|
Dieta
mais saudável começa pela panela
(O Estado de São Paulo - Vida & - 23/11/2004)
Estudo compara a de ferro, a de inox e a de pedra-sabão; a
primeira é a mais indicada
Adriana Dias Lopes
E não é que a vovó tinha razão? A panela de
ferro libera mesmo ferro aos alimentos preparados nela. Mas não
é apenas essa substância que ela solta e também
há outros tipos de panelas que fazem o mesmo. A
comprovação está no mais completo estudo sobre o
assunto, o doutorado da nutricionista Késia Quintaes, defendida
este mês na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
Durante 40 meses, Késia estudou as
implicações nutricionais decorrentes do uso de três
tipos de panela: ferro, aço inoxidável e
pedra-sabão. "A escolha dos materiais foi pelo simples motivo de
terem ferro em sua composição", conta Késia.
"Queria provar que transferiam a substância para que fossem
usados no combate à desnutrição." O que acabou
sendo provado foi que eles passavam, sim, o ferro, mas também o
manganês. Alguns passavam cálcio e níquel.
Vários tipos de alimentos foram usados para estudar
as panelas. Em uma das etapas do estudo, a nutricionista testou os
valores nutricionais do arroz e do molho de tomate cozidos em panela de
ferro. Resultado: enquanto a concentração de ferro no
arroz cru é de 2,45 mg/quilo e a de molho de tomate, 128,76
mg/quilo, a do arroz cozido em panela de ferro ficou em 8,68 mg/quilo e
a do molho de tomate, 559,58mg/quilo. Ou seja, os valores triplicaram.
A quantidade de manganês encontrada nos dois alimentos
foi também maior depois de preparados na panela de ferro. O
molho de tomate cru tem 6,68 mg/quilo. Depois de cozido passou a ter
89,18 mg/quilo. Uma criança de 4 anos, por exemplo, deve
consumir, de acordo com a American Dietetic Association, 1,5 mg/dia.
Já a gestante de 30 anos, 1,8 mg/dia. O manganês é
importante para a formação dos ossos e no metabolismo do
carboidrato.
Os resultados positivos com ferro foram registrados em exames
de sangue feitos em vegetarianas. Durante 12 semanas, elas tiveram de
usar a panela de ferro no dia-a-dia. A concentração de
hemoglobina (proteína sanguínea que serve de
referência para medir a anemia) depois da experiência era
87% maior em relação ao início. Ou seja, a chance
de elas ficarem anêmicas seria mínima.
A chef Silvia Percussi, do restaurante Vinheria Percussi, em
São Paulo, usa panela de ferro tanto em casa como no local de
trabalho. "Acho importante meus filhos consumirem alimentos preparados
na panela de ferro porque acredito que ela faça bem à
saúde", diz ela. "Uso no restaurante também porque
dão sabor especial a alguns pratos, como bifes, risotos e
sopas." A panela de ferro altera tanto o sabor como a
coloração. "Quanto mais enferrujada, mais ferro solta e,
portanto, mais sabor de ferro dá", afirma Késia.
OUTRA ETAPA
A panela de ferro também não está livre
de problemas. Em outra etapa do trabalho, as panelas foram testadas com
vinagre estocado (e não fervido). Na panela de ferro, a
quantidade de ferro no vinagre ficou muito acima do indicado: 304,2
mg/litro na primeira vez que foi armazenado e 3.117,4/litro na quinta
vez. A quantidade indicada para uma grávida, por exemplo,
é de 27 mg/dia. "Acima de 40 mg por dia o ferro pode irritar o
sistema gastrointestinal e provocar diarréia ou vômitos",
diz Késia.
As panelas de pedra-sabão e aço
inoxidável foram usadas em outras etapas da pesquisa. Em uma
delas, a nutricionista testou os materiais com óleo de soja. O
óleo foi fervido durante 20 minutos. Essa operação
foi repetida por quatro vezes, sempre com o mesmo óleo. "Decidi
não trocá-lo porque muitas donas de casa não
têm o hábito fazer isso", conta.
A conclusão foi a de que o óleo da primeira
fervura da panela de inox tinha mais ferro (0,7 mg/litro) em
relação às outras vezes em que foi usado.
Já na quarta fervura, o óleo com mais ferro foi o da
panela de pedra-sabão (2,3mg/litro). Significa que, com o tempo
de uso, a de pedra-sabão é a que solta mais ferro.
A de pedra-sabão também transferiu
cálcio (40,49 mg/litro - enquanto a quantidade da
substância indicada para crianças de 4 anos, por exemplo,
é de 800 mg por dia). Não significa, porém, que
seja a mais indicada para ferver alimentos.
Késia constatou que a panela de pedra-sabão,
assim como a de aço inoxidável, quando usadas com vinagre
e água, soltaram níquel, principalmente nas primeiras
vezes em que foram usadas. "A substância pode ter efeito
tóxico no organismo e provocar alergias, em especial em
bebês", explica. O níquel também apareceu no
vinagre quando ele foi só estocado na panela de
pedra-sabão.
Késia
não estudou a panela revestida de material antiaderente, mas tem
opinião sobre ela: "O material é inócuo. Essa
história de que se ele for arranhado faz mal à
saúde é lenda", afirma. "No máximo, o mal que pode
fazer é o material antiaderente danificado deixar o
alumínio exposto."
O alumínio é polêmico. Ele já foi
associado com o mal de Alzheimer. "Mas não há prova de
que isso de fato ocorra", comenta a nutricionista. "Enquanto não
se chega a uma conclusão, a dica é evitar que ele passe
por qualquer tipo de corrosão." O desgaste pode ocorrer com
esponja de aço ou com o preparo de alimentos ácidos.
Qual é a melhor panela, afinal? "Se tiver de escolher,
fico com a de ferro", revela Késia. "Mas a escolha exata vai
depender do consumidor que vai usá-la."
-----------------
Nosso
comentário:
Interessante
a pesquisa da nutricionista Késia Quintaes.
Só
discordamos de sua afirmativa de que o Teflon é inócuo.
Existe uma infinidade de estudos comprovando os efeitos nocivos do
teflon, um produto químico usado para revestir panelas e
torná-las anti-aderentes. Indicamos o parágrafo onde ela
cita isso em vermelho. Nossa posicao é totalmente
contrária ao uso de panelas de Teflon!
|