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A
Resposta ao Malfeitor na Cruz. "Em
verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso." A nota tônica
da escatologia bíblica no que tange ao galardão dos justos é que
ocorrerá unicamente por ocasião da volta de
Jesus. (Mateus 16:27; Mateus 25:31 a 34; I
Tessalonicenses 4:16 a 18; II Timóteo
4:8; I Pedro 5:4; Apocalipse 22:12), além de inúmeras
outras passagens.
O
passo em lide (Lucas 23:43), segundo cremos baseado em razões que a
seguir apresentaremos, deve estar incorretamente pontuado, além de
conter sem razão a partícula "que". Matos Soares, Basílio
Pereira e outros traduzem: "Em verdade te digo:
hoje estarás comigo no Paraíso." Se a pontuação
fosse removida para depois da palavra hoje, teríamos: "Em
verdade te digo hoje: estarás comigo no Paraíso."
Os manuscritos do Novo Testamento, escritos em grego e em caracteres
unciais não tinham pontuação.
Diz-nos
J. Angus em sua conhecida obra História,
Doutrina e Interpretação da Bíblia, vol. 1, pág. 39,
que somente no século VIII é que foram introduzidos alguns
sinais de pontuação, e que no século IX introduziram-se
o ponto de interrogação e a vírgula. Que a colocação da pontuação
altera substancialmente o sentido do texto é evidente. Há um
exemplo, muito citado, da imperatriz da Rússia que alterou uma
ordem de exílio assim redigida: "Perdão impossível,
enviar para a Sibéria." Com cuidado removeu a vírgula
colocando-a noutro lugar, e ficou assim: "Perdão,
impossível enviar para a Sibéria." E o prisioneiro foi salvo.
1.ª
- Boas
traduções rezam que o ladrão pediu a Jesus que se lembrasse dele
"quando vieres no Teu reino." Assim, por
exemplo o fazem Matos Soares, a Trinitariana, a Versão Italiana de
G. Deodatti, a francesa de L. Sègond, a inglesa de King James e
outras. "Quando vieres no Teu reino" e não
"quando entrares". "Quando vier...
então Se assentará no seu trono..." (Mateus 25:31). Para essa
ocasião pediu o ladrão um lugar no reino, e não para
aquele dia que agonizava ao lado de Jesus.
2.ª
-
Certamente o ladrão não podia estar com Jesus no
Paraíso naquele dia, a menos que Jesus lá estivesse também. E
Jesus foi para lá naquele dia? Não. Como sabemos?
a)
Porque três dias depois, já ressurreto, disse à
Madalena: "Não Me toques, porque ainda não subi
para o Meu Pai." (João 20:17). Jesus estivera dormindo
no túmulo, e não subira ao Pai. Ressurgira, e ainda não subira ao
Pai. E nem de leve se pode inferir que uma "alma"
consciente subira, pois a Escritura não sugere tal absurdo.
b)
Porque uma análise cuidadosa da cena do Calvário revela que o
ladrão não morreu naquele mesmo dia, pois João 19:31 a 33 nos
diz:
"Os
judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz,
visto como era a Preparação (pois era grande o dia daquele sábado),
rogaram a Pilatos que lhes quebrassem as pernas, e que fossem
tirados. Foram pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas
do primeiro, e ao outro que com ele fora crucificado; mas vindo a
Jesus, e vendo-O já morto, não Lhe quebraram as pernas."
Porque
o crucificado não morria no mesmo dia. Cristo foi
caso excepcional e que sabemos que não morreu dos ferimentos ou da
hemorragia, mas do quebrantamento do coração. Morreu de dor moral
por causa dos pecados do mundo. Mas os outros, não, e as crônicas
descrevem o condenado esvaindo-se lentamente durante dias.
Diz
por exemplo o comentário de J. B. Howell: "O
crucificado permanecia pendurado na cruz até que, exausto pela dor,
pelo enfraquecimento, pela fome e a sede, sobreviesse a
morte. Duravam os padecimentos geralmente três dias, e às
vezes, sete." - J. B. Howell, Comentário a S. Mateus,
pág. 500.
É
óbvio que os homens de maior robustez física duravam até sete
dias na cruz. No caso em tela, os judeus, não permitiam que se
conservasse um criminoso na cruz no dia de sábado,
pois consideravam um desrespeito à santidade do dia de repouso.
"De acordo com o costume, quebravam as pernas dos criminosos
depois de os haverem removido da cruz, deixando-os estendidos no chão,
até que o sábado passasse. Depois do sábado haver passado, sem dúvida
esses dois corpos foram outra vez amarrados na cruz, e lá ficaram
diversos dias até morrerem..."
Se
era necessário quebrar as pernas aos dois malfeitores, antes do pôr
do Sol, é porque não haviam morrido ainda. Na
pior das hipóteses viveram ainda, pelo menos, um dia a mais que o
Mestre. Como podia, um deles, estar no mesmo dia
junto de Jesus?
3.ª
- Há traduções
bem autorizadas que vertem o texto de Lucas 23:43 de forma a
harmonizá-lo com o teor da Bíblia a respeito do galardão no
reino, quando Jesus voltar. E vamos citá-las:
a)
Tradução Trinitariana, em português, editada em
1883, pela "Trinitarian Bible Society" de Londres. Diz:
"Na verdade te digo hoje, que serás comigo no Paraíso."
b)
Emphasized New Testament, de Joseph Bryand
Rotherham, impresso em Lodres, em 1903, assim reza: "Jesus!
Lembra-te de mim na ocasião em que vieres no teu reino. E Ele
disse-lhe: Na verdade, digo-te neste dia: Comigo estarás no Paraíso."
c)
The New Testament, de George M. Lamsa, de acordo
com o texto Oriental, traduzido de fontes originais aramaicas, diz:
"Jesus lhe disse: Na verdade te digo hoje, estarás comigo no
Paraíso."
d)
A chamada Concordant Version, em inglês assim
traduz: "E Jesus lhe disse: Na verdade a ti estou dizendo hoje,
comigo estarás no Paraíso."
e)
Um manuscrito importante. Trata-se de um famoso manuscrito
curetoniano da Versão Siríaca, existente no Museu
Britânico. Assim reza: "Jesus lhe disse: Na verdade
te digo hoje, que comigo estarás no Jardim do Éden."
E
há mais ainda: o comentário da Oxford Companion Bible,
que diz: "'Hoje' concorda com 'te digo' para dar ênfase
à solenidade da ocasião; não concorda com 'estará'".
E no Apêndice n.º 173, o famoso Oxford Companion Bible, esclarece:
"A
interpretação deste versículo depende inteiramente da
pontuação, a qual se baseia toda a autoridade humana,
pois os manuscritos gregos não tinham pontuação alguma até
o nono século, e mesmo nessa época somente um ponto no
meio das linhas, separando cada palavra... A oração do malfeitor referia-se
também àquela vinda e àquele Reino, e não a alguma
coisa que acontecesse no dia em que aquelas palavras foram
ditas." E
conclui o mesmo comentário, no final do mesmo Apêndice: "E
Jesus lhe disse: 'Na verdade te digo hoje' ou neste
dia quando, prestes a morrerem, este homem manifestou tão grande fé
no reino vindouro do Messias, no qual só será Rei quando ocorrer a
ressurreição - agora, sob tão
solenes circunstâncias, te digo: serás comigo no Paraíso."
E
a expressão "hoje" ligada ao verbo não é redundante,
mas enfática. É comum na Bíblia, Leiam-se, por exemplo, Deuteronômio
20:18; Zacarias 9:12; Atos 20:26, entre outros. A conclusão fatal
é que Lucas 23:43 é um falso pilar em que se ergue a teoria da
imortalidade inata no homem e seu imediato galardão post
mortem...
A.
B. Christianini, Subtilezas do Erro, 2.ª ed., pág.
252; 255.
Fonte:
www.jupiter.com/iasd


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