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Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso

 

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OS MONG�IS

 

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A transforma��o dos mong�is em um grande imp�rio � um dos acontencimentos mais importantes da Hist�ria, nos s�culos XIl e XIlI. Como governante mongol, G�ngis Khan unificou os n�mades das estepes asi�ticas,  fundou um dos maiores imp�rios da �poca e teve seu nome inscrito na Hist�ria como um dos grandes conquistadores. Um lado menos conhecido � o impacto mongol sobre o mundo isl�mico depois de sua morte e, por sua vez, o impacto da f� isl�mica sobre os mong�is. Os mong�is estabeleceram quatro imp�rios, ou khanatos, em terras isl�micas: o Khanato de Chagatai, na �sia Central, a Horda de Ouro, no sul da R�ssia, o Il Khanato, na P�rsia e Iraque, e o imp�rio Timurida que, sob a lideran�a de Timur (Tamerl�o), foi o mais brilhante de todos.

G�ngis Khan iniciou sua ofensiva em dire��o � �sia Central e P�rsia, no in�cio do s�culo XIlI. As cidades de Bucara e Samarcanda, que mais tarde  integraram-se ao khanato de Chagatai, renderam-se aos ex�rcitos de G�ngis Khan em 1220. De l�, n�o era dif�cil atacar a P�rsia e, por volta de 1221, as cidades persas de Merv, Nishapur e Balkh  ca�ram. Na inevit�vel pilhagem que se seguiu aos ataques mong�is, os invasores dizimaram a popula��o daquelas regi�es, poupando apenas os artes�os, que eles consideravam �teis. Os mong�is tamb�m violaram muitos t�mulos mu�ulmanos, inclusive o de Harum al-Rashid, o califa ab�ssida do s�culo VIlI.

Depois da morte de Malik Shah, em 1092, o Ir�, mais uma vez, deteriorou-se em dinastias insignificantes. Nesse tempo, G�ngis khan havia trazido com ele uma grande quantidade de tribos mong�is, conduzindo-as, em uma campanha devastadora, at� a China. Em seguida, voltou-se para o ocidente, com suas for�as  compostas de 700.000 soldados,  e rapidamente submeteu Bucara, Samarcanda, Balkh, Merv e Neyshabur. Antes de sua morte, em 1227, ele tinha alcan�ado o Azerbaij�o, pilhando e queimando cidades, por onde passava.

A invas�o mongol foi desastrosa para os iranianos. A destrui��o dos sistemas de irriga��o qanat, acabou com um modelo de assentamentos cont�nuos, provocando numerosas cidades-o�sis isoladas, numa terra que tinha sido pr�spera. Uma grande quantidade de pessoas, particularmente homens, foram mortos; entre 1220 e 1258, a popula��o do Ir� foi drasticamente abandonada � pr�pria sorte. Os governantes mong�is, que se seguiram a G�ngis khan, fizeram muito pouco para melhorar a situa��o do Ir�. O neto de G�ngis khan, Hulagu khan, dedicou-se � pol�tica de conquistas externas, tomando Bagd� e matando o �ltimo califa ab�ssida. Ele foi barrado pelos ex�rcitos mamelucos do Egito, em Ain Jalut, na Palestina. Depois retornou ao Ir� e passou o resto de sua vida no Azerbaij�o.

Um dos �ltimos governantes mong�is foi Ghazan Khan, que, com seu famoso vizir iraniano, Rashid ad Din, trouxe ao Ir� um breve e parcial renascimento econ�mico. Os mong�is baixaram as taxas para os artes�os, estimularam a agricultura, reconstruiram e ampliaram os sistemas de irriga��o, e melhoraram a seguran�a das rotas comerciais. Como resultado, o com�rcio teve um incremento expressivo. Produtos vindos da �ndia, da China e do Ir�, atravessavam tranquilamente as estepes asi�ticas, e esses contatos enriqueceram culturamente o Ir�. Os iranianos, por exemplo, desenvolveram um novo estilo de pintura, baseado numa fus�o particular da pintura bidimensional mesopot�mia com motivos caracter�sticos da China. Depois do sobrinho de Ghazan, Abu Said, morrer, em 1335, o Ir�, mais uma vez, desfez-se em dinastias med�ocres, como a  dos salghuridas, os muzafaridas, os injus e os jalairidas, sob a lideran�a de chefes mong�is, dos antigos selj�cidas e dos l�deres regionais.

Os mu�ulmanos infligiram sua primeira derrota aos mong�is em 1221,  na batalha de  Parwan,  atual Afeganist�o,   sob a lideran�a de Jalal   al-Din, filho de um governante mu�ulmano da   �sia Central. A vit�ria significou um al�vio tempor�rio  ao ex�rcito mu�ulmano, mas, um pouco mais tarde, os mong�is reagruparam-se e devastaram as tropas de Jalal.

Depois da morte de G�ngis Khan, em 1227, seu vasto imp�rio foi dividido entre dois de seus filhos, Ogodei e Chagatai. Ogodei tornou-se o Grande Khan depois da morte de seu pai e controlou a maior parte do imp�rio mongol. Chagatai, no entanto, recebeu uma pequena �rea na �sia Central e mantinha fidelidade a Ogodei,  o Grande Khan. A regi�o sob controle de Chagatai era habitada na maior parte por turcos n�mades, muitos dos quais j� se tinham convertido ao Islam. As grandes cidades da �sia Central de Bucara e Samarcanda tamb�m estavam dentro da esfera de autoridade de Chagatai e eram centros influentes de erudi��o isl�mica. Mas, na maior parte, o khanato de  Chagatai era composto de comunidades tribais, que preservavam as formas n�mades tradicionais dos mong�is, enquanto que os outros khanatos tornaram-se mais sedent�rios e urbanizados. Acredita-se, de um modo geral,  que o khanato de Chagatai era o mas fraco dos imp�rios controlados pelos mong�is por ser pequeno e, portanto, mais f�cil de ser absorvido pela esfera de influ�ncia dos khanatos vizinhos mais poderosos.

Depois da morte de Chagatai, em 1242, o khanato manteve o nome de seu l�der original, mas ficou inclu�do nos dom�nios de Ogodei, sob controle de seu neto, Kaidu. Ap�s a morte de Kaidu, em 1301, uma s�rie de governantes mong�is do khanato de Chagatai foram mu�ulmanos, indicando que o Islam havia penetrado a regi�o. S� ap�s a ascens�o de Tarmashirin ao trono, em 1325, no entanto, que o khanato de Chagatai tornou-se oficialmente um estado mu�ulmano. Todos os khans depois dele, foram mu�ulmanos e a �sia Central permaneceu isl�mica, a partir de ent�o. Com a convers�o do khanato de Chagatai, os outros tr�s imp�rios mong�is ocidentais, incluindo o Horda de Ouro e o Il Khanato, eram isl�micos, o que � not�vel, considerando-se que a hist�ria mundial mostra que o poder conquistador sempre imp�e sua cultura sobre os subjugados. No caso  dos mong�is, pelo contr�rio, eles adotaram a cultura e religi�o de seus conquistados.

O khanato de Chagatai rendeu-se a Timur, ele pr�prio oriundo de Samarcanda, em meados do s�culo XIV. Os sucessores de Timur foram, por sua vez, expulsos do khanato de Chagatai pelos sheibanidas (os atuais usbeques), descendentes de um irm�o de Batu, o khan do Horda de Ouro.     Um outro grupo isl�mico, conhecido hoje como os cazaques, originaram-se de uma dissid�ncia usbeque, no mesmo per�odo. Os dois grupos tornaram-se parte da ex-Uni�o Sovi�tica, em 1917, formando duas, das cinco rep�blicas mu�ulmanas daquele pa�s. Hoje, o Usbequist�o e o Cazaquist�o s�o pa�ses independentes, que vivem dos remanescentes do legado do mongol Chagatai na �sia Central.

Mais poderoso e influente do que o khanato de Chagatai, o Horda de Ouro � o mais conhecido dos imp�rios mong�is, princilpalmente por causa de seu impacto sobre a hist�ria moderna russa. Al�m disso, ele tamb�m � importante para o mundo isl�mico. Este imp�rio, como o de Chagatai, foi o produto da divis�o de poder que se seguiu � morte de G�ngis Khan, em 1227. O Grande Khan Ogodei ordenou a invas�o da R�ssia em 1236, que foi comandada por seu sobrinho, Batu. A R�ssia, nessa �poca era uma por��o de principados conhecidos como Rus.

Entre 1236 e 1240, Batu chefiou os mong�is invasores atrav�s de uma s�rie de ataques sobre as cidades russas, inclusive Moscou e Kiev. Em 1241, os mong�is tinham alcan�ado a Pol�nia e a Hungria e planejavam atacar a Cro�cia, quando Batu recebeu a not�cia de que o Khan Ogodei tinha morrido na Mong�lia. Imediatamente, ele retirou seu ex�rcito da Europa e foi para a regi�o norte do mar Negro, territ�rio dos b�lgaros mu�ulmanos. Batu apoiou seu primo, Mogke, na disputa pelo t�tulo de Grande Khan, e depois de 10 anos, finalmente, em 1251,  Mongke prevaleceu sobre os demais pretendentes. Batu foi recompensado pelo Grande Khan por seu apoio durante a luta sucess�ria e seu imp�rio usufruiu do patroc�nio  de Mongke enquanto durou   seu  reinado. Batu construiu uma capital,  Sarai, no rio Volga, e chamou seu  imp�rio de Horda de Ouro.  A  palavra "horda" � derivada do turco-mongol ordu, que  significa "acampamento".  O Horda de Ouro tornou-se um dos estados mais poderosos dos que sucederam a G�ngis Khan.

Batu, como a maioria dos mong�is daquela �poca, professava o xamanismo, uma religi�o que acredita na exist�ncia de um �nico Deus, mas que tamb�m  via o sol, a lua, a terra e a �gua como seres elevados. At�   o reinado de Batu, o Islam n�o exerceu influ�ncia sobre os governantes do Horda de Ouro. Depois dos breves governos dos dois filhos de Batu, o Khanato passou ao seu irm�o, Berke, que chegou ao poder em 1258. Berke foi o primeiro governante mu�ulmano do Horda de Ouro e, embora n�o tenha sido capaz de declarar o Islam como a religi�o oficial do Khanato, sua f� provocou uma s�rie de disc�rdias entre ele e seu primo, Hulagu, o governante mongol do Il Khanato da P�rsia.  O ex�rcito de Hulagu foi o respons�vel pelo colapso do califado ab�ssida, em Bagd�, e da morte do califa. Uma vez que Hulagu professava o xamanismo, com uma mistura de budismo, o saque de Bagd� foi apenas mais conquista militar, mas o mu�ulmano Berke ficou horrorizado. A animosidade resultante entre os dois levou a muitas guerras entre os ex�rcitos mong�is. Al�m das diferen�as religiosas, Berke e Hulagu disputavam entre si o controle das montanhas caucasianas, as quais os dois l�deres reivindicavam jurisdi��o.

A decis�o de atacar o califado ab�ssida foi tomada na �poca da elei��o do grande khan Mongke, em 1251. O khanato de Chagatai e o do Horda de Ouro j� eram imp�rios firmemente estabelecidos no mundo isl�mico e  o   grande khan n�o gostava do fato de que seus s�ditos prestassem obedi�ncia a um homem - o  califa  - que eles colocavam  numa  posi��o mais elevada do que a do Grande Khan. Mongke  decidiu enviar  seu irm�o,  Hulagu,  para   o  Iraque, chefiando um ex�rcito  mongol, com o objetivo de saquear Bagd� e destruir o califado. Hulagu dirigiu-se para l�, em 1253,  e no caminho encontrou um grupo mu�ulmano, conhecido como os  Assassinos, uma seita ismailita que praticava a vers�o extrema do  xi�smo. Os  Assassinos estavam baseados em Almut, no noroeste da P�rsia,  e Hulagu os alcan�ou em 1255.  Os mong�is facilmente destru�ram o  pequeno grupo  e os remanescentes fugiram para a regi�o do  Sind, atual Paquist�o, onde viveram na clandestinidade por s�culos.   Depois desta vit�ria, os mong�is tinham um caminho aberto para Bagd�. O   Grande  Khan Mongke tinha instru�do Hulagu a atacar o califado ab�ssida somente se ele se recusasse  a se render aos mong�is. Os ab�ssidas, chefiados pelo califa Musta'sim, na verdade recusaram-se, o que tornou a batalha  inevit�vel.

Antes de a luta come�ar, os  ab�ssidas j� estavam em desvantagem. Teoricamente, eles tinham um ex�rcito muito  grande, capaz de  competir com  os mong�is, mas suas tropas tinham sido descuidadas pelo califado e n�o estavam preparadas  para a batalha, na hora   da invas�o mongol. Um  outro problema para os ab�ssidas  foram as antigas disc�rdias entre mu�ulmanos sunitas e xi�tas. O califado era sunita, assim como a maior parte  de seus s�ditos, mas  havia uma  minoria  xi�ta   sob controle ab�ssida que  recebeu bem os invasores mong�is,  na esperan�a de derrubar o califa sunita. Al�m disso, os xi�tas do Iraque se juntaram �s for�as mong�is  no ataque ao califado. Os mong�is tamb�m tiveram o  apoio dos n�os mu�ulmanos. Muitos crist�os da regi�o viram os  mong�is como salvadores, esperando que dizimando os adeptos  do Islam, sua f� tamb�m seria   destu�da. Na verdade, em troca do  apoio crist�o - os nestorianos - os mong�is pouparam de suas pilhagens muitas igrejas e comunidades crist�s.

Todos esses fatores contribu�ram para a queda de Bagd� e para a destrui��o do califado em 1258.  O califa Musta'sim foi capturado e condenado � morte, terminando, assim, 500 anos de dinastia ab�ssida.  Com o Iraque e P�rsia sob seu controle, Hulagu continuou rumo oeste, em dire��o � S�ria e  Egito. Os descendentes ai�bidas de Saladino tinham  tomado o poder na S�ria. Enquanto isso, o Egito ainda se recuperava do golpe que tinha expulsado os ai�bidas e trazido ao poder  os mamelucos, uma categoria de soldados escravos turcos. Como soldados profissionais, os mamelucos representaram para os mong�is o desafio mais s�rio e constante. A S�ria, no entanto, tinha sido facilmente derrotada, uma vez que os ai�bidas e cruzados tinham-se recusado a juntar for�as para defender o territ�rio. As maiores cidades, Alepo e Damasco, renderam-se em 1260, mas  uma invas�o iminente ao Egito foi interrompida por causa da morte do Grande Khan Mongke. Enquanto Hulagu estava envolvido com a luta pela sucess�o entre seus irm�os, Kublai e Arik-Boke, os mamelucos iniciaram um ataque aos mong�is na S�ria.  Era a primeira vez, em quase 50 anos, que um ex�rcito mu�ulmano iniciava um ataque aos mong�is e isto vingou os mamelucos mu�ulmanos, que derrotaram os mong�is e ocuparam sua base s�ria em Gaza. Pouco meses mais tarde,  um segundo ataque mameluco provocou a  morte de um comandante de Hulagu e expulsou os mong�is da S�ria. Os mamelucos continuaram a derrotar o ex�rcito de Hulagu. Um dos fatores para as vit�rias mamelucas foi a sua condi��o de soldados profissionais. O estado mameluco  era voltado para o treinamento militar e por isso a qualidade do seu ex�rcito ficou � altura dos  poderosos mong�is. Um  outro fator para o sucesso dos mamelucos talvez esteja no fato de seus cavalos usarem ferraduras desde 1244. Os cavalos dos mong�is n�o tinham ferraduras e o terreno ppedregoso da S�ria deve ter dificultado as lutas. Al�m disso, os mamelucos tinham percebido que os cavalos mong�is necessitavam de pastagens e, assim, muitas vezes, queimaram os pastos na S�ria para impedir que os cavalos se alimentassem.

Os mamelucos conquistaram uma vit�ria importante sobre Hulagu em 1260. Al�m  do mais, Berke concluiu um tratado de paz com os mamelucos em 1261, a fim de que os dois grupos se juntassem contra Hulagu. Foi a primeira alian�a entre estados mong�is e n�o mong�is,  a qual as duas partes eram iguais.

As vit�rias iniciais dos mamelucos sobre os mong�is em 1260 foram um marco decisivo para o ex�rcito de Hulagu, porque depois disso, muitos desafios se apresentaram. A morte de Mongke assinalou o fim de um imp�rio mongol unificado, porque a luta pela sucess�o dividiu seus dom�nios. O khan mu�ulmano Berke, tinha-se tornado hostil a Hulagu, depois da destrui��o do califado ab�ssida em 1258. Berke apoiou Arik-Boke na sucess�o ao t�tulo de Grande Khan, enquanto Hulagu apoiou Kublai. Quando Kublai saiu vitorioso, em 1260, Hulagu passou a gozar da simpatia do Grande Khan e houve uma intera��o entre o imp�rio persa de Hulagu e o imp�rio chin�s de Kublai, mas a unidade do imp�rio mongol, como um todo, estava destru�da, porque Berke tinha-se recusado a reconhecer Kublai. Essa desaven�a se aprofundou com o decorrer dos anos. Depois da vit�ria de Kublai, Hulagu deu o nome de II-Khanato, "khanato subordinado", ao seu imp�rio, como sinal de fidelidade a Kublai.  Em 1263, Berke negociou uma alian�a entre o Horda de Ouro e quase todos os estados vizinhos do Il-khanato de Hulagu: os mamelucos do Egito, os bizantinos em Constantinopla, e at� a cidade-estado italiana de G�nova, que propiciou uma liga��o entre o Horda de Ouro e o Egito mameluco. A guerra entre eles continuou at� depois das mortes de Hulagu, 1265, e Berke, em  1266.

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Imp�rio II Khanato de Hulagu

 

Os sucessores imediatos de Berke n�o eram mu�ulmanos e, assim,  n�o foram t�o hostis aos sucessores de Hulagu, que tamb�m n�o eram mu�ulmanos. Ainda o Horda de Ouro manteve o seu isolamento em rela��o aos outros khanatos mong�is, determinando que a influ�ncia cultural, lingu�stica e religiosa da maior parte de sua popula��o turca tivesse um impacto crescente sobre os l�deres do Horda de Ouro. Ao final do s�culo XIlI, o turco era a l�ngua oficial da administra��o e em 1313, com a ascens�o ao khanato de um mu�ulmano, Ozbeg, o Islam tornou-se a religi�o oficial do Horda de Ouro.

Ao assimilar a cultura turca isl�mica do sul,  ao inv�s da cultura russa crist� do norte, o Horda de Ouro se preparou para o seu colapso final nas m�os dos principados russos cada vez mais poderosos. O Horda de Ouro durou mais do  que os outros khanatos, mas, em meados do s�culo XIV, come�ou a se desmantelar. O crescente poder dos territ�rios de Moscou e Litu�nia come�aram a absorver partes do Horda de Ouro em desintegra��o, enquanto que a invas�o do ex�rcito de Timur, ao final do s�culo XIV, acabou por levar � sua destrui��o. Em meados do s�culo XV, khanatos separados come�aram a se estabelecer em Kazan,  Astrakan e Crim�ia. O czar russo, Ivan, o Terr�vel, anexou Kazan e Astrakan em 1552 e 1554, respectivamente, enquanto a Crim�ia sobrevivou sob a prote��o do Imp�rio Otomano at� 1783, quando Catarina, a Grande, a anexou ao imp�rio russo.  Os t�rtaros mu�ulmanos do Horda de Ouro, assim conhecidos pelos europeus, sobrevivem ainda hoje, em pequenos grupos, principalmente no sul da R�ssia.

Abaqa, filho e sucessor de Hulagu, terminou a guerra alguns anos mais tarde e a quest�o religiosa entre os dois grupos terminou quando ambos, finalmente, se tornaram estados isl�micos. Antes que isso acontecesse, no entanto, o Islam sofreu no II-khanato, sob um corrente de khans mong�is budistas. Muitos mong�is adotaram o budismo no in�cio do s�culo  XIlI.  Abaqa era um budista que perseguiu implacavelmente os mu�ulmanos do II-khanato. O filho de Abaqa, Arghun, tamb�m era budista e foi mais cruel contra os mu�ulmanos do que seu pai. Durante esse per�odo de lideran�a budista em terras isl�micas, muitos s�mbolos budistas apareceram. O elemento budista do II-khanato morreu com Arghun, e o Islam logo se expandiu da popula��o para as classes dominantes.

Um incentivador dessa mudan�a foi o irm�o de Arghun, Gaykhatu, que o sucedeu. �vido por deixar marcado seu nome, Gaykhatu tentou, sem muito sucesso, introduzir o papel-moeda da China nos c�rculos comerciais isl�micos. A tentativa foi um desastre. Em 1295, ele foi afastado do poder e seu sucessor, Ghazan, filho de Arghun, foi o primeiro mu�ulmano de origem mongol a governar o II-khanato e todos os governantes da P�rsia, depois dele, foram mu�ulmanos. Ghazan aderiu ao Islam sunita, mas era tolerante com os xi�tas. Ele n�o perdoou os budistas que tinham sido t�o intolerantes com os mu�ulmanos. Ghazan transformou todos os templos budistas em mesquitas e for�ou os monges budistas, ou a se converterem ao Islam, ou a retornarem para a �ndia, Tibet ou China. Os crist�os tamb�m foram perseguidos. Ghazan reorganizou a administra���o do II-khanato para refletir sua nova f� isl�mica oficial. Substituiu a tradicional lei mongol pela shari'ah    e adotou os c�digos militares para o ex�rcito mongol.  Quando ele morreu, praticamente todos tinham absorvido a cultura isl�mica.

O sucessor de Ghazan, seu filho Oljeitu, levou o imp�rio para  uma dire��o diferente. Ele era mu�ulmano xi�ta e embarcou numa campanha contra os sunitas de seus dom�nios. Sua persegui��o aos sunitas afetou as rela��es do imp�rio com os vizinhos mamelucos do Egito, que eram sunitas. As rela��es entre eles quase chegaram ao ponto de uma guerra, em 1316, que s� n�o aconteceu por   Oljeitu morreu. Abu Said, filho e herdeiro de Oljeitu, foi o primeiro governante mongol a ter um nome mu�ulmano desde o nascimento. Ele restabeleceu o sunismo como religi�o de estado e fez a paz com os mamelucos. Mas, a paz no ocidente n�o significava a paz no norte, uma vez que a alian�a entre mamelucos e o Horda de Ouro tinha-se dissolvido depois da morte de Berke em 1266. Abu Said, ent�o, viu-se envolvido num conflito com o Horda de Ouro, em rela��o as montanhas caucasianas. Abu Said morreu em 1335, durante a guerra com o Horda de Ouro, e sua morte marcou o in�cio do decl�nio do II-khanato, seguido do colapso final.

Depois de 1335, uma s�rie de lutas sucess�rias enfraqueceram o imp�rio. O caos abriu passagem para a invas�o estrangeira, que ocorreu em 1357, quando  o khan do  Horda de Ouro, Jani Beg, atacou Tabriz, a capital do II-khanato.  Quando Timur chegou, em 1393, vindo da �sia Central, o II-khanato foi tragado  por esse novo imp�rio, que se expandia rapidamente.

 



FONTE


http://www.ucalgary.ca/HIST/tutor/islam/mongols/

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