Por Thiago Romero
Agência FAPESP - Pesquisadores da Escola
de
Engenharia de São Carlos (EESC), da Universidade de São
Paulo (USP), acabam de escrever mais um capítulo na
polêmica questão de se preparar alimentos em panelas de
alumínio. O estudo indica o potencial de comprometer a
saúde do consumidor.
Durante o preparo de uma amostra de arroz com
feijão, a engenheira Elaine Cristina Bocalon, coordenadora do
estudo, detectou quantidades excessivas de alumínio tanto na
água quanto no alimento. A transferência do metal em
água com sal (na concentração de 10 gramas de sal
para 4 litros de água) foi de 20 miligramas de alumínio
por litro após 3 horas de fervura. De acordo com a literatura
internacional, o limite aceitável de consumo diário de
alumínio é de no máximo 14 miligramas.
O estudo também identificou que a
transferência de metais cresceu com a introdução de
uma maior quantidade de sal na água. Ao elevar a salinidade de
10 para 50 gramas por 4 litros, os pesquisadores verificaram que a
concentração de metais na água aumentou 25%. “O
sal eleva a condutividade da água, fazendo com que a panela
libere uma quantidade de alumínio ainda maior”, disse Elaine
à Agência FAPESP.
Segundo ela, o excesso de alumínio no organismo
pode trazer vários danos à saúde. “O
alumínio tem forte relação com doenças como
o mal de Alzheimer, câncer de pulmão e eventos
inflamatórios pelo organismo”, ressalta. Para evitar problemas
desse tipo, Elaine faz duas recomendações: adicionar o
sal apenas após o cozimento dos alimentos e ter o hábito
de utilizar recipientes de teflon. “As panelas de teflon contêm
camadas de óxidos em suas paredes que parecem impedir a passagem
dos metais tóxicos”, diz.
O próximo passo da pesquisa será verificar
se o teflon consegue barrar a passagem de metais tóxicos. Os
experimentos serão realizados com água com
partículas de alumínio para verificar os índices
de transferência nas panelas. “Amostras de águas
contaminadas serão aquecidas para verificarmos se o nível
de metais tóxicos irá aumentar ou diminuir”, conta
Elaine.
O alumínio é um dos elementos
químicos mais abundantes na crosta terrestre e as panelas feitas
com o metal são de longe as mais populares. A
associação do excesso de alumínio a doenças
foi destacado em muitos estudos, mas questões referentes aos
níveis de toxicidade e ao perigo do uso ao ser humano ainda
permanecem obscuras.
Em artigo publicado na Revista de
Nutrição (vol.13, nº 13), Késia Diego
Quintaes, do Departamento de Planejamento Alimentar e
Nutrição, da Faculdade de Engenharia de Alimentos da
Universidade Estadual de Campinas, descreve diversas pesquisas sobre o
uso do alumínio na indústria alimentícia e no
preparo de alimentos.
“Praticamente todos os estudos sobre
migração de alumínio dos utensílios para os
alimentos deixam claro que estes fornecem uma importante
contribuição na quantidade do metal consumida pelo homem,
mas a ligação entre esta fonte e os efeitos
biológicos possíveis ainda é confusa”, diz a
pesquisadora. Mas Késia destaca ser “recomendável evitar
estes utensílios no preparo, na cocção e no
armazenamento dos alimentos”.
Para ler o artigo Utensílios para alimentos e
implicações nutricionais, de Késia Diego
Quintaes, na biblioteca on-line SciELO (Bireme/FAPESP), clique aqui.