
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
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O fundador do moderno estado da Ar�bia Saudita viveu grande parte de sua juventude no ex�lio. No entanto, no final de sua exist�ncia ele n�o s� recuperou o territ�rio do primeiro imp�rio Al Saud como o transformou em estado. Abdul Aziz fez isto se movimentando entre as v�rias for�as. A primeira foi o fervor religioso que o Islam wahhabi continuava a inspirar. Seu ex�rcito wahhabi, a Ikhwan (fraternidade), por exemplo, representava um instrumento poderoso mas que se mostrou t�o dif�cil de controlar que o obrigou a destru�-lo. Ao mesmo tempo, Abdul Aziz tinha que prever a forma como os acontecimentos na Ar�bia seriam interpretados no mundo e permitir que os poderes estrangeiros, principalmente a Inglaterra, se interpusessem em seu caminho.
Abdul Aziz criou o estado saudita em tr�s etapas, ou seja, em 1905, retomando Najd, em 1921, derrotando o cl� rashidita em Hail, e em 1924, conquistando o Hijaz. Na primeira fase, Abdul Aziz atuou como os l�deres tribais tinham atuado por s�culos: enquanto ainda estava no Kuwait, e apenas com vinte e poucos anos, ele reuniu uma pequena for�a composta de membros das tribos locais e come�ou a atacar as �reas sob controle dos rashiditas, no norte de Riad. Em seguida, no in�cio de 1902, ele liderou um grupo num ataque surpresa ao forte rashidita em Riad.
O ataque vitorioso deu a Abdul Aziz um ponto de apoio em Najd. Uma de suas primeiras tarefas foi se instalar em Riad como o l�der al Saud e o imam wahhabi. Abdul Aziz obteve o apoio dos religiosos de Riad e isto rapidamente revelou a for�a pol�tica da autoridade wahhabi. A lideran�a nesta tradi��o n�o segue necessariamente a idade e sim a linhagem e, principalmente, a a��o. Apesar de sua relativa pouca idade, ao tomar Riad, Abdul Aziz tinha mostrado que possu�a as qualidades que as tribos identificavam em um l�der.
De Riad, Abdul Aziz continuou a fazer acordos com algumas tribos e a combater outras. Ele finalmente fortaleceu sua posi��o a ponto de os rashiditas n�o conseguirem mais expuls�-lo. Em 1905, o governante otomano no Iraque reconheceu Abdul Aziz como um parceiro otomano em Najd. O governante al-Saud aceitou a soberania otomana porque isto melhorava sua posi��o pol�tica. No entanto, ele fez algumas aberturas simult�neas aos ingleses, com a finalidade de tirar a Ar�bia da influ�ncia otomana. Afinal, em 1913, e sem a assist�ncia brit�nica, os ex�rcitos de Abdul Aziz expulsaram os otomanos de Al Hufuf, no leste da Ar�bia, fortalecendo, assim, sua posi��o em Najd tamb�m.
Por esta �poca, come�ou a surgir entre os bedu�nos o movimento Ikhwan (fraternidade), que divulgava o Islam wahhabi entre os n�mades. Salientando a mesma ades�o rigorosa � lei religiosa que Mohammad ibn Abd al Wahhab tinha pregado, o Ikhwan bedu�no abandonou sua tradicional forma de vida no deserto e se voltou para um tipo de assentamento agr�cola chamado de hijra (pl. hujar). A palavra hijra (h�gira) referia-se � migra��o do Profeta de Meca para Medina, no ano de 622, com o sentido de que aquele que decide fazer a hijra sai de um lugar de descren�a para um de cren�a. Ao fazer a hijra, o Ikhwan pretendia seguir uma nova forma de vida e se dedicar a fazer cumprir a ortodoxia isl�mica. Uma vez em hijra, o Ikhwan tornou-se extremamente militante, impondo-se o que eles acreditavam ser a sunnah correta do Profeta, ordenando a prece p�blica, a participa��o na mesquita e a separa��o de sexos, condenando a m�sica, o fumo, o �lcool e a tecnologia desconhecida no tempo do Profeta. Eles atacavam aqueles que se recusavam a aceitar as interpreta��es wahhabi da pr�tica isl�mica correta e tentavam converter os mu�ulmanos � for�a para a sua vers�o de wahhabismo.
O movimento Ikhwan olhava avidamente para a oportunidade de combater os mu�ulmanos n�o wahhabi - e os n�o mu�ulmanos tamb�m - e tomaram Abdul Aziz como sua lideran�a para este fim. Em 1915, havia mais de 200 hujar dentro e em volta de Najd e quase 100.000 Ikhwan esperando pela oportunidade da luta. Isto deu a Abdul Aziz uma arma poderosa mas sua situa��o exigia que ele a usasse cautelosamente. Em 1915, Abdul Aziz tinha v�rios objetivos: ele queria tomar Hail dos rashiditas, estender seu controle aos desertos do norte, atuais S�ria e Jord�nia, e ocupar o Hijaz e a costa do Golfo P�rsico. A Inglaterra, no entanto, estava cada vez mais envolvida com a Ar�bia por causa da I Guerra Mundial e Abdul Aziz teve que ajustar suas ambi��es aos interesses brit�nicos.
Os ingleses impediram que Al Saud ocupasse a maior parte da costa do golfo, onde eles tinham criado protetorados com v�rias dinastias governantes. Eles tamb�m se opuseram aos esfor�os de Abdul Aziz de estender sua influ�ncia para al�m dos desertos jordanianos, s�rios e iraquianos por causa de seus pr�prios interesses imperiais. Para o ocidente, a Inglaterra era aliada da fam�lia Sharif, que tinha governado o Hijaz de sua base em Meca. A Inglaterra, na verdade, estimulou a fam�lia Sharif a se rebelar contra os otomanos, abrindo, assim, uma segunda frente contra eles na I Guerra Mundial.
Diante disto, Abdul Aziz n�o teve outra escolha sen�o desviar sua aten��o para Hail. Isto provocou problemas com o Ikhwan porque, diferentemente de Meca e Medina, Hail n�o tinha import�ncia religiosa e os wahhabis n�o tinham qualquer disputa com o cl� rashidi que controlava a �rea. No entanto, com fam�lia Sharif, em Meca, era uma outra hist�ria. Os wahhabi tinham uma antiga rixa contra os Sharif por causa da tradicional oposi��o ao wahhabismo. O governante, Hussein, tinha piorado a situa��o, proibindo que o Ikhwan fizesse a peregrina��o e procurando a ajuda n�o mu�ulmana inglesa contra os mu�ulmanos otomanos.
Por fim, Abdul Aziz teve grande �xito ao equilibrar os interesses do Ikhwan com suas pr�prias limita��es. Em 1919, o Ikhwan destruiu completamente o ex�rcito que Hussein tinha enviado contra eles, perto da cidade de Turabah, que se situa na fronteira entre Hijaz e Najd. O Ikhwan dizimou completamente os soldados de Sharif e n�o sobrou ningu�m para defender Hijaz e toda a �rea se curvou sob a amea�a de um ataque wahhabi. Ao inv�s disso, Abdul Aziz reprimiu o Ikhwan e conseguiu direcion�-los para Hail, que eles tomaram muito facilmente em 1921. Mas, os Ikhwan foram al�m de Hail at� a Transjord�nia central, onde desafiaram o filho de Hussein, Abdallah, cujo governo os brit�nicos estavam tentando estabelecer depois da guerra. Neste ponto, Abdul Aziz, mais uma vez, teve que refrear seus soldados para evitar problemas futuros com a Inglaterra.
No que se refere ao Hijaz, Abdul Aziz foi recompensado por sua paci�ncia. Em 1924, Hussein n�o era forte do ponto de vista militar e estava enfraquecido politicamente. Quando o sult�o otomano, que tinha tomado o t�tulo de califa, foi deposto no final da I Guerra Mundial, Sharif tomou o t�tulo para si. Ele esperava que a nova honra lhe granjeasse um apoio mu�ulmano maior mas o contr�rio foi o que aconteceu. Muitos mu�ulmanos ficaram ofendidos com a forma como Hussein manejava a tradi��o isl�mica e come�aram a se opor ao seu governo. Para piorar as coisas para Hussein, os ingleses j� n�o mais queriam sustent�-lo depois da guerra. Os esfor�os de Abdul Aziz para controlar os Ikhwan na Transjord�nia, assim como a acomoda��o dos interesses brit�nicos na regi�o do golfo provaram que ele podia agir responsavelmente.
A conquista de al Saud do Hijaz foi poss�vel na batalha em Turabah, em 1919. Abdul Aziz vinha esperando pelo momento certo e, em 1924, ele o encontrou. Os ingleses n�o o estimularam a entrar em Meca e Medina, mas tamb�m n�o sinalizaram que se oporiam. Assim, os ex�rcitos wahhabi ocuparam a regi�o, encontrando muito pouca oposi��o.