
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.
![]()
O IMP�RIO OTOMANO
Osman I - O Imp�rio Otomano em sua maior extens�o
No in�cio do s�culo XIV, Osman, um l�der tribal turco, fundou um imp�rio na Anat�lia ocidental (�sia Menor), que iria perdurar por quase seis s�culos. Esse imp�rio cresceu, conquistando terras do imp�rio bizantino e mais al�m, chegou a incluir, no auge de seu poder, toda a �sia Menor; os pa�ses da pen�nsula balc�nica; as ilhas do Mediterr�neo oriental; partes da Hungria e da R�ssia; Iraque, S�ria, C�ucaso, Palestina e Egito, parte da Ar�bia; e todo o norte da �frica, pelo lado da Arg�lia.
A EXTENS�O DO IMP�RIO OTOMANO, nos s�culos XV e XVI
![]() |
Seu momento de gl�ria no s�culo XVI, representa o auge da criativatividade humana. O imp�rio constru�do foi um dos maiores e mais influentes de todos os imp�rios mu�ulmanos do per�odo moderno e sua cultura e expans�o militar cruzou toda a Europa. Nem mesmo a expans�o isl�mica na Espanha, no s�culo VIII, conseguiu estabelecer uma presen�a na Europa t�o marcante quanto a dos otomanos nos s�culos XV e XVI. Como no primeiro per�odo da expans�o isl�mica, os otomanos fundaram um imp�rio sobre o territ�rio europeu e trouxeram com eles as tradi��es e cultura isl�micas que permanecem at� os dias atuais (os mu�ulmanos da B�snia s�o os �ltimos descendentes da presen�a otomana na Europa).
Os otomanos foram uma for�a que deve ser avaliada, militar e culturalmente, desde o seu in�cio at� a sua fragmenta��o nas primeiras d�cadas do s�culo XX. O verdadeiro fim da cultura otomana chegou com a seculariza��o da Turquia, ap�s a II Guerra Mundial, acompanhando os modelos de governos europeus. A transi��o para um estado secular n�o foi f�cil e suas repercurs�es ainda hoje se fazem sentir na sociedade turca.
Os otomanos vieram das regi�es da Anat�lia, regi�o ocidental da Turquia. Esses turcos ocidentais eram chamados de oghuz. Eles chegaram � regi�o como colonos, durante o per�odo selj�cida da Turquia (1098 d.C a 1308 d.C); essa fronteira da Anat�lia era muito hostil ao Islam. Alguns desses eram guerreiros da f� isl�mica, cumprindo a "guerra santa" de expandir a f� entre os infi�is hostis. Os selj�cidas tinham sido os primeiros a manter um poder sobre a �rea.
Dinastia Selj�cida
Murad I
Janizaries
Adrian�polis (Edirne)
Timur Lenk (Tamerl�o)
Murad II
Mohammad II
In�cio do Imp�rio - 1300 - 1481
A dinastia que Osman (1258 d.C a 1326 d.C) fundou era chamada de Osmanli, que significa "filhos de Osman". O nome passou para o ocidente como "otomano". O Imp�rio Otomano professava a religi�o mu�ulmana. As tribos mais fortes eram os selj�cidas, que se estabeleceram na �sia Menor, juntamente com outros grupos de turcos. Ap�s a derrota dos selj�cidas pelos mong�is, em 1293 d.C, Osman surgiu como o l�der local dos turcos na luta contra o enfraquecido imp�rio bizantino. A conquista final dos bizantinos s� foi alcan�ada em 1453 d.C, com a queda de Constantinopla (atual Istanbul), mas, naquela �poca, todo o territ�rio em volta j� estava em m�os dos otomanos.
As �reas iniciais de expans�o sob a lideran�a de Osman I e de seus sucessores - Orkhan (que governou no per�odo de 1326 a 1359) e Murad I ( no per�odo de 1359 a 1389) - compreendiam o oeste da �sia Menor e o sul da Europa, originariamente pen�nsula balc�nica. Durante o reinado de Orkhan, foi iniciada a pr�tica de exigir um tributo sobre os filhos de crist�os. Os meninos eram treinados para se tornarem soldados e administradores. Como soldados eles aumentavam as fileiras da infantaria, e eram chamados de janizaries, a for�a militar mais temida na Europa por s�culos.
Murad conquistou a Tr�cia, a noroeste de Constantinopla, em 1361 d.C. Mudou sua capital para Adrian�polis (atual Edirne), a capital da Tr�cia e a segunda cidade do imp�rio bizantino. Esta conquista efetivamente separou Constantinopla do resto do mundo. Adrian�polis tamb�m controlava a rota principal de invas�o atrav�s das montanhas dos Balc�s, permitindo o acesso dos otomanos � expans�o em dire��o norte.
Murad morreu durante a sua �ltima batalha vitoriosa contra os aliados balc�nicos. Seu sucessor, Bayezid I (governou de 1389 a 1402), foi incapaz de expandir as conquistas do lado europeu. Ele foi for�ado a voltar sua aten��o para a regi�o oriental da �sia Menor para lidar com um principado turco cada vez mais crecente, o Karaman. Murad atacou e derrotou Karaman em 1391 d.C, acabou com a revolta nos Balc�s e voltou para consolidar suas conquistas na �sia Menor. Seu sucesso atraiu a aten��o de Timur Lenk (Tamerl�o). Estimulado pelos pr�ncipes turcos que haviam se asilado em sua corte, fugindo das incurs�es de Bayezid, Timur atacou e o subjugou em 1402 d.C. Capturado por Timur, Bayezid morreria em um ano.
Logo Timur se retirou da �sia Menor, deixando
que os filhos de Bayezid recuperassem o que o pai tinha perdido. Os quatro filhos
lutaram entre si pelo controle do poder, at� que um deles, Mohammad I, matou os outros
tr�s e assumiu o governo. Ele reinou de 1413 d.C at� 1421 d.C, e seu sucessor, Murad II,
de 1421 d.C at� 1451 d.C. Murad sufocou a resist�ncia nos Balc�s e eliminou todos os
principados turcos na �sia Menor, com exce��o de dois. A tarefa de finalizar a
conquista balc�nica e apoderar-se de toda a �sia Menor coube ao sucessor de Murad,
Mohammad II (no per�odo de 1451 d.C a 1481 d.C). Foi ele quem terminou o cerco de
Constantinopla em 1453 d.C e a transformou na capital do imp�rio otomano. Toda a
pen�nsula balc�nica do sul da Hungria foi incorporada, assim como a Crim�ia, na costa
norte do Mar Negro. A �sia Menor estava completamente subjugada.
Al�m de conquistar um grande imp�rio, Mohammad II trabalhou
com afinco pela consolida��o e por um sistema administrativo adequado e de
impostos. Para isso, contou com o fato de que toda a estrutura burocr�tica
bizantina estava em suas m�os. Ainda que fossem
mu�ulmanos, os sult�es otomanos n�o se recusaram a usar qualquer talento que eles
pudessem atrair ou capturar.
Selim I
A Idade de Ouro - 1481 - 1566
Tr�s sult�es governaram o imp�rio no seu
auge: Bayezid II (1481 - 1512), Selim I (1512 - 1520), e Suleyman, o Magn�fico
(1520-1566). Bayezid estendeu o imp�rio na Europa, acrescentou postos avan�ados ao longo
do Mar Negro, e sufocou as revoltas na �sia Menor. Tamb�m transformou a armada otomana
na maior for�a naval do Mediterr�neo. Com a idade mais avan�ada, ele se tornou um
m�stico religioso e abdicou ao trono em favor de seu filho mais brilhante, Selim I.
A primeira tarefa de Selim foi eliminar toda a competi��o por
sua posi��o. Ele teve seus irm�os e filhos, com exce��o de um, todos mortos. Desse
modo, ele estabeleceu o controle sobre o ex�rcito, que durante a sucess�o tinha
apresentado um candidato pr�prio ao poder. Durante o seu curto reinado, os otomanos se
moveram de sul para leste, na S�ria, Mesopot�mia (Iraque), Ar�bia e Egito. Em Meca, o
santu�rio do Islam, ele tomou o t�tulo de califa, governante de todos os
mu�ulmanos. Os sult�es otomanos seriam, dali em diante, os chefes espirituais do Islam,
deslocando, assim, o antigo califado de Bagd�.
Ao ocupar os lugares santos do Islam, Selim sedimentou sua posi��o como o governante religioso mais poderoso. Isto permitiu o acesso direto dos otomanos � rica heran�a cultural do mundo �rabe. Intelectuais mu�ulmanos importantes, artistas, artes�os e administradores vinham a Constantinopla de todas as partes do mundo �rabe. Eles transformaram o imp�rio muito mais do que o estado isl�mico tradicional jamais tinha sido.
Um outro benef�cio dos esfor�os de Selim foi o
controle de todas as rotas comerciais do Oriente M�dio entre a Europa e o Extremo
Oriente. O crescimento do imp�rio foi, durante algum tempo, um impedimento para o
com�rcio europeu. Este monop�lio otomano levou os estados europeus a procurarem rotas
alternativas pela �frica para chegarem � India e � China, impulsionando o
desenvolvimento das navega��es, o que acabou por levar � descoberta das Am�ricas por
portugueses e espanh�is.
O �nico filho de Selim, Suleiman, chegou ao trono em uma situa��o invej�vel. As novas
receitas proveninentes da extens�o do imp�rio, deixaram-no com uma riqueza e poder sem
paralelo na hist�ria otomana. No in�cio de suas campanhas, ele capturou Belgrado (1521
d.C) e a ilha de Rodes (1522 d.C) e fragmentou o poder militar h�ngaro. Em 1529 d.C, ele
sitiou Viena, na �ustria, mas foi for�ado a se retirar por falta de suprimentos. Tamb�m
iniciou tr�s campanhas contra a P�rsia. A Arg�lia, na �frica do Norte, se rendeu �
sua esquadra em 1529 d.C e Tr�poli (L�bia), em 1551 d.C. Em suas buscas menos
belicosas, ele enfeitou as maiores cidades do Islam com mesquitas, aquedutos, pontes e
outras obras p�blicas. Em Constantinopla, ele mandou construir muitas mesquitas e, entre
elas, a magn�fica Mesquita de Suleyman.
Batalha de Lepanto.
Murad III
Murad IV
Uni�o das Rep�blicas Socialistas Sovi�ticas.
Selim III
Decl�nio do Imp�rio - 1566 - 1807
Durante o longo reinado de Suleiman, o imp�rio
otomano alcan�ou o auge em poder pol�tico e o m�ximo de sua extens�o geogr�fica. As
sementes do decl�nio, no entanto, j� estavam plantadas.
Como Suleiman j� estivesse cansado das guerras e vivendo mais
em seu har�m, seus vizires assumiram o poder. Depois de sua morte, o ex�rcito passou a
controlar o sultanato, usando isso em seu pr�prio benef�cio. Poucos sult�es, depois de
Suleiman, tiveram a habilidade de exercer o poder verdadeiro quando a necessidade se
apresentava. A este enfraquecimento no centro do poder, se opunha um poder cada vez mais
crescente no ocidente. Os estados nacionais na Europa estavam emergindo da Idade M�dia
sob monarquias fortes. Estavam formando ex�rcitos e esquadras que foram poderosas o
suficiente para atacar o poder militar otomano decadente.
Em 1571 d.C, um acordo entre Veneza, Espanha e os estados papais da It�lia, derrotou os turcos na grande batalha naval de Lepanto, na costa grega. Esta derrota, que derrubou o mito do turco invenc�vel, aconteceu durante o reinado de Selim II (per�odo de 1566 - 1574). Mas, o imp�rio reconstruiu sua esquadra e continuou a controlar o Mediterr�neo oriental por mais um s�culo.
A medida em que o governo central se tornava mais fraco, partes do imp�rio come�aram a agir mais independentemente, mantendo apenas uma lealdade nominal ao sult�o. No entanto, essa armada ainda era forte o bastante para impedir as rebeli�es nas prov�ncias. Sob o governo de Murad III (1574-1595), novas campanhas foram desenvolvidas. O C�ucaso foi conquistado e o Azerbaij�o foi ocupado, quando o imp�rio atingiu a sua maior extens�o territorial.
Esfor�os reformistas foram experimentados pelos
sult�es durante o s�culo XVII, mas pouco pode ser feito para deter o come�o da
decand�ncia. Os otomanos foram expulsos do C�ucaso e do Azerbaij�o em 1603 d.C e do
Iraque em 1604 d.C. O Iraque foi retomado por Murad IV (1623-1640) em 1638 d.C, mas o Ir�
permaneceu uma amea�a militar persistente no oriente. Uma guerra com Veneza (1645-1669)
exp�s Constantinopla a um ataque da armada naval veneziana. Em 1683 d.C, a �ltima
tentativa para conquistar Viena fracassou. A R�ssia e a �ustria lutaram contra o
imp�rio com ataques militares diretos e fomentando a revolta entre os n�o mu�ulmanos
contra o sult�o.
Come�ando em 1683 d.C, com o ataque a Viena, os otomanos
estiveram em guerra com os inimigos europeus por 41 anos. Como consequ�ncia, o imp�rio
perdeu muito de seu territ�rio nos balc�s e todas as possess�es no litoral do Mar
Negro.
O enfraquecimento do governo central, manifestado pelo decl�nio militar, tamb�m implicou numa perda gradual do controle sobre a maior parte das prov�ncias. Governantes locais, chamados de not�veis, conquistaram para si regi�es permanentes as quais eles governavam diretamente, independente da vontade do sult�o em Constantinopla. Os not�veis foram capazes de construir suas bases de poder, porque sabiam da fragilidade do ex�rcito do sult�o e porque as popula��es locais preferiam seus governos � adminitra��o corrupta da distante capital. Os not�veis formaram seus pr�prios ex�rcitos e coletavam seus pr�prios impostos, enviando apenas as contribui��es nominas para o tesouro imperial.
Selim III (1789-1807) tinha esperan�as de reformar o imp�rio e o seu ex�rcito, mas n�o conseguiu e foi destronado. Quando Mahmud II (1808-1839) chegou ao trono, o imp�rio estava em situa��o extrema. O controle da �frica do Norte tinha passado para os not�veis locais. No Egito, Mohammad 'Ali estava lan�ando as bases de um reino independente. Se as na��es europ�ias tivessem cooperado eles poderiam ter destru�do o imp�rio otomano. Em 1826 d.C, cinco anos ap�s o gregos iniciarem sua luta pela independ�ncia, os janizaries tentaram interromper as reformas. Mahmud os massacrou e construiu um novo sistema militar, nos moldes dos ex�rcitos europeus. Ele tamb�m reformou a administra��o e assumiu o controle sobre alguns dos not�veis provinciais, com exce��o do Egito. Por ocasi�o da morte de Mahmud, o imp�rio estava mais consolidado e poderoso, mas ainda sujeito � interfer�ncia europ�ia.
Os filhos de Mahmud, Abdulmecid I (1839-1861) e Abdulaziz (1861-1876) implementaram diversas reformas, especialmente na educa��o e no sistema legal. N�o obstante, em meados do s�culo era evidente que a causa otomana era uma causa perdida. O Czar Nicolau I da R�ssia, em 1853 d.C, comentou sobre o Imp�rio Otomano: "Temos em nossas m�os um homem doente, muito doente."
Guerras Turco-Russa
Tratado de Santo Est�fano
Abdulhamid II
O homem doente da Europa, 1850-1922
Os interesses conflitantes dos estados europeus sustentaram o imp�rio otomano at� depois da I Guerra Mundial. A Gr�-Bretanha, em especial, estava determinada a manter a R�ssia afastada do acesso ao Mediterr�neo pelo mar Negro. A Inglaterra, Fran�a e a Sardenha tinham ajudado os otomanos a bloquear os russos, durante a guerra da Crim�ia (1854-1856).
A guerra russo-turca de 1877/1878, trouxe a R�ssia quase que a Constantinopla. Os otomanos foram for�ados a assinar o duro Tratado de Santo Est�fano, pelo qual terminavam o seu governo na Europa, com exce��o dos estados europeus do Congresso de Berlim. Isso ainda deu um f�lego ao antigo imp�rio por umas poucas d�cadas a mais.
Abdulhamid II (1876-1909) estabeleceu la�os fortes com a Alemanha a ponto de na I Guerra Mundial os otomanos lutarem ao lado dos alem�es. A R�ssia esperava usar a guerra como uma desculpa para conquistar acesso ao Mediterr�neo e talvez tomar Constantinopla. Esse objetivo foi frustrado com a irrup��o da Revolu��o Russa de 1917 d.C e a retirada dos russos da guerra. A derrota otomana na guerra inspirou um j� efervescente nacionalismo turco. O acordo p�s-guerra acirrou os �nimos dos nacionalistas. Um novo governo, sob a lideran�a de Mustafa Kemal, conhecido como Ataturk, surgiu em Ancara. O �ltimo sult�o, Mohammad VI, fugiu, depois que o sultanato foi abolido em 1922 d.C. Todos os membros da dinastia otomana foram expulsos do pa�s dois anos mais tarde. A Turquia foi proclamada uma rep�blica, com Ataturk como seu primeiro presidente.