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As
Diferentes Fases do Julgamento. O
ritual do bode emissário no dia da expiação apontava para além
do Calvário, ao fim do último problema do pecado - o
banimento deste e de Satanás. A "plena responsabilidade
pelo pecado será devolvida a Satanás, o seu originador e
instigador. Satanás e seus seguidores, bem como todos os efeitos do
pecado, serão banidos do Universo por meio da destruição. A expiação
através do julgamento, portanto, fará brotar um Universo
plenamente reconciliado e harmonioso (Efésios 1:10). Este é o
objetivo que a segunda e última fase do ministério de Cristo como
sacerdote do santuário celestial irá atingir". Esse
julgamento testemunhará a vindicação final de Deus diante do
Universo. O Dia da Expiação retratava as três fases do julgamento
final:
a.
A remoção dos pecados do santuário relaciona-se com a primeira
fase - investigativa, ou fase pré-Advento - do julgamento. Ela
"focaliza os nomes anotados no Livro da Vida, assim como Dia da
Expiação focalizava a remoção dos pecados confessados do
penitente, do santuário, falsos crentes serão eliminados; a fé
dos genuínos crentes e sua união com Cristo serão reafirmados
perante o Universo leal, e os registros de seus pecados serão
apagados".
b.
O banimento do bode emissário para o deserto simbolizava a prisão
de Satanás durante o milênio, na desolada Terra; este milênio
começa por ocasião do Segunda Advento e coincide com a segunda
fase do julgamento final, a qual ocorre no Céu (Apocalipse 20:4; I
Coríntios 6:1 a 3). Este julgamento milenial envolve a revisão do
julgamento dos maus e será empreendido em benefício dos remidos,
ao conceder-lhes o vislumbre do trato de Deus com o pecado e com
aqueles pecadores que não se salvarão. Será respondida assim
qualquer pergunta que os salvos possam ter a respeito da justiça e
da misericórdia de Deus.
c.
O acampamento purificado simboliza os resultados da terceira fase do
julgamento, a fase executiva, quando o fogo destruirá os maus e
purificará a Terra (Apocalipse 20:11 a 15; Mateus 25:31 a 46; II
Pedro 3:7 a 13).
O
Santuário Celestial na Profecia. Na
discussão anterior (O Ministério de Cristo no Santuário Celestial
- Parte I), focalizamos o santuário a partir da perspectiva de tipo
e antítipo. Queremos agora examiná-lo a partir da perspectiva profética.
A
profecia das 70 semanas de Daniel 9 apontava para a inauguração do
ministério sacerdotal de Cristo no santuário celestial. Um dos últimos
eventos, que deveria ocorrer durante os 490 anos, era a unção do
"santo dos Santos" (Daniel 9:24). A expressão hebraica godesh
godeshim, que foi traduzida como "santíssimo",
significa literalmente "Santos dos Santos". A frase seria
melhor traduzida, portanto, como "ungir o Santo dos
Santos" (como, convém observar, ela realmente aparece na Versão
Almeida Revista e Atualizada).
Assim
como em sua inauguração o santuário terrestre foi ungido com óleo
sagrado a fim de que tal ato o consagrasse para os seus serviços,
assim, em sua inauguração, o santuário celeste também deveria
ser consagrado para o ministério intercessório de Cristo. Com Sua
ascensão pouco tempo depois de Sua morte (Daniel 9:27), Cristo
iniciou Seu ministério como Sumo Sacerdote e intercessor.
Falando
do santuário celestial, o livro de Hebreus afirma: "Com
efeito, quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com
sangue: e sem derramamento de sangue não há remissão. Era necessário,
portanto, que as figuras das coisas que se acham nos Céus se
purificassem com tais sacrifícios, mas as próprias coisas
celestiais com sacrifícios a eles superiores" - o precioso
sangue de Cristo (Hebreus 9:22 e 23). Vários comentaristas bíblicos
têm observado este ensinamento bíblico:
Henry
Alford assinalou
que "o próprio Céu necessitava, e obteve purificação através
do sangue expiatório de Cristo".
B.
F. Westcott comentou: "Pode-se dizer que mesmo as
'coisas celestiais', na extensão em que personificam as condições
da futura vida do homem, adquiriram pela Queda alguma coisa que
necessitava ser purificada." Foi o sangue de Cristo, disse
Westcott, que se achava disponível "para a purificação do
celestial arquétipo do santuário terrestre." Assim como os
pecados do povo de Deus eram pela fé transferidos para a oferta
pelo pecado e então simbolicamente transportados para o santuário
terrestre, assim, sob o novo concerto, os pecados confessados pelo
penitente são pela fé colocados sobre Cristo.
De
modo como durante o Dia da Expiação típico a purificação do
santuário removia os pecados que já se haviam acumulado, assim o
santuário celestial é purificado pela remoção final de todos os
pecados registrados nos livros celestiais. Mas antes que os
registros sejam finalmente limpos, serão eles examinados a fim de
ser determinar quem, através de arrependimento e fé em Cristo, está
apto a entrar em Seu reino eterno. Portanto, a purificação do
santuário celestial envolve uma obra de juízo investigativo que
reflete plenamente a natureza do Dia da Expiação como dia de
julgamento. Este julgamento, ratifica as decisões quanto a quem
deverá estar entre os salvos e quem estará entre os perdidos. Deve
ocorrer antes da Segunda Vinda, pois por ocasião do Segundo
Advento, Cristo deverá retribuir "a cada um segundo as suas
obras" (Apocalipse 22:12). Naquela oportunidade também serão
respondidas as acusações de Satanás (Apocalipse 12:10). Todos
aqueles que verdadeiramente se arrependeram e pela fé reclamaram o
sangue do sacrifício expiatório de Cristo, terão assegurado o
perdão. Quando seus nomes forem chamados a julgamento e se
constatar que eles estão revestidos pelo manto da justiça de
Cristo, seus pecados serão apagados e eles serão considerados
dignos da vida eterna. (Lucas 20:35). "Aquele que vencer",
disse Jesus, "será assim vestido de vestiduras brancas, e de
modo nenhum apagarei o seu nome do Livro da Vida; pelo contrário,
confessarei o seu nome diante de Meu Pai e diante dos Seus
anjos" (Apocalipse 3:5).
O
profeta Daniel revela a natureza desse julgamento investigativo.
Enquanto o poder apóstata simbolizado pelo chifre pequeno leva
avante suas blasfêmias e sua obra de perseguição contra Deus e
Seu povo na Terra (Daniel 7:8, 20, 21 e 25), tronos são colocados
no Céu e Deus preside a sessão do tribunal nesse julgamento final.
Ele ocorre na sala do trono do santuário celestial e é assistido
por milhões de testemunhas celestiais. Quando o tribunal entra em
funcionamento, os livros são abertos, assinalando o início do
processo de investigação (Daniel 7:9 e 10). Somente depois desse
julgamento é que o poder apóstata é destruído (Daniel 7:11).
A
Ocasião do Julgamento. Tanto
o Pai quanto Cristo acham-Se envolvidos no juízo investigativo.
Antes de Seu retorno à Terra nas "nuvens do Céu",
Cristo, na qualidade de "Filho do homem" vem "com as
nuvens do Céu" até o "Ancião de Dias", Deus Pai, e
posta-Se diante dEle (Daniel 7:13). Desde o momento de Sua ascensão,
tem Jesus Cristo trabalhado como Sumo Sacerdote, nosso intercessor
diante de Deus (Hebreus 7:25). Mas nessa oportunidade, Ele vem para
receber o reino (Daniel 7:14).
Daniel
8 fala-nos a respeito da controvérsia entre o bem e o mal e do
triunfo final de Deus. Esse capítulo revela que no espaço
decorrido entre a inauguração do ministério sumo-sacerdotal de
Cristo e a purificação do santuário celestial, um poder terrestre
haveria de obscurecer o ministério de Cristo. O
carneiro da visão representava o império Medo-Persa (Daniel 8:2) -
sendo que dois chifres, o mais alto apareceu por último, retratando
claramente as duas fases do império, em que os persas dominantes
entraram em cena por último. Conforme Daniel predissera, esse reino
oriental exaltava o seu poder "para o ocidente, e para o norte,
e para o sul", e assim se engrandeceria (Daniel 8:4).
 

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