OBS: Este texto � um dialogo entre um c�tico e um n�o c�tico.
E para que o universo precisa de raz�o de ser? Voc� pode precisar, mas n�o pense que voc� e o universo s�o a mesma coisa. E porque a humanidade precisa de raz�o de ser? Um dia vai morrer todo mundo e n�o vai ficar nem marca que j� passamos por aqui. Antes do pensamento grego os seres humanos viviam mil�nios sem evolu�rem. As coisas sempre eram iguais e viviam do mesmo jeito, como macacos na selva. Dia ap�s dia, gera��o ap�s gera��o sem mudan�as de comportamento a menos que se transformassem em outra esp�cie e ai a mesmice come�ava de novo por mais mil�nios. Porque o ser humano come�ou a usar instrumentos, ele acha que tudo tem raz�o de ser. Tolice. Uma borboleta existe para que? Um sapo? Um le�o? Nada tem raz�o de ser, muito menos o universo. O ser humano se acha especial e n�o � nada. N�o passa de um micr�bio no corpo do universo que nem percebe que ele existe. O significado da minha vida quem d� sou eu mesmo. Eu tenho que achar raz�es para continuar sen�o eu mesmo dou fim a ela. Se n�o dei � porque at� agora achei mil raz�es para viver. Mas minhas raz�es n�o s�o baseadas em ilus�es.
Talvez o que � "ilus�o" para uns pode n�o o ser para outros, e vice-versa. Talvez homens de brilhante intelecto considerem "ilus�o" aquilo que outros mais simples consideram como "realidade".
Foi exatamente por essa raz�o que inventaram a ci�ncia. Para determinar o que � real ou n�o. Os seres humanos t�m as id�ias mais mirabolantes a respeito do que � ou n�o real, sendo assim que crit�rios devemos usar para diferenciar o que � real do que n�o �? Esse crit�rio � a jun��o do interior com o exterior. Do mundo subjetivo com o mundo objetivo. A isso chamamos de ci�ncia.
Se voc� examinar a religi�o ver� que ela � uma id�ia gerada na cabe�a de um homem e pregada como verdade absoluta n�o importando o exterior, ou seja, os fatos. Ela � meramente subjetiva. Uma filosofia que n�o foi posta em pr�tica tamb�m n�o tem valor e n�o sabemos se � realmente verdade ou n�o enquanto n�o a utilizarmos. Ou seja, sem o exterior para confirmar o interior o que temos � loucura, ilus�es, imagina��o, fantasias, hip�teses n�o confirmadas, id�ias, etc.
Eu por exemplo n�o acredito no comunismo segundo Marx, da forma como ele falou que deveria ser feito, porque ele j� foi experimentado e vimos o resultado. O teocentrismo tamb�m j� foi experimentado e apesar da teimosia de seus aderentes, n�o deu certo. Veja a situa��o da Europa pr�-renascen�a. Era uma favela da rocinha em escala continental. Veja os paises teoc�ntricos atuais, bem piores que os humanistas apesar de usar os recursos tirados dos paises humanistas. Quando digo humanista quero dizer pelo humano e para seres humanos aprovado por eles (antropocentrismo).
A Europa s� saiu da lama quando largou o teocentrismo e partiu para o humanismo como doutrina. Isso � um fato ineg�vel, n�o � mera ilus�o. Voc� pode acreditar que a mis�ria � um bem, mas eu n�o acredito porque constatei pelo exterior que a mis�ria gera sentimentos ruins e atos desumanos. Para que o ser humano evolua como humano ele tem que n�o precisar lutar como um animal pela sobreviv�ncia. Depois que ele atinge um certo n�vel de conforto, ai ele come�a a pensar em coisas superiores ao estado animal.
Mas usar a cren�a em Deus, pregando que hoje um ser humano vive como um animal, mas se for bom, vai para um local perfeito, � imoral tamb�m, porque pode fazer com que o ser humano n�o procure melhorar de vida e assim se entregar� ao sofrimento e depois morre, e talvez n�o haja nada do outro lado, pois n�o temos como comprovar isso.
Outra imoralidade � o fato de tornar o ser humano mais ego�sta ainda, pois ele est� sendo bom n�o pelo bem e porque praticar o bem � melhor para todos, ele esta sendo bom falsamente, com hipocrisia, egoisticamente buscando um c�u ilus�rio ou nirvana ou algo assim.
N�s estamos acima do bem e do mal, como disse Nietzsche, e o que isso significa? Que podemos escolher ou um ou outro livremente, mas se formos inteligentes vamos escolher o bem porque estamos preservando a n�s mesmos e a todos. O amor a si pr�prio e a humanidade � melhor que somente o amor a si pr�prio gerado pela ilus�o de s� fazer o bem para ir para um lugar melhor, o c�u ou o nirvana.
E viver num ambiente em que as pessoas se amam, buscam o prazer mutuo, competem consigo mesmas mais para evoluir do que propriamente ultrapassar o pr�ximo (ultrapassar o pr�ximo tamb�m � pura ilus�o, sempre existe algu�m melhor, um gatilho mais r�pido). Crescer pelo prazer de saber mais, pelo prazer de melhorar em todos os aspectos. De evoluir em outras palavras, para voc� mesmo e para todos. Fazer o que te d� prazer sabendo que teu prazer gera benef�cios ao pr�ximo tamb�m. Eu chamo isso de moral.
Outro detalhe, as religi�es j� estiveram e est�o em outras partes do mundo na posi��o do Estado, s� que sempre foram piores por uma raz�o. O Estado depende da aprova��o do povo e a religi�o ou Deus, n�o. Deus � arbitr�rio (o representante de Deus o � e Deus n�o fala com o povo, s� com �pessoas especiais�) e o que isso gera? Se o representante mandar matar, estuprar, destruir crian�as e animais indefesos, o fiel o faz sem pensar. Leia o Alcor�o e a B�blia e ver� ou ent�o assista televis�o.
A arma natural do homem � a raz�o interior que gera sentimentos superiores acima do reino animal aliada a fatos exteriores. Sem essa alian�a chamada ci�ncia aceitamos qualquer tolice como real e ai veremos os resultados.
Talvez seja o caso de alguns estarem se utilizando seu background de conhecimentos objetivos como meio de avaliar se suas raz�es s�o ou baseadas em "ilus�es" ou "realidade", enquanto que outros preferem usar de sua sensibilidade subjetiva para este fim. Talvez estejamos aqui nos debatendo em v�o: uns dizendo "prove para mim que isso � verdade" e outros respondendo "prove para mim que o que eu sinto � mentira".
Se eu te falar que tenho um Golf Gti importado na minha garagem e voc� acreditar sem questionar, voc� est� tendo uma atitude religiosa, e se voc� sair por ai falando que realmente tenho esse carro, voc� est� espalhando uma verdade religiosa. Mas se voc� vier at� minha casa e ver o carro, sua verdade � cientifica. Entendeu a diferen�a?
As verdades s�o bem diferentes. Qual delas voc� prefere aceitar? Eu prefiro a cientifica porque � uma jun��o do interior com o exterior. � a unifica��o do subjetivo com o objetivo. Agora se uma pessoa quer confiar somente num lado e excluir o outro, � problema dela, ela tem todo o direito constitucional de fazer isso.
Outro detalhe, a verdade n�o tem nada a ver com se sentir bem ou mal. Religi�o � cinema? Religi�o � divers�o? � passatempo? Se religi�o diz que prega uma verdade, voc� tem que examinar essa verdade para ver se funciona ou n�o. Se n�o funcionar quando voc� juntar o interior com o exterior, ent�o ela deve ser descartada sem d�.
J� que estamos chegando perto do natal. Religi�o seria receber uma caixa contendo um presente dentro, imaginar o que tem na caixa, guarda-la num local de destaque, ficar pensando em como seria legal desfrutar daquilo que voc� acha que est� dentro da caixa sem nunca abri-la. Um cientista abre a caixa. Ele junta o subjetivo com o objetivo.
Qual par�metro vale mais? O objetivo ou o subjetivo? H� aqueles que preferem o primeiro, mas tamb�m h� aqueles que preferem o �ltimo. Sabemos que ningu�m vai conseguir convencer ningu�m, e que nunca chegaremos a um consenso em quest�es dessa esp�cie.
De onde voc� tirou a id�ia que tenho que escolher entre o subjetivo e o objetivo? Como ficou exposto acima, eu escolho os dois. O subjetivo e o objetivo porque os dois s�o complementares. Voc� n�o teria consci�ncia se n�o houvesse o interior e o exterior. Escolher apenas um como crit�rio seria praticar Reductio ad absurdum em l�gica.
N�o � convencendo que chegaremos a algum lugar. Voc� tem que observar os fatos exteriores e ver qual modelo subjetivo se encaixa melhor. Voc� ouve as pessoas e depois compara o que elas dizem com o exterior e ai v� se � realmente real.Se n�o for, livre-se da id�ia.
Outro dia estava ensinando meu filho a diferen�a entre verdade e mentira. Usei o seguinte exemplo, estava com uma caneta na m�o e disse que n�o estava, mas ele viu que eu estava, ai lhe disse que eu estava mentindo porque falei algo que n�o concordava com os fatos, e depois disse que estava com a caneta e estava e ai ele viu que era verdade porque condizia com os fatos. At� no dia a dia podemos diferenciar o que � verdade do que � mentira porque existe o interior e o exterior e tudo aquilo que o interior gera que n�o corresponde ao exterior � fal�cia.
E, tamb�m, por outro lado, se estamos discutindo s� por pura "divers�o", penso que estamos no caminho errado.
Eu, por exemplo, discuto por divers�o e para aprender. Digamos que estou brincando e aprendendo. Quem disse que para aprender algo temos que ser extremamente s�rios? Eu debato principalmente para aprender e entrar em questionamentos que eu n�o conseguira sozinho. Todos os meus oponentes ou amigos me ajudam no meu desenvolvimento daquilo que considero verdade. Isso se chama m�todo dial�tico e foi inventado por fil�sofos gregos. Eles podiam discutir acirradamente sobre qualquer assunto buscando a verdade e ai as paix�es geradas pelo confronto desapareciam. Eu quase nunca sinto mais raiva, �dio, ou sentimentos negativos pelos meus oponentes. A liberdade de express�o total gera a n�o viol�ncia porque as pessoas aprendem a debater livremente usando as palavras que quiserem e ao se acostumarem com isso a viol�ncia nem � pensada mais.
Meu filho tem cinco anos, ele faz praticamente tudo que eu quero porque eu o conven�o pelos fatos, pela atitude, pela raz�o que estou certo. E ele j� se acostumou com isso. Quando ele quer me convencer de algo, ele usa a raz�o, a l�gica, o debate e me convence ou n�o. Ele surpreende nossa comunidade o tempo todo com sua argumenta��o e ele n�o aceita o que a professora manda sem questionar, ele quer saber as raz�es para tudo.
Meu filho n�o acredita em Papai Noel, n�o acredita em monstros, n�o acredita no sobrenatural. Ele n�o tem medo do escuro, ele s� tem medo de coisas reais. Meu filho j� sabe como veio ao mundo porque eu mostrei para ele quando ele me perguntou. Todo o processo. Ele sabe que n�o se interessa por sexo ainda porque � crian�a e n�o chegou na fase. Ele mesmo diz isso. Ele fala que seus horm�nios n�o o est�o impulsionando ainda.
Eu o estou criando com a verdade dos fatos. Se eu falar algo para ele, ele sabe que � verdade. Eu nunca minto para ele. Ele sabe que outras pessoas mentem, mas ele diz sempre, vou perguntar para meu pai porque sei que ele n�o vai me enrolar.
Meu filho mora no Brasil, portanto � exposta a cren�a em Deus, em anjos, dem�nios, santos, o sobrenatural em geral. Mas como eu sempre falo a verdade para ele sobre coisas que podemos comprovar, ele geralmente acredita em mim, n�o acredita na m�e, nem na av� porque elas ensinam fantasia. Ele n�o acredita na tv porque ele sabe que tudo veio da imagina��o do homem e ele cr� no bem e no mal comprovado por fatos porque quando assistimos filmes juntos eu lhe conto as hist�rias e lhe explico os conceitos. Se eu falar ele cr� porque lhe ensinei os conceitos de fato e verdade.
Quando ele me perguntou sobre vida depois da morte eu lhe disse que ningu�m sabe se vamos continuar ou n�o depois dessa vida. Que o m�ximo que podemos fazer � ter esperan�a. E ele sabe a diferen�a entre acreditar e saber. E quanto a Deus, ele sabe que eu sou aquele junto com outros que realmente lhe faz o bem e assim ele aprende a distinguir e homenagear quem realmente faz o bem porque tem exemplos a seguir. Deus � algo distante que n�o podemos nem contemplar e n�o temos como comprovar, portanto � irrelevante. Se ele existir ou n�o, que diferen�a faz?
S� vou me estender s� um pouco mais nesse assunto. Minha tia resolveu lhe contar a hist�ria do dil�vio e meu filho rejeitou esse Deus crist�o por causa dessa hist�ria. Ele adora seu cachorrinho e gatinho e ele n�o aceitou que Deus matasse todos os animais inocentes do mundo por causa do que alguns homens fizeram. Eu lhe dei os parab�ns pelo seu senso de justi�a.
Ter�amos muito a ganhar se, ao inv�s de ficar discutindo acerca de nossas premissas filos�ficas e/ou doutrin�rias e acerca de nossas raz�es para viver [que s�o conceitos extremamente subjetivos] dirig�ssemos nossos esfor�os para pensar em algo que fosse mais �til e proveitoso; por exemplo, algo que pudesse tornar este mundo um lugar melhor para n�s e para nossa posteridade.
At� Jesus concordou que a boca fala do que est� cheio o cora��o. Ou seja, o modo como voc� percebe o exterior dependo do seu interior. A jun��o do interior com o exterior. Essas discuss�es filos�ficas s�o as que t�m mais valor. Se estiv�ssemos discutindo coisas f�teis como o futebol, isso n�o levaria a nada, mas estamos discutindo coisas que mudam nosso modo de encarar a vida e assim pode influenciar sobremaneira nossas a��es. Voc� acha isso realmente in�til? Eu considero isso aprender a pensar dentro do processo dial�tico. E voc� n�o acha que se as pessoas aprendessem a seguir a raz�o nas suas a��es do dia a dia ao inv�s da for�a o mundo n�o seria melhor? Mas para seguir a raz�o � preciso aprender a discutir e o f�rum � �timo para isso.
Esta � s� uma singela opini�o de um religioso "fan�tico" [isto �, se o simples fato de acreditar em coisas como a exist�ncia de Deus ou a hist�ria de Ad�o e Eva j� torna algu�m fan�tico].
Que todos fiquem em paz.
Voc� tem todo o direito inalien�vel de acreditar em Deus e Ad�o e Eva. E se eu pudesse for�a-lo atrav�s da viol�ncia a parar de acreditar nisso, eu n�o faria. Pois eu acredito na liberdade de pensamento acima de tudo. � dessa liberdade que vem os outros bens.