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A IMIGRAÇÃO ALEMÃ NO BRASIL


Estou estudando o assunto sobre a vinda dos alemães para o Brasil e estou colaborando no projeto Wikipedia, disponibilizando meus textos por lá, e aqui também. Abaixo é o meu original; na Wikipedia o texto está mais completo, tem contribuições de outros voluntários - clique no logo ao lado para acessar.

As poucos vou acrescentando o trabalho completo.

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Índice:

 

História - o início - em breve!

Causas da imigração alemã

A política imigratória do governo brasileiro

As colônias alemãs no Brasil

Os problemas no processo de imigração

A influência da cultura alemã no Brasil - em breve!

Estatísticas - em breve!

Livros e sites - em breve!

 

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Causas da imigração alemã

 

Vários motivos contribuíram para a saída dos alemães de sua terra natal e vinda para o Brasil. Além dos motivos políticos, econômicos e sociais, é importante lembrar que também as pessoas migram por motivos pessoais, sendo assim, a história de vida de cada pessoa influencia na tomada da decisão. Enquanto algumas não se mudam de lugar, mesmo sofrendo condições adversas na política ou economia, outras podem se mudar para outras cidades ou para um país mais perto ao invés de emigrar para um continente desconhecido.

 

Quando há imigrações em massa, deve-se considerar que há uma razão em comum para haver essa busca por uma nova pátria, e isso explica a vinda de muitos alemães para o Brasil, que independente de motivações e temperamentos pessoais, e influenciados por propagandas convincentes em épocas sofridas, vieram para o Brasil em busca de novas oportunidades e condições melhores de vida.

 

A Alemanha, no início do século XIX, passava por novos desenvolvimentos econômicos: a industrialização teve um grande impulso, necessitando de mão-de-obra especializada, o que causou a ruína de muitos artesãos e trabalhadores da indústria doméstica. Sem poderem desenvolver suas atividades artesanais, esses trabalhadores livres começaram a formar um exército de mão-de-obra (barata) assalariada para a indústria que estava nascendo.

 

Com os novos maquinários, também houve o aumento de produtividade no campo junto à diminuição de mão-de-obra, causando o desemprego de camponeses. Como a Alemanha passava por uma desintegração de sua estrutura feudal, muitos camponeses que eram apenas servos ficaram sem o trabalho e sem o direito de morar nas terras, ao mesmo tempo em que a população aumentava. Sem a terra para viver, migravam para as cidades e somavam ao número de proletariados.

 

A emigração também não acontecia somente por insatisfação social com as novas perspectivas do século XIX. Nessas mudanças econômicas que agitavam o continente europeu, a indústria desenvolveu as cidades e causou o despovoamento dos campos. À medida que a riqueza aumentava, a saúde e o acesso a novos gêneros alimentícios melhoravam, e a população aumentava. Então a princípio, os governos europeus incentivavam e encorajavam a emigração, como válvula de controle do aumento da população. Com a introdução da máquina a vapor e inovações como o transatlântico com propulsão a hélice, milhões de pessoas se movimentavam entre os continentes, em uma emigração que não obedecia a nenhum planejamento, dependendo somente de decisões pessoais, entre elas a insatisfação, o medo, ou o desejo de uma vida melhor.

 

O governo alemão também encorajava grupos de empreendedores a conhecer novas terras para conseguir mercado para os produtos alemães. Para algumas colônias, chegou-se a fazer o planejamento, e a contratação de administradores e profissionais liberais para a formação das colônias, que vinham para o Brasil e formavam sua vida aqui. Embora desejada, as relações comerciais entre as colônias alemãs e sua terra de origem foram modestas, muitas vezes restando somente aos colonos a identificação cultural com a terra de origem, pois não mais tinham contato.

 

Os alemães que imigraram para o Brasil eram normalmente: camponeses insatisfeitos com a perda de suas terras; ex-artesãos, trabalhadores livres e empreendedores desejando exercer livremente suas atividades; perseguidos políticos; pessoas que perderam tudo e estavam em dificuldades; pessoas que eram “contratadas” através de incentivos para administrarem as colônias; pessoas que eram contratadas pelo governo brasileiro para trabalhos de níveis intelectuais ou participações em combates.

 

 

A política imigratória do governo brasileiro

 

A princípio, o governo brasileiro sempre reconheceu, desde a independência, que a imigração estrangeira seria indispensável para o crescimento do país. Mas o início da política oficial para a imigração alemã teve início quando o governo viu a necessidade de povoar as províncias do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, para proteger e defender as fronteiras do sul do império, além de que desejava criar uma classe média de pequenos agricultores que pudessem produzir alimentos para o mercado interno. O governo brasileiro controlaria a vinda dos imigrantes e pagaria a passagem para os colonos, também incentivando com lotes de terras gratuitos, já demarcados, além de subsídios em dinheiro ou em instrumentos de trabalho.

 

Por iniciativa de Dom Pedro I, foram criadas colônias alemãs de norte a sul do Brasil, porém focando nos Estados do Sul. (1824) Os imigrantes alemães se reuniam em grupos e formavam as colônias, onde poderiam exercer suas profissões, e não tinham restrições em relação ao idioma, religião ou tradição. Por muito tempo diversas colônias ficaram isoladas, algumas até esquecidas e desprovidas de ajuda, gerando grandes lutas de sobrevivência dos colonos alemães nas novas e isoladas terras, com clima diferente e em muitos casos, ataques ou hostilidade por parte de brasileiros (índios ou não). As vias de acesso que foram prometidas não foram cumpridas, e, se chegaram, foram décadas mais tarde. A construção de uma infra-estrutura básica também falhara, com o governo descumprindo suas promessas iniciais.

 

Algumas colônias sobreviveram, mesmo que de forma precária, voltando a um estilo precário de vida, há muito tempo já extinto na Alemanha. Outras colônias conseguiram se desenvolver e expandir demograficamente, desenvolvendo sua economia e novos trabalhos, alguns desconhecidos dos brasileiros, pois tinham técnicas diferentes, ganhando mercado de trabalho nacional e também internacional, através da venda de produtos coloniais e matérias-primas, e a importação de manufaturados e equipamentos que não eram produzidos no Brasil.

 

Devido às falhas na política de imigração, o governo brasileiro resolveu mudar as regras, pretendendo assim atrair somente colonos com condições econômicas de se estabelecerem no país e se desenvolverem. Os colonos passariam a arcar com os custos da viagem e também a pagar pelas terras.

 

Assim sendo, a imigração que inicialmente tinha uma política de povoamento, de ocupações de espaços vazios e demográficos, agora tratava-se de garantir que os imigrantes se tornassem mão-de-obra para as lavouras de café.

 

Com a expansão da lavoura cafeeira (1840) e com a proibição do tráfico de escravos (1850), o governo brasileiro sente necessidade de aumentar a quantidade de trabalhadores livres, o que se intensifica com as leis que prenunciavam a abolição por completo da escravidão. Para suprir a falta de mão-de-obra, medidas foram tomadas para atrair mão-de-obra européia, e o direito de trazer imigrantes, antes sob o controle do governo imperial, foi aumentado, assim cada província poderia ter sua própria política de imigração e promover como quisesse maneiras de realizá-la.

 

Surgiram as companhias de colonização, criadas para promover a colonização no Brasil, que compravam terras baratas e as revendiam caras aos colonos. Os proprietários das companhias de colonização enriqueceram rapidamente, enquanto muitos colonos se endividaram e voltaram à Alemanha.

 

Surgiram também jornais alemães especializados e destinado aos emigrantes, como o Allgemeine Auswanderungs-Zeitung (1847-1871), de Rudolstadt, e o Deutsche Auswanderer-Zeitung (1852-1875), de Bremen. Estes jornais publicavam informações sobre imigrações, como informações sobre os países que recebiam imigrantes, reportagens sobre as colônias, listas dos navios e datas de partidas, preços de passagens, anúncios, etc...

 

Investiu-se em propagandas para atrair os imigrantes para o Brasil, onde tratavam o Brasil como sendo o paraíso. Cartazes, jornais, folhetos, livros e fotografias eram distribuídos na Europa, através de agências contratadas e com ajuda das companhias de colonização, para estimular a vinda dos imigrantes.

 

 

As colônias alemãs no Brasil

 

Os imigrantes alemães se estabeleceram em colônias, que eram áreas de terras divididas em lotes, que poderiam ser doadas pelo governo para incentivar a colonização, ou vendidas aos imigrantes, pelo governo ou por particulares, como as companhias de colonização.

 

No início da colonização alemã para o Brasil, as colônias iam se espalhando nos arredores da primeira colônia, São Leopoldo, e com o tempo, iam se afastando para áreas mais isoladas. Muitas colônias ficavam próximas a rios – o que era estratégico, tanto pela água para uso dos colonos quanto para o transporte e escoamento de produções.

 

Ao chegar em seu lote, o imigrante era responsável por construir sua morada, que normalmente eram cabanas simples e rústicas, cobertas com folhas de árvores, chão batido e paredes de barro ou folhas, ou a ausência de paredes. A cabana abrigava a família e seria substituída, mais tarde, por uma casa, assim que tivessem mais condições de fazê-las. O imigrante era responsável por derrubar o mato e preparar a terra para o plantio de alimentos.

 

Nem todas as colônias eram etnicamente homogêneas. Nas colônias oficiais havia a preocupação de misturar elementos de diversas origens. Já nas colônias particulares os grupos de mesma etnia predominavam.

 

Os colonos, mesmo vindo de regiões diferentes, se juntaram e criaram suas comunidades, construindo igrejas e escolas e assim, se mantiveram unidos através da cultura, tradições e idioma. Os imigrantes tinham liberdade religiosa, porém de maneira tolerada. Mesmo assim, havia diferenças entre grupos de imigrantes, seja por regionalismos ou por causa de religião, o que os distanciava quando não aceitavam o ecumenismo.

 

O “isolamento” das comunidades alemãs nem sempre se manteve, tanto porque sua posição geográfica dificultava o isolamento, tanto porque muitos imigrantes não queriam ser “colonos” – interessavam-se pelas atividades de comércio, indústria e com isso, acabavam tendo contatos e se incorporando à sociedade em geral para que pudessem exercer suas profissões livremente e vender seus produtos.

 

 

Os problemas no processo de imigração

 

O governo alemão proibiu em 1859 a emigração para o Brasil devido a um forte movimento que surgiu na Alemanha contra esta emigração, devido a diversos problemas.

 

Os problemas começavam já na vinda para o Brasil, nos navios, em viagens que poderiam durar cerca de 3 a 4 meses pelo Oceano Atlântico. Em algumas situações, imigrantes esperavam o navio por cerca de dois meses no porto de Hamburg, em condições precárias, onde inclusive ocorriam óbitos. Muitas viagens foram feitas com o navio super populoso, onde as pessoas viajavam espremidas, com alimentação deficiente e má higiene, quando não aconteciam inúmeros óbitos por causa de epidemias. Também muitos imigrantes morriam ao chegar no Brasil, por causa de febres tropicais.

 

Ao chegar no Brasil, os imigrantes alemães sofreram para se adaptar ao clima brasileiro, ao idioma e às novas condições de vida, normalmente primitivas, que já não tinham em seu país de origem.

 

Em alguns casos, chegavam no Brasil e por não estarem suas terras demarcadas, ficavam alojados em prédios ocupados antes por escravos, aguardando durante meses o assentamento em seus lotes. Também por problemas na demarcação de terras, muitas brigas surgiam.

 

O isolamento das colônias também dificultava na medida que faltava acesso médico para doenças ou partos, (quando a colônia não tinha seu próprio médico) e muitos morriam por não chegarem a tempo na cidade mais próxima, pois dependiam de transporte por tração, o que era lento e poderia levar horas ou dias. A distância, mas também a falta de dinheiro, dificultavam o acesso a tratamentos.

 

A situação precária para sobrevivência causava muita decepção e desgosto, pois não eram as perspectivas que tinham quando decidiram emigrar. As promessas de que iriam para o “paraíso” aumentava o sofrimento, quando estavam frente a frente a matas fechadas para derrubarem no machado, onde inclusive as mulheres ajudavam.

 

A espera pelo cumprimento de promessas como o desenvolvimento da região com a construção de vias de acesso; e a promessa de subsídio com dinheiro ou instrumentos de trabalho (ferramentas, sementes, gado, material de construção) foram descumpridas na maior parte das colônias alemãs. A liberdade de culto de religião, apesar de declarada, era somente tolerada, pois ia contra a constituição brasileira. Para tanto, os imigrantes protestantes não poderiam construir prédios que tivessem a aparência de igreja, como usando sinos e cruzes.

 

Muitas terras recebidas pelos imigrantes eram simplesmente “ingratas”: secas e ácidas, sem capacidade de boa produção de alimentos para a própria subsistência. Até descobrirem quão inférteis eram aquelas terras, já haviam investido trabalho, sementes e tempo ao tentar cultivá-las, e entre a espera da colheita e a frustração de não conseguir colher nada, passavam fome.

 

Quando os imigrantes eram empregados em alguma fazenda, muitos se viram na condição de “semi-escravos”, quando trabalhavam por horas a fio, e não recebiam tudo o que fora prometido pelo trabalho, isso quando não eram mal tratados pelos donos das fazendas.

 

Por: Ondine S. Bruch

Cópia permitida, desde que citada a fonte

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