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Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

 

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O REINADO DE KHALID (1975-1982)

Com o assassinato do rei Faisal, assumiu o trono o pr�ncipe herdeiro Khalid, que recebeu o apoio formal da fam�lia e dos l�deres tribais.  Fahd, o ministro do Interior, foi nomeado pr�ncipe herdeiro, conforme esperado.

A prepara��o de Khalid para governar um estado moderno inclu�a viagens com Faisal em miss�es estrangeiras e a representa��o da Ar�bia Saudita na ONU. Embora tranq�ilo, era uma figura influente na fam�lia real. Ele era conhecido por ter levado a fam�lia a apoiar Faisal no golpe liderado por Saud em 1964. Ele imprimiu sua maneira de ser no exerc�cio do cargo e foi muito mais do que as pessoas esperavam dele.  A lideran�a exercida por Khalid foi completamente diferente da de Faisal.

Sua primeira quest�o diplom�tica foi a conclus�o, em abril de 1975, de um acordo de demarca��o referente ao o�sis de Al Buraymi, na conflu�ncia das fronteiras com Abu Dabi, Om� e Ar�bia Saudita. As distintas reivindica��es de fronteira abalaram as rela��es entre os tr�s estados durante anos. A lideran�a de Khalid na conclus�o bem sucedida das negocia��es, trouxe  o reconhecimento como estadista entre os observadores da cena pol�tica da pen�nsula.

Em abril de 1976, Khalid fez visitas diplom�ticas a todos os estados do Golfo, na esperan�a de estreitar  as rela��es  com seus vizinhos. Essas visitas iniciais provavelmente formaram as bases da cria��o do Conselho de Coopera��o do Golfo. Coincidindo com as visitas de Khalid aos estados vizinhos, o Ir� pediu um plano de seguran�a coletivo dos estados do Golfo P�rsico. Esta proposta, ainda que n�o recusada inteiramente, foi recebida com grande frieza pelo governo saudita

Durante o reinado de Khalid, as �reas mais sens�veis nas rela��es diplom�ticas da Ar�bia Saudita com os vizinhos  foram  a Rep�blica �rabe do I�men (I�men do Norte) e a Rep�blica Democr�tica do Povo do I�men (I�men do Sul). Apesar do estabelecimento de rela��es com o I�men do Norte, depois do t�rmino da guerra civil de 1967, e da grande ajuda saudita, as rela��es permaneceram tensas e marcadas por m�tua desconfian�a. O governo do I�men do Norte sentia que a Ar�bia Saudita queria manter o pa�s como uma zona de prote��o contra o reino do I�men do Sul, que era o maior recebedor de armas sovi�ticas.

Na reformula��o do Conselho de Ministros, ao final de 1975,   Khalid indicou o pr�ncipe herdeiro, Fahd, como primeiro ministro substituto, e designou Abdallah (um outro meio irm�o e comandante da Guarda Nacional Saudita) como segundo substituto. Fahd tornou-se o porta-voz do reino e o maior arquiteto da moderniza��o saudita. Em 1976, a maior preocupa��o do governo saudita era a guerra civil libanesa. Embora fortemente comprometido com a posi��o saudita oficial de n�o interven��o ou interfer�ncia em assuntos estrangeiros, Fahd foi de extrema import�ncia na formaliza��o de uma for�a de paz da Liga dos Estados �rabes.

No final dos anos 70 e in�cio dos anos 80, a aten��o do reino estava voltada para a constru��o dos complexos industriais de Yanbu e Jubayl, num esfor�o para diversificar a base industrial do reino. Al�m disso, para expandir as instala��es industriais e de petr�leo, uma das maiores realiza��es internas de Khalid foi sua �nfase no desenvolvimento agr�cola.

No campo das quest�es externas, as rela��es com os Estados Unidos continuaram sendo cordiais, embora a Ar�bia Saudita continuasse decepcionada com a intransig�ncia americana em encontrar um acordo para o problema palestino. Em um encontro em janeiro de 1978, em Riad, com o presidente Jimmy Carter, o rei insistiu que a paz na regi�o s�  poderia ser alcan�ada com a total retirada israelense dos territ�rios ocupados assim como com   a autodetermina��o e reconquista dos direitos para os palestinos.

Um outro ponto que foi discutido nesta reuni�o, foi a penetra��o sovi�tica e a influ�ncia crescente  atrav�s da venda de armas e tratados de amizade com os I�men do Norte e do Sul. Cinco meses ap�s a reuni�o de Riad, Khalid pediu que Carter vendesse avi�es militares para a Ar�bia Saudita para ajudar a conter a agress�o comunista na regi�o. A primeira remessa dos 60 avi�es F-15 chegaram ao reino em janeiro de 1982. A venda e remessa do restante, al�m de outros equipamentos sofisticados  de sistema de controle, foram conseq��ncia da insist�ncia de Khalid para que a Ar�bia Saudita fosse tratada como parceira integral dos Estados Unidos em �reas de interesses comuns.

Em 1979, a unidade do reino em rela��o �s rela��es com os vizinhos e aliados foi quebrada. Em mar�o, como resultado do tratado de paz entre Egito e Israel, Khalid cortou rela��es com o Egito e procurou impor san��es econ�micas �rabes ao Egito.

Alguns observadores estrangeiros achavam, em 1979, que o tradicionalismo j� n�o era t�o forte na Ar�bia Saudita. Esta opini�o mostrou-se descabida quando, novembro, 500 dissidentes invadiram e ocuparam a Grande Mesquita de Meca. O l�der dos dissidentes, Juhaiman ibn Muhammad ibn Saif al Utaiba, era um sunita de uma das mais tradicionais fam�lias do Najd. Seu av� tinha sido um seguidor de Abdul Aziz, nas primeiras d�cadas do s�culo, e outros dissidentes eram origin�rios da Ikhwan. Juhaiman alegou que Al Saud tinha perdito sua legitimidade por causa da corrup��o, ostenta��o e imita��o desmedida do ocidente - praticamente uma repeti��o da acusa��o de seu av� contra Abdul Aziz, em 1921. As acusa��es de Juhaiman contra a monarquia saudita em muito se assemelhavam aos ataques de Khomeini contra o x�.

A lideran�a saudita ficou aturdida e de in�cio paralisada com a ocupa��o da mesquita. A Grande Mesquita circunda a Caaba, s�mbolo da unicidade de Deus e que os mu�ulmanos acreditam ter sido constru�da pelo Profeta Abra�o. O p�tio � um dos locais onde o hajj (peregrina��o) � realizado. Por causa da santidade do lugar, os n�o mu�ulmanos n�o podem entrar em Meca. Al�m do mais, todos os locais sagrados t�m algumas injun��es especiais no Islam. � proibido derramar sangue ou sujar ou poluir esses locais de qualquer forma. Apesar do planejamento cuidadoso de Juhaiman, um guarda foi baleado por um dos dissidentes, o que significou uma viola��o maior da lei isl�mica, merecendo crucifixa��o para o infrator condenado.

O partido de Juhaiman inclu�a mulheres e homens, al�m de �rabes da pen�nsua e alguns eg�pcios. Alguns dissidentes eram graduados desempregados do semin�rio do reino em Medina. As tentativas inciais do governo de derrotar os dissidentes foram impedidas. Antes que qualquer medida militar pudesse ser autorizada, os ulamas tinham que permitir o uso de armas em local sagrado. Quando os problemas religiosos foram resolvidos com o an�ncio de uma norma,  foi a vez dos problemas log�sticos complicarem os esfor�os do ex�rcito e da guarda nacional por v�rios dias. Finalmente, duas semanas mais tarde, o ex�rcito conseguiu desalojar  os dissidentes. Todos os homens sobreviventes foram finalmente decapitados nas pra�as de quatro cidades sauditas.

Longe de se aterem s� aos esfor�os de dominarem os rebeledes, os l�deres fizerem uma autocr�tica de suas pol�ticas. Khalid, principalmente, era sens�vel �s suas queixas. Muitos dos dissidentes tinham vindo de duas das tribos que tradicionalmente integravam a guarda nacional. Khalid tinha vivido muito tempo com essa gente no deserto.

Um outro pesadelo para o regime foram os tumultos xi�tas em Al Qatif, a leste da prov�ncia duas semanas depois do cerco da Grande Mesquita. Muitos dos manifestantes traziam cartazes com o retrato de Khomeini. Embora esses n�o fossem os primeiros protestos xi�tas no reino (outros tinham ocorrido em 1970 e 1978), as manifesta��es de dezembro foram estimuladas pelo retorno triunfante de Khomeini ao Ir�, no in�cio de 1979. Mais de 20.000 soldados da Guarda Nacional foram mandados imediatamente para a regi�o e muitos manifestantes foram mortos e centenas presos.

A lideran�a saudita, abalada pela ocupa��o da mesquita e pelos dist�rbios xi�tas, anunciou, ap�s aqueles acontecimentos, que logo seria formada uma assembl�ia consultiva (majlis ash shura). Os dist�rbios na prov�ncia estimularam o governo a olhar mais de perto as condi��es daquela regi�o. Embora estivesse claro que os xi�tas encontravam inspira��o em Khomeini, tamb�m era �bvio que a repress�o e a pris�o eram solu��es provis�rias e s� serviam para promover resist�ncias mais adiante. Al�m do mais, os xi�tas viviam em uma regi�o do reino mais vulner�vel a sabotagens, por causa dos v�rios oleodutos e gasodutos que cruzavam a regi�o. A Aramco tinha uma preponder�ncia de empregados xi�tas - n�o s� por causa da localiza��o da Aramco mas tamb�m porque o emprego na Aramco oferecia as melhores chances de mobilidade para um xi�ta.

Comparadas com outras cidades da regi�o, as cidades xi�tas de Al Qatif e Al Hufuf eram as mais carentes. Faltavam escolas decentes, hospitais, estradas e rede de esgoto e o fornecimento de energia e �gua era prec�rio. Em fevereiro de 1980 aconteceram violentas demonstra��es xi�tas que, embora fossem duramente reprimidas como as anteriores, o ministro do Interior, Amir Ahmad ibn Abd al Aziz, foi obrigado a elaborar um plano abrangente para melhorar o padr�o de vida nas regi�es xi�tas. Suas recomenda��es, que foram logo aceitas e implementadas, inclu�am um projeto de eletrifica��o, drenagem  de �reas pantanosas, constru��o de escolas e de um hospital, ilumina��o de ruas e empr�stimos para a constru��o de casas pr�prias.

No in�cio de novembro, um m�s antes de ashura - o mais importante m�s religioso xi�ta, pois � o que comemora a morte de Hussein - o governo anunciou um novo projeto de US$240 milh�es para Al Qatif. Um pouco antes de ashura, Fahd ordenou a liberta��o de 100 xi�tas presos nos dist�rbios de novembro de 1979 e fevereiro de 1980. Cinco dias antes do ashura, Khalid viajou pela regi�o - a primeira vez que um monarca saudita fazia isto. A coopta��o, de que se serviu a lideran�a saudita para atrair o povo em geral,  tamb�m parecia o paliativo para o problema xi�ta.

Depois dos acontecimentos de 1979 e 1980, a lideran�a saudita come�ou a exercer um papel mais efetivo na lideran�a mundial. A Ar�bia Saudita obteve o acordo para ser o local do encontro da Confer�ncia da Organiza��o Isl�mica, em janeiro de 1981. Abrigar uma confer�ncia de 38 chefes de estados mu�ulmanos foi visto como um ve�culo para renovar a imagem saudita como o "guardi�o dos Locais Sagrados". Tamb�m o reino queria ser uma alternativa ao radicalismo isl�mico de Muamar al Qadafi, da L�bia , e de Khomeini, do Ir�, que tanto tinham atormentado a Ar�bia Saudita nos dois �ltimos anos.

Um pouco antes da Confer�ncia, a lideran�a saudita anunciou a forma��o do projeto GCC (Conselho de Coopera��o do Golfo) que contava com o apoio de Khalid. O GCC inclu�a os seis estados da pen�nsula que tinham institui��es pol�ticas, condi��es sociais e recursos econ�micos semelhantes: Bahrain, Kuwait, Om�, Qatar, Ar�bia Saudita e Emirados �rabes Unidos. O objetivo do GCC, conforme formalmente anunciado em sua primeira reuni�o,  em maio de 1981, era coordenar e unir as pol�ticas econ�mica, industrial e de defesa.

No final dos anos 70, a Ar�bia tamb�m enfrentava problemas regionais. Al�m do legado da quest�o palestina, no in�cio do reinado de Khalid aconteceu a guerra civil libanesa. Em dezembro de 1979, a Uni�o Sovi�tica invadiu o Afeganist�o e em setembro de 1980, o Iraque atacou o Ir� por causa da quest�o do canal de Shatt al Arab. Nesta �ltima guerra, a Ar�bia Saudita temia que a guerra pudesse se espalhar por todo o golfo. Al�m do mais, era uma oportunidade �nica para que os dois pa�ses fossem exclu�dos da forma��o de uma alian�a. Os dois I�mens, que n�o tinha aceitado sua exclus�o do GCC, continuavam a ser uma dor de cabe�a para os sauditas. A Uni�o Sovi�tica parecia que aumentava sua influ�ncia sobre os dois I�mens.

Em dezembro de 1981, um m�s ap�s a segunda c�pula do GCC , em Riad,  xi�tas treinados no Ir� tentaram um golpe de estado no Bahrain. Os insurgentes, muitos dos quais foram capturados, inclu�am xi�tas do Kwait e da Ar�bia Saudita. Rapidamente tratou-se de criar um caminho que  ligasse o Bahrain ao territ�rio saudita. Os sauditas acreditavam que no caso de uma emerg�ncia que o Bahrain n�o pudesse conter, a guarda nacional saudita poderia usar o caminho para levar seu apoio.

Uma outra quest�o regional que irritou os sauditas foi a assinatura, pelos s�rios, do Tratado de Amizade e Coopera��o com a Uni�o Sovi�tica.   Os sauditas, no entanto, permaneceram conciliadores, na esperan�a de manter uma fachada de unidade �rabe e tamb�m para que pudessem agir como mediadores.  Em dezembro de 1980, quando soldados jordanianos e s�rios se misturaram em confronto, Amir Abdallah foi mandado para l�, a fim de impedir uma crise. Abdallah, cuja m�e era de uma tribo s�ria e que mantinha rela��es pessoais excelentes,  foi bem sucedido na empreitada.

Fahd foi espcialmente ativo no avan�o dos objetivos da pol�tica externa saudita. Ele evitou uma escalada nas tens�es entre a Arg�lia e Marrocos, em maio de 1981. Ele foi importante ao divisar uma alternativa para os Acordos de Camp David, que tinham isolado o Egito, praticamente o �nico estado da regi�o que os sauditas poderiam depender. No entanto, antes que pudesse haver uma reaproxima��o, foi necess�ria uma resolu��o que salvasse o acordo do Egito com Israel, para preservar a legitimidade da Ar�bia Saudita como um mediador �rabe.

Em agosto de 1981, antes da partida de Sadat para os Estados Unidos para discutir a retomada do processo de paz, Fahd apresentou seu pr�prio plano de paz para resolver o conflito �rabo-israelense. O Plano Fahd, como ficou conhecido, ressaltava a necessidade de um acordo abrangente que inclu�a a cria��o de um estado palestino e o reconhecimento �rabe do direito a exist�ncia de Israel, em troca da retirada israelense da Cisjord�nia e Faixa de Gaza. Embora o plano contasse com o apoio da OLP, L�bia e S�ria o rejeitaram.

Com a deteriora��o da sa�de de Khalid, Fahd tornou-se o principal porta-voz do regime saudita. Quando Khalid morreu em junho de 1982, ap�s uma breve doen�a, Fahd assumiu imediatamente o poder e Abdallah , chefe da Guarda Nacional, tornou-se o pr�ncipe herdeiro.

Biblioteca do Congresso Americano

 

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