadas. Quanto
mais se consumir mel, maior será a demanda, mais apiários
e
mais benefícios ecológicos.
Mas existe sempre um limite
entre trabalhar e ter os frutos de sua capacidade criativa e
produtiva
e a tendência (capitalismo selvagem) de "explorar" animais, seres
humanos ou o meio ambiente, a mentalidade capitalista do tipo
"tudo
é válido para se produzir lucro".
A ganância humana é o que está levando o mundo
à destruição, ao caos
climático, poluição de solos, água e
atmosfera, e eventualmente
extinção da vida humana na Terra. O problema é o
"capitalismo selvagem" e não a atividade apícola.
"Nós", os seres humanos, estamos nos matando, estamos destruindo
o
Planeta, nossa única casa, através da busca de "lucro a
qualquer custo".
Sabe-se
que
após a 2a. guerra
mundial a Alemanha precisava
soerguer sua agricultura, devido ao desestímulo promovido
durante o longo governo Hitler que concentrou esforços na
industrialização, fomentando a importação
de alimentos dos países vizinhos. Após o término
da guerra, como forma de estimular a recuperação da
produção agrícola o
governo criou um órgão, a nível ministerial,
apenas para estimular e promover a Apicultura, sabendo que uma
apicultura desenvolvida incrementa a produtividade e a qualidade
de uma
enorme variedade de produtos agrícolas.
No Brasil a apicultura
é incipiente, somos importadores de mel da Argentina, Uruguai,
México, etc.
No Brasil hoje há enorme ênfase à pecuária e
extensas monoculturas para exportação e os "lobbies" de
indústrias e empresas
agropecuárias estão
sempre lutando para extinguir a prática da apicultura, que
"incomoda" sua atividade pecuarista e de monoculturas.
É
difícil
ter apiários quando
as fazendas em volta de seu sítio criam gado, promovem queimadas
anuais para "limpar os pastos" e a destruição de
florestas nativas é intensa. É difícil ter
apiários onde se utiliza fumigação intensiva com
agrotóxicos utilizando aviões para isso. É
difícil iniciar
atividades pecuárias ou industriais numa região onde
há
concentração de atividade apícola. Uma atividade
não combina com a outra.
A apicultura defende e promove o enriquecimento e
diversificação da flora. Pecuária e monoculturas
destroem a diversidade da flora nativa, contaminam e danificam o
meio
ambiente.
Mas a agropecuária tem um "peso" muito maior junto aos
legislativos
do governo, seus "lobbies" são poderosos, bem como seus
"caixas-dois".
Para nós, seres humanos,
para
os animais e para a ecologia a APICULTURA é sempre
benéfica e dá suporte, tanto do ponto de vista
nutricional como de proteção ao meio ambiente.
Infelizmente pouca gente sabe disso. Na verdade pouca gente sabe
até para que serve seu próprio fígado, baço
ou vesícula biliar, não é verdade?
Os cartéis farmacêuticos adoram
esse desconhecimento.
Pouquíssima gente sabe como funciona a
apicultura. A indústria pecuária adora isso.
Para um pecuarista, ou dono de um matadouro, ou até mesmo
acionista
de uma indústria de salames, presuntos etc poderia até
ser interessante
contratar alguns adolescentes para participarem de networks tipo
Orkut,
criando opiniões "veganas" contrárias ao consumo de mel e
à
apicultura.
Se esses adolescentes forem "straight edges" melhor ainda, eles se
sentiriam felizes por ficar martelando nessas teclas, citando
exploração animal, especismo, etc. As
corporações da agropecuária podem "usar" Paul
Singer a seu favor se quiserem. Posso ensinar-lhes como
fazer
isso, se quiserem, por um preço. Mas "entregar o ouro pro
bandido" nesse caso considero honesto, (na verdade não
entregaria, eu "venderia") pois já conheço os
antídotos, sei como "tomar o ouro de volta" depois. Entre
o onivorismo e a Inédia, o veganismo está no meio do
caminho, mas aí é onde reside o maior grau de
ingenuidade. O veganismo pode ser facilmente "usado" para se
auto-destruir. O consumo de sub-produtos de soja, medo de
deficiência de B12, oposição à apicultura e
a prática de "adotar" cães de rua são alguns
exemplos da ingenuidade do veganismo.
O que muitos veganos não
sabem é que o consumo de mel e a
existência de apicultura SALVA insetos, pássaros e
pequenos mamíferos numa proporção milhões
de vezes mais do que prejudica abelhas, quando
prejudica, nos casos minoritários de empresas apícolas
que usam métodos desumanos, restritas praticamente apenas aos
EUA, o principal "centro" do capitalismo selvagem, do "american
way",
da filosofia do "lucro a qualquer custo" no mundo .
Quanto
mais
apicultura
ecológica, mais proteção
às matas
nativas, mais indivíduos fazendo oposição a
queimadas,
mais interesse em agricultura
orgânico-ecológica, mais equilíbrio
ecológico, menos morte de insetos, menos
destruição da vida
micro-orgânica do solo,
menor destruição
de pássaros e pequenos mamíferos
silvestres.
Quanto mais
apicultura consciente,
mais gente "contra" o uso de
fumigação de lavouras com agrotóxicos, mais
agricultura
orgânica. Para
um "vegano",
o
consumo de vegetais
orgânicos deveria ser um princípio básico,
essencial, faz muito sentido, pois a agricultura que utiliza
produtos químico-sintéticos, como fertilizantes,
herbicidas, fungicidas, etc, é responsável por uma
destruição enorme da
flora e fauna nativas, contaminação de plantas, solo, ar
e água.
Apicultura
NÃO TEM que
se necessariamente agressiva, destrutiva
ou implicar em maus tratos às abelhas.
Se for praticada de forma
consciente produzirá como resultado mel e pólen de
qualidade, sem
implicar em "exploração" de abelhas. Quando o
instituto Nina Rosa ou a PETA divulga os fatos
tristes da apicultura capitalista selvagem, mercantilista e que
visa
apenas lucros, usando métodos desumanos com as abelhas,
está
mostrando um lado da moeda, mas está prestando um
desserviço enorme para com a Natureza, disseminando a
ideia errônea de que TODO mel é fruto de atividade
destrutiva para as abelhas.
O problema não é o consumo de mel "per
se" e sim a forma capitalista selvagem de produzi-lo.
Segundo
estatísticas disponíveis no site da "Vegan Society" (onde
"nasceu" o veganismo, em
1944) existem 40 mil apiários na Inglaterra, sendo apenas 320
comerciais ou semi comerciais. Daí se pode ver que essa minoria
(menos de 1%) usa recursos capitalistas do tipo "tudo pelo lucro",
mas
não os outros 99%, composto de pequenos apicultores.
O
Dr. Michael
Greger é
um médico, "chef" vegano, autor de livros, conferencista
conhecido mundialmente e uma autoridade com muito mais visão e
conhecimento do que qualquer integrante do interessante e
simpático Instituto Nina Rosa. O movimento vegano é
milhares de
vezes maior na Europa ou EUA do que no Brasil. Por
consequência
existem lá muito mais pessoas com autoridade e conhecimento de
causa.
Um texto do Dr. Greger chamado "Porque mel é vegan",
está
no link abaixo: http://satyamag.com/sept05/greger.html.
A
disseminação da
ideia de que MEL e PÓLEN DE FLORES são
"não-vegano em TODOS os casos", através da cartilha
da "Vegan Society"
inglesa, pelo Instituto Nina Rosa no Brasil ou por
quem quer que seja
apenas indica o desconhecimento do "grande contexto", da "big
picture"
da estória, com
todos os fatos, detalhes e suas implicações.
Existe
uma enorme
"antipatia natural"
por parte das
pessoas carnívoras em relação ao vegetarianismo e
muito mais ainda em relação ao movimento vegano, no caso
deste, devido ao fato
de haver muitas posições extremistas, antipáticas
e impregnadas de julgamento apressado por parte dos integrantes do
mesmo em
relação às dietas menos conscientes, como o
onivorismo.
Se vegetarianos e particularmente os veganos quiserem expandir a
nutrição mais consciente e menos agressiva e assassina de
animais, mais defensiva da Ecologia, terão que se armar de
argumentos brandos, convincentes, menos radicais e exclusivistas.
Infelizmente isso não é o que ocorre, principalmente
dentro dos adeptos do veganismo.
O maior inimigo do ideal vegano talvez
sejam os próprios veganos, quando usam e abusam de
argumentações monolíticas, anedóticas e
até falaciosas para
defender o aspecto
"ético" do ideal vegano.
Se um vegano e começasse a responder
perguntas de carnívoros sobre seus motivos de ser vegano,
ele poderia atrair a atenção dos onívoros sob
diversos
ângulos. Não comer
carne devido à morte, ao "abate" de 50 bilhões de animais
por
ano (2004), não consumir ovos, devido ao horror que são
as granjas, a
"indústria avícola" responsável pelo abate de 47
bilhões de aves por
ano, (a mesma estatística, 2004) incluindo TODAS as poedeiras,
após "perderem" sua
capacidade de postura
comercialmente lucrativa.
Depois
poderia falar dos
malefícios do leite, da
"exploração" das vacas, do seu "abate para carne" quando
ficam mais velhas e "menos lucrativas" para produzir leite.
Isso ainda
sensibiliza as pessoas, mas
algumas já se irritam com essas verdades.
No momento que
um vegano menciona
"não comer MEL", os onívoros se afastam, perdem o
interesse, olham o vegano como um
radical inconsistente,
um "lunático", um exagerado em seus argumentos.
O vegano passa a
ser então responsável pela "perda" de um possível
novo defensor e praticante do veganismo.
Simplesmente parar de comer carnes
já é um grande passo, eliminar ovos e laticínios
outro, isso é até bem aceito por muitos onívoros.
Mas quando a argumentação vegana menciona não
consumir mel, a maioria dos onívoros dá meia volta e se
dirige ao churrasco mais próximo. Mais um potencial futuro
vegano perdido.
A indústria de agrotóxicos, a indústria
agropecuária, a indústria dos vegetais geneticamente
modificados AMAM a posição
vegana contra apicultura. Essas atividades mencionadas (além de
outras) tem na Apicultura um inimigo, e se os veganos são contra
a Apicultura... então vale aquele ditado; "o inimigo do meu
inimigo é meu amigo".
O
MEL
é positivo no "grande
contexto", a APICULTURA CONSCIENTE é
incrivelmente
adequada e protetora da ECOLOGIA. O
mel é
nutritivo, tem
qualidades
medicinais enormes, fatos cientificamente comprovados.
A
mistura de mel e pólen de flores é
fantástica pela grande variedade de amino-ácidos,
vitaminas e minerais contidos
no pólen associado à qualidade biológica
dos açúcares invertidos, vitaminas e enzimas do mel. Estimular
o
consumo de mel e
pólen de flores provenientes de pequenos
apicultores é estimular
a saúde humana, é estimular a proteção da
natureza e desestimular a destruição ecológica
provocada pela agricultura "químico-sintética"
convencional, praticada por grandes corporações.
O
consumo de mel nesses termos é muito mais "pró-animal" do
que contra.
Necessário apenas que a apicultura tenha um enfoque
ecológico, natural e consciente. Isso, como
já citamos, é o caso da maioria dos apicultores; 99% na
Inglaterra, para citar dados da própria "Vegan Society" inglesa,
neste link: http://www.vegansociety.com/html/animals/exploitation/bees.php
Os menos de 1% dos apicultores ingleses que SÃO comerciais
e
usam métodos desumanos para com as abelhas acabaram criando um
mito de que TODA a apicultura é exploratória e infame.
Isso é um erro tão inconsciente como não
consumir pão integral da loja de produtos naturais porque o
padeiro da esquina coloca bromato de
potássio no pão branco de sua padaria. Ou achar que
nunca devemos usar um carro porque o mecânico do seu cunhado vive
"enganando-o" e explorando-o quando ele leva seu carro para
consertar.
Ou nunca mais assistir a TV Educativa, ou o Discovery Channel
porque as
novelas da globo são alienantes etc.
Generalizações, sem conhecimento de causa, são
sempre destrutivas e mais alienantes ainda.
A
disseminação da
ideia de simplesmente se
evitar TODO
TIPO DE MEL é contraproducente ao veganismo, à
saúde, à ecologia. Para entender isso
há que se CONHECER como funciona a apicultrura de pequena
escala, como e porque é viável praticá-la em total
consonância com a natureza instintiva das abelhas, sem
exploração, e sim com uma natural troca, onde o maior
beneficiário NÃO é o homem nem a abelha e sim o
meio ambiente e a
ECOLOGIA em geral.
Pessoas que desconhecem
apicultura ecológica e pensam
erroneamente que as abelhas "fabricam mel", que o apicultor as
está explorando, maltratando, roubando seu trabalho, matando-as
abelhas, terão facilmente
ideias obtusas e distorcidas sobre o importante papel que a
apicultura desenvolve no sentido de ajudar a preservar o
equilíbrio ecológico que inclui a flora bem como a FAUNA
nativas. A
filosofia, ética e princípios veganos desempenham um
respeitoso papel em erradicar a
exploração, morte e abuso que o homem promove contra
os animais, mas seu antagonismo à apicultura é
contraproducente ao espírito do veganismo.
Um
APICULTOR
ecológico, com 50
caixas de abelhas em sua
roça, que luta contra ou impede seus vizinhos pecuaristas de
usar produtos químicos, que estuda a flora apícola,
promove a POLINIZAÇÃO das plantas com suas abelhas
faz MAIS pela
filosofia vegana do que 200 veganos éticos e radicais reunidos.
Muito
mais
importante, dentro do
contexto da filosofia vegana, do que
demonizar o consumo de mel e pólen de flores é
apoiar e consumir somente produtos orgânico-ecológicos.
O consumo de
vegetais não orgânicos é enorme e diretamente
nocivo à fauna nativa, que adoece ou morre diretamente
pelas pulverizações aéreas ou por queimadas.
A
agricultura não orgânica prejudica os animais enormemente,
diretamente
matando-os envenenados por agrotóxicos ou, indiretamente, por
destruir
a flora nativa, ervas e plantas pequenas, necessárias ao habitat
natural de um sem número de espécies, de insetos a
pássaros e pequenos mamíferos.
Conclusões: -
99% dos
apicultores são
pequenos, ecológicos e
promotores da proteção ecológica, segundos dados
citados no site da "Vegan Society", da Inglaterra. A Vegan
Society é onde nasceu o Veganismo, há mais de 50 anos.
- 1% dos apicultores são
grandes empresas mercantilistas,
promovem exploração e danos desnecessários
às abelhas.
- A apicultura protege a
ecologia, dificulta ou impede a
ação
destrutiva da agricultura com agrotóxicos e a agricultura
mercantil-destrutiva das
monoculturas.
- Agricultura "química"
é totalmente anti-vegana, devido
à destruição ecológica que promove e
deveria ser um foco de atenção mais cuidadosa por parte
dos veganos
éticos, radicais ou não.
- O veganismo é um
PROCESSO sem fim, impossível ser 100%
vegano.
O ser humano promove, de milhares de formas
diferentes, a exploração, desconforto e
destruição de
espécies
animais, incluindo insetos, sem esquecer o próprio homem, um
"animal racional".
Entre os seres humanos destrutivos estão também os
veganos. Infelizmente eles, veganos, não estão
conscientes do como quando e por quê são destrutivos.
Estudar, analisar as prioridades, saber
quais são as mais importantes deveria ser parte da filosofia
vegana, questionar, pesquisar e investigar é sempre
necessário, em qualquer atividade humana.
- Em função de
nossa experiência de quase 30 anos de
vegetarianismo, leituras, estudos, e da prática como apicultor
ecológico durante um ano, conhecimentos
gerais e pesquisas sobre ecologia,
somos totalmente favoráveis ao consumo de mel e pólen de
flores, como adequado e
condizente com o espírito, com a essência do veganismo.
O fato
da apicultura ser uma promotora de um mundo menos destrutivo em
relação
aos
animais, devido à sua característica defensora da
ecologia, das matas naturais e também pelo antagonismo natural
da atividade
apícola em relação ao uso de agrotóxicos e
queimadas, isso em si já seria suficiente para que a atividade
apícola seja considerada uma das mais condizentes com os
princípios do veganismo. Texto de Jivan
Ananto (2005/2006/2007)
Este
texto, como outros em nosso
site, é periodicamente revisado e atualizado, sujeito a
modificações.
Pedimos desculpas por eventuais êrros gramaticais e/ou
ortográficos.
Pode ser reproduzido, copiado, editado e publicado sem
autorização do autor ou citação de sua
origem. [email protected]