EM MEMÓRIA AOS CONSTRUTORES DO BRASIL
Amaro, Subupira, Aqualtune, Tabocas, Macaco, Osenga, Danibraganga, Acetirene, Andalaquitude...nomes pouco conhecidos atualmente, mas que formaram uma das maiores resistências negras de nossa história. Essas são algumas povoações que existiram na região do Quilombo de Palmares (Alagoas), uma área de quase 360 km de extensão.
Há 500 anos chegavam ao Brasil os primeiros navios negreiros vindos da África. Os poucos escravos que resistiam à viagem de 35 dias em péssimas condições de higiene e extrema violência, eram levados para o trabalho compulsório existente nas lavouras canavieiras. Ao contrário do que muitos dizem, o negro escravizado lutou desde o início para libertar-se da forma como era tratado, tendo na fuga uma de suas maiores esperanças. Quando capturado, era submetido a bárbaros castigos; os mais comuns eram: tronco (instrumento de madeira onde o escravo ficava preso pelos pés ou pescoço), gargalheira (coleira de ferro presa ao pescoço), ferro em brasa (para marcar no rosto a palavra “F”, que significava “fujão”), castração, decepamento (nariz, orelha, uma das mãos ou pés) e as chibatadas. A condição favorável para o surgimento de Palmares foi à invasão holandesa no nordeste, em 1630.
Aproveitando-se do caos provocado pelos ataques holandeses, vários escravos fugiram dos campos açucareiros e, internando-se nas matas, foram viver na região de Palmares. No quilombo ou mocambo, a agricultura tornou-se a principal atividade econômica. A propriedade da terra era coletiva, assim como os instrumentos de trabalho, as oficinas artesanais e as casas. O homicídio, a traição, a deserção, o roubo, o adultério e o estupro eram contra as normas estabelecidas, sendo punidos com a pena de morte. Em Palmares não havia somente negros, em número menor, conviviam também índios, mulatos, mamelucos e alguns brancos que não tinham propriedade rural.
O maior líder do quilombo foi o famigerado Zumbi, ainda hoje considerado um dos maiores símbolos da resistência negra nacional; e como maior líder, foi o que sofreu a maior repressão. O governador Pedro de Almeida contratou os serviços de Domingos Jorge Velho para dizimar o mocambo e todos seus habitantes. Em 1694, as muralhas de Palmares não resistiram aos tiros de canhões. Os negros lutaram heroicamente até a morte. No fim do ano, o sonho de liberdade de milhares de antigos escravos havia acabado. Zumbi morreu com vários ferimentos à bala e golpes de armas brancas, sua mão direita foi decepada e seu olho arrancado. A cabeça de Zumbi foi cortada e enviada a Recife.
O quilombo de Palmares, assim como outras revoltas que ocorreram no período colonial, foi sufocada com violência, acabando com o sonho de liberdade e igualdade dos homens. O sofrimento do povo negro não se limitou apenas ao período colonial e imperial. Quando a escravidão foi abolida em 1888, não se pensou em como reintegrar o ex-escravo à sociedade. Como conseqüências desse ato, temos hoje a favela com sua maioria negra e o baixo índice de negros nas instituições de ensino, entre outros.
O maior problema para o negro brasileiro sempre foi o racismo, fato que tem raízes históricas e tentáculos que alcançaram, infelizmente, as mentes medianas durante o decorrer dos séculos. Mesmo de forma simples, quase tímida, presto essa homenagem à etnia que construiu o Brasil por meio de sangue e suor, e que ainda hoje nos encanta com suas tradições e riquíssima cultura.
Informativo Ácrata - Resgatar, Esclarecer e Divulgar a Expressão Anarquista