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Organismos marinhos são estudados nas praias do Ceará

14/04/2006

As praias cearenses abrigam recursos naturais que podem ter potencial de combate ao câncer. Pesquisadores da Universidade Federal do Ceará (UFC) estão estudando novas drogas com potencial anticâncer a partir de organismos marinhos do litoral cearense: as ascídias e as esponjas coletadas nas praias da Taíba, Flexeiras e Ponta Grossa.

De caráter multidisciplinar, o estudo envolve o curso de Ciências Biológicas, os departamentos de Fisiologia e Farmacologia, Química Orgânica e Inorgânica e Engenharia de Pesca, da UFC. Além de três departamentos e um curso da UFC, a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) participam do estudo.

A busca por novos tratamentos de câncer segue uma preocupação mundial. Com diversos tipos de tumores e causas diferentes, o câncer é uma doença complexa. Um dos desafios da ciência é entender como ele funciona e descobrir novas terapias que possam combater a doença que atinge milhares de brasileiros todos os anos. Em 2003, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima que ocorreram 402.190 casos novos de câncer no Brasil.

O câncer é a segunda causa de morte por doença no País. Em 2000, os neoplasmas foram responsáveis por 12,73% dos 946.392 óbitos registrados, sendo que 53,97% dos óbitos por neoplasia ocorreram entre os homens e 46,03%, entre as mulheres, conforme o Inca. Há um esforço contínuo dos pesquisadores para encontrar novas drogas que aumentem a longevidade e a qualidade de vida dos pacientes, possibilitando tratamentos mais eficientes.

Nessa corrida pelos fármacos, o estudo de produtos naturais marinhos tem mostrado substâncias com ações antitumorais potentes, segundo a professora Letícia Lotufo, uma das coordenadoras do estudo da UFC.

O Laboratório de Oncologia Experimental da UFC desenvolve estudos de produtos naturais com atividade anticâncer, originados tanto de plantas como de animais marinhos de praias do Ceará.

Mas as ascídias, as esponjas e os briozoários são os organismos mais estudados em ambientes marinhos, pela abundância das substâncias com atividade citotóxica (que mata as células cancerígenas), segundo Letícia. Quando os pesquisadores pensaram em coletar organismos marinhos no Ceará, também buscaram as espécies mais abundantes para não causar impacto ambiental.

O nome do projeto é ''Bioprospecção de drogas com potencial anticâncer em ascídias (Chordata) e esponjas (Porifera) do litoral cearense'', financiado pelo convênio entre Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap) e Ministério da Saúde e coordenado pelos professores Letícia Lotufo, Odorico de Moraes e Cláudia do Ó Pessoa, do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFC.

O benefício de estudar esse campo de vasto potencial contra o câncer também se traduz em ganhos ambientais. Um deles é o de conhecer mais as nossas riquezas naturais. ''A nossa flora e fauna são pouco conhecidas e há muito para ser descoberto. Durante a etapa inicial do projeto, houve uma coleta dos animais pelos zoologistas, de esponjas e ascídias (animais que ficam incrustados nas rochas, mais evoluídos que as esponjas). Do grupo da organização dos invertebrados, as ascídias são mais complexas que as esponjas. Porque têm notocorda, estrutura que dá origem à coluna vertebral'', explica a bióloga Letícia Lotufo, professora do Departamento de Fisiologia e Farmacologia da UFC, com doutorado em Fisiologia e pós-doutorado em produtos naturais marinhos pela USP.

As esponjas, apesar de morfologia mais simples, apresentam uma enorme diversidade de formas e cores nas mais diferentes tonalidades. Estão entre os mais admirados invertebrados marinhos. É sobre esses animais raramente reconhecidos por olhos ''não especializados'' que os pesquisadores se debruçam na universidade. Alguns são encontrados somente no litoral do Estado.

''Das 10 ascídias que estudamos, seis são novas. Uma porque pertence a um gênero novo e outras cinco são espécies novas de gêneros já conhecidos''', frisa Letícia. (No Olhar.com)



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