Uma viagem histórica pelo Rock Progressivo
RENAISSANCE II

Prólogo (1972)
As Chamas Estão Acesas (1973)
Vira as Cartas (1974)
Scheherazade: A Lenda das Mil e Uma Noites (1975)
Ao Vivo no Carnegie Hall (1976)
Novela (1977)
Uma Canção Para Todas as Estações (1978)
No Começo (Reedição do #1 e #2, 1978)
Azul Dourado (1979)
Rock Galaxy (Reedição do #3 e #4, 1980)
Câmera Câmera (1981)
Linha do Tempo


Grupo Renaissance
São os principais nomes de álbuns oficiais que marcaram toda a década de 70 e início dos anos 80, com a banda Renaissance. De volta ao sentimento clássico, com o folk, art-rock e permanentes suítes sinfônicas, dozadas de experimentalismo com parcelas de improvisos, ressurgia das cinzas musicais uma das maiores bandas de rock progressivo do mundo: o quinteto Renaissance, com Michael Dunford (guitarra), Annie Haslam (vocais), Terence Sullivan (bateria/percussão), John Tout (teclados), Jon Camp (baixo) e a letrista Betty Thatcher Newsinger.

Essa segunda fase, que pode ser considerada por muitos, Renaissance II, que começa com o LP "Prologue" que vai até o "Time-Line" (1983). Por ser considerado o ícone no gênero progressivo, então vale a pena embarcar nessa longa e inesquecível viagem fantástica pelo rock. Tudo isso é atribuído, substancialmente, com a principal entrada de Annie Haslam na liderança do vocais.

A história da primeira fase do Renaissance começou em 1969, Renaissance I com os ex-membros dos Yardbirds, Keith Relf e Jim McCarty, mas resolveram abandonar a banda, depois de gravarem apenas dois álbuns históricos. Essa fase, inclusive, é considerada pré-Renaissance, que extende até 1971. Os novos integrantes entram em estúdio para gravarem um álbum conceitual, o que marcaria a segunda fase do grupo Renaissance. A história estava só recomeçando, porque essa seria a mais longa e estruturada banda de rock, com a formação clássica, que o gênero progressivo conheceu.

O Recomeço

O álbum PROLOGUE (1972) foi o marco do renascimento do legendário grupo Renaissance, com sua nova formação, trazendo nas seis faixas tudo aquilo de que o rock progressivo precisava para recompor a volta do sentimento clássico. Se os grandes mestres Rachmaninoff ou Rimsky-Korsakov estivem vivos estariam na primeira fileira para aplaudir as performances da banda. O LP foi lançado pela gravadora Repertoire e, aqui no Brasil, pela Wea. A faixa título abre, simplesmente, com a vocalização da estreante no grupo, a soprano Annie Haslam. Seguidas pelas canções "Kiev", "Sounds Of The Sea", "Spare Some Love", "Bound For Infinity" e "Rajah Khan". Apesar de que o guitarrista Michael Dunford não foi creditado na capa do disco, como integrante principal, ele participou e tocou. Em seguida, ele se tornou o mentor de todo o grupo, ao lado dos companheiros membros.

LP duplo In The Beginning/1978 IN THE BEGINING é um álbum duplo lançado em 1978, no Brasil, pela gravadora EMI-Odeon/Sovereign, reunindo "Prologue" e "Ashes Are Burning", com a faixa At The Harbour editada do segundo disco. Em onze anos, o grupo havia lançado dez álbuns oficiais e duas compilações, em dose dupla. Em 1980, foi a vez do outro LP duplo ROCKY GALAXY incorporando, na íntegra, o TURN OF THE CARDS e SCHEHERAZADE, não lançado no Brasil.

Foi representado o momento auge da formação clássica do quinteto, com estabilidade maior, por parte dos seus integrantes, sendo eles Michael Dunford, Annie Haslam, Terry Sullivan, John Tout, Jon Camp e a letrista principal Betty Thatcher-Newsinger. Para integrar o grupo foi convidado para participar do primeiro álbum o guitarrista Rob Hendry (que também tocava mandolin, cimbais, além de vocalizações). Nesse álbum conceitual teve, também, a participação de Francis Monkman (tecladista do CURVED AIR), solo de VCS 3 na música Rajah Khan, com vocalização principal da estreiante Annie.

Historicamente, essa fase foi marcante para o grupo Renaissance, porque a voz feminina e com alcance de cinco oitavas, era liderada pela soprano Annie Haslam. Os grandes arranjos, explorando mais o lado clássico e sinfônico formavam uma perfeita sinfonia com belíssimas vocalizações de todos os componentes. Era permanente a contratação de conceituadas orquestras para participarem dos principais álbuns da banda. Substancialmente, é por isso que Renaissance é considerado uma das maiores bandas de rock progressivo do planeta, sobretudo, influenciando outros grandes grupos do mesmo gênero musical.

A Fase Áurea e o Declíneo

A partir do lançamento em LP PROLOGUE, ano de 1973, foi a vez do que se pode chamar de continuação do primeiro, o álbum ASHES ARE BURNING. A banda ficou mais conhecida e as músicas já estavam sendo as mais pedidas durante as apresentações ao vivo. As belas canções como "Carpet Of The Sun" , "Let It Grow" , "Spare Some Love" e "Sounds Of The Sea" são ainda veiculadas pelas rádios FMs. A cada ano, um novo álbum oficial era lançado pelo grupo. A produção aumentava cada vez mais. Dentre os oficiais, estão TURN OF THE CARDS (1974), SCHEHERAZADE And The Other Stories (1975), LIVE AT CARNEGIE HALL (duplo, 1976), NOVELLA (1977), A SONG FOR ALL SEASONS (1978), AZURE D´OR (1979), CAMERA CAMERA (1981), TIME-LINE (1983), concluindo a bem sucedida segunda fase, aqui denominado de Renaissance II.

Mas, em 1980, a banda sofre a primeira mudança, reduzida a três: Annie, Michael e Jon Camp. Eles convidavam outros músicos para participarem dos dois últimos trabalhos em estúdio. Nessa mediação, também foi criado o dueto NEVADA, com Annie Haslam e Michael Dunford. Com esse nome gravaram dois compactos duplos, com músicas inéditas e distintas das fases anteriores da banda Renaissance. Outras histórias começaram com a fada madrinha do gênero progressivo.

As chamas estão acesas

O grande estouro da banda Renaissance, na sua segunda fase, foi em 1973, com o lançamento do virtuoso LP ASHES ARE BURNING. Nele, com a saída do guitarrista Rob Hendry, entrou o efetivo compositor Michael Dunford com o seu violão. Nesse álbum teve a participação do guitarrista Andy Powell com um solo de guitarra memorável na música "Ashes Are Burning", faixa que deu título ao disco, sendo que todas as músicas são inteiramente inéditas e de grande aceitação dos fãs. O grupo provou que, mais uma vez as chamas do rock progressivo estavam, mais do que nunca, acesas.
Em 1974, foi a vez do inédito LP TURN OF THE CARDS, que é considerado pela crítica, o melhor disco da carreira do Renaissance, porque trouxeram pérolas executáveis do autêntico rock progressivo. O disco abre com a faixa poderosa "Runing Hard", seguida por "I Think You", juntamente com "Cold Is Being" e "Things I Dont Understand". Mas, as saudosas canções "Black Fame" e "Mother Rússia" revelam o grande valor vocal da soprano, fada-madrinha Annie Haslam.

A fase dourada da banda Renaissance não acaba aí. Eles chegam ao ponto máximo, com o lançamento expressivo e renascentista álbum SCHEHERAZADE. Dentre as outras estórias, está a épica "Song Of Scheherazade", com 24 minutos de duração. Embora a faixa "Ocean Gypsy" é considerada um dos melhores momentos da banda e mais executada em seus shows, porque a banda ao vivo é uma celebração. Esse álbum foi tão executado, que ele deu origem, em 1976, um duplo lançamento, denominado de LIVE AT CARNIGIE HALL, incluindo obras anteriores. As músicas são tão bem executadas que chega confundir com as versões de estúdio. Destaque maior, também para a versão de 23 minutos de duração, com a canção carro-chege do grupo "Ashes Are Burning", sobressaindo com uma estridente vocalização da grande musa Annie Haslam.

A banda Renaissance não parava nunca. Esse período foi o seu auge. Em 1977 é lançado mais um inédito long play NOVELLA, contendo pérolas como "The Sisters", "Can you Hear Me?", "Midas Man", "Capteded Heart" . O ano de 1978 a banda Renaissance lançava mais um clássico do progressivo, com a Royal Philarmonica Orchestra. A SON FOR ALL SEASONS, trazendo em suas faixas o tema de um seriado para TV americana, a música "Back Home Once Again". Nessa ocasião, Annie Haslam lançou o seu primeiro disco solo, com o álbum "Annie in Wonderland", produzido pelo ex-marido Roy Wood. Devido ao sucesso do grupo, a gravadora resolveu compilar os dois primeiros álbuns do Renaissance, titulado IN THE BEGINNING (duplo, 1978), inclusive lançado no Brasil com a famosa capa dupla com uma loura deitada na áreia ao som do mar cigano.

O som sinfônico

A famosa e conceituada Orquestra Filarmônica Real, formada na Inglaterra em 1947, foi convidada para participar de álbuns para a banda Renaissance, sobretudo, o segundo solo de Annie Haslam "Still Life" (1995). Além do gênero clássico, a Orquestra contém coral, ballet, bem como instrumentos populares, inclusive já tocou e acompanhou trabalhos com John Lennon, Paul McCartney (Beatles), Roger Waters (Pink Floyd), Freddie Mercury (Queen), Denny Laine (Moody Blues), Keith Richards (Rolling Stones), Mike Oldfield, Deep Purple, dentre outros grandes nomes no panorama do Rock.

A banda abandona aquele som sinfônico de grandes orquestras, em 1979, fechou a década aderindo a músicas mais dançantes, com faixas mais curtas, dando lugar aos sintetizadores. Naquele ano, foi então lançado o LP com um título em francês "Azure D´Or". Com a mudança radical, foram divulgados clipes da banda, com Annie interpretando as principais faixas do disco "Jekyll and Hyde", "Winter Tree", e a clássica "Carpet Of The Sun" (em versão acústica) dentre outras. Até aí a banda estava com sua formação original do quinteto: Haslam/Dunford/Camp/Tout/Sullivan. Essa foi a grande virada do grupo Renaissance, em sua segunda fase clássica, mas não agradou grande parte dos fãs.

Os integranters John Tout e Terence Sullivan deixaram a banda alguns meses depois do lançamento. Em 1980, por iniciativa da gravadora Sire foram relançados mais um duplo ROCK GALAXY, que reunia o terceiro "Turn Of the Cards" e o quarto "Scheherazade and The Other Stories". Mesmo com toda a mudança no estilo musical que, também, viria pela frente, a banda Renaissance não desistiu e colocou em circulação comercial mais dois álbuns, com características do anterior.

Decadência do Rock Progressivo

Reduzido a três, meados de 1981, lançaram CAMERA CAMERA, um Renaissance mais elétrico, cheio de chicotadas no desenrolar das músicas. Jon Camp assinou a maioria das letras. Quando se pensava que tudo parecia o fim, chegava às lojas o inédito TIME-LINE, sem nada de progressivo. Já que tudo tem seu começo, o meio e o fim, só o tempo poderia responder a essas perguntas. Mais uma vez, ainda não era o fim. A banda prosseguiu com as turnês mundiais. Teve boa aceitação na terra do sol nascente, Japão. Muitos dos seus discos foram remixados e relançãdos pelo selo japonês, com alta fidelidade e qualidade de som.

Desde os finais dos anos setenta, em pleno auge das discotecas, a chamada "era disco", a maioria das gravadoras investia no novo gênero dançante, porque era mais comercial e, no entanto, de maior interesse para elas. Na realidade, era mais vendas de discos e retorno financeiro imediato. Relativamente, o gênero rock progressivo entrava em declínio, porque as bandas mais conceituadas também eram pressionadas a se adaptarem. A onda não era arriscar mais aquelas belas suítes sinfônicas, características das antigas fases experimentais do rock-art. As faixas tinha que ser necessariamente mais curtas, mais expressivas em respostas do momento histórico, embora não caísse a qualidade musical e a criatividade do artista. Mas, a maior parte do fãs era exigente e não aceitava a idéia da mudança. Por conseguinte, houve assustadora queda de vendagem de seus discos.

NEVADA - dueto de vida curta

A banda Renaissance também sofreu forte influência com o novo gênero que estava em voga, a "New Wave Music", sendo que a vocalista Annie Haslam teve que se adaptar, embora se sobressaindo muito bem, tanto nas gravações em estúdio como nas apresentações ao vivo. O reflexo negativo foi evidente e a maioria dos curtidores da banda achava que tudo aquilo era realmente o fim. "Mas, ainda não era!", retrucavam sempre Annie e Michael Dunford. Nessa ocasião, eles formaram um dueto, de vida curta, titulado NEVADA, chegando a gravar alguns compactos duplos. O motivo dessa banda de vida curta era divulgar todo o trabalho que o Renaissance havia sendo feito. Nos shows eles apresentavam belas e velhas canções, desde os primórdios do disco PROLOGUE. Os shows eram sucessivos, mas a vendagem dos seus últimos álbuns caiu assustadoramente. Os fãs veteranos não aceitavam a brusca mudança e queriam ver o Renaissance se apresentar de todo jeito.

Em boa hora o vinil AZURE D´OR tenha ficado como o álbum da grande virada do grupo Renaissance, gravado em 1979. Dois anos depois, chegava às lojas o inédito CAMERA CAMERA (1981), trazendo a música "Okichi-San", dentre outras, para lembrar os bons e velhos tempos da banda na sua fase áurea. A mudança no estilo ficava cada vez mais evidente. A banda também mudou de gravadora. Novas tentativas eram sempre frequentes e só com o tempo a solução foi contornada. John Tout e Terry Sullivan já não faziam mais parte do Renaissance, desde 1980. A linha do tempo de mudança já estava com cartas marcadas. Tudo parecia inseguro para as grandes bandas do estilo progressivo. O dançarino, ator e cantor John Travolta embalava os sábados à noite e depois os tempos da brilhantina. A febre dos embalos comandava toda a liderança, através da "disco-music" e "discotecas". Michael Jackson acabava de lançar THRILLER, o marcando o ritmo "break", com músicas dançantes e os mirabolantes rebolados. As gravadoras investiam, sem medo de perder, apostando positivamente naqueles artistas de consumo imediato.

O Epílogo

Através da enorme linha do tempo, apareceria nas lojas o considerado último álbum oficial do grupo Renaissance, TIME LINE. O tripé de sustentação ainda era o mesmo: Haslam/Dunford/Camp. Esporádicas contratações eram sempre feitas integrarem nos grandes shows de lançamento dos respectivos álbuns. Isso acontecia, em paralelo ao dueto NEVADA, que não era considerada uma banda de rock, mas uma tentativa de levar o nome do Renaissance adiante. Isso se deu até a triste separação definitiva, publicada oficialmente, em 1986. Eles tocavam músicas antigas e novas, bem as músicas que o dueto gravaram na sua tenebrosa jornada. A carreira de cada um também se desenvolvia ao longo do tempo.

Ainda usando o nome Renaissance, outros trabalhos foram desenvolvidos, inclusive o projeto Michael Dunford, convidando outra vocalista para participar do THE OTHER WOMAN (1995), OCEAN GYPSY (1997) e TRIP TO THE FAIR (compilação, 1998). A vocalista convidada era Stephannie Adlington, uma jovem americana que também tinha uma excelente voz. Mas, ela quis seguir também carreira solo. Paralelamente aos relançamentos do Renaissance, Annie Haslam também lançavam maravilhosos solos e se impenhou nas composição de suas letras, iniciou também uma nova fase de pintura, com belíssimos quadros. Nascia uma nova Annie Haslam nas Artes Plásticas para concretizar as combinações de sons, cores e vibrações harmônicas. "São pinturas altamente inspiradas e tiradas das suas mais íntimas intuições criativas e experiências espirituais", revela.

Inesperado Show de Despedida

Em 1986, o grupo Renaissance fez sua última apresentação, na Academia de Música na Philadelphia, EUA, que resultou um histórico CD "Unplugged", que só foi lançado 13 anos depois. A publicação do álbum ocorreu em 1999, contendo todas as faixas ao vivo na linda voz de Annie Haslam, recordando os bons e velhos tempos da banda. Houve outros lançamentos inéditos resgatando os melhores momentos do grupo com sua antiga formação. Confira mais em Renaissance III e o Boletim.

DISCOGRAFIA

Por ser extensa a obra da segunda fase do grupo, seguem apenas os nomes dos álbuns, lançados oficialmente, no período de 1972 a 1983. Com asteriscos (*) foram lançados no Brasil.

Álbuns de Estúdio
Álbuns ao Vivo
Compilação
Relançamentos (Reedições)
Extras
Raridades
Projeto (dueto especial: Annie Haslam/Michael Dunford)
Box-Set (Caixas)

Banda Renaissance (2a.fase)
DISCOGRAFIA COMPLETA
  1. PROLOGUE (1972)*
  2. ASHES ARE BURNING (1973)*
  3. TURN OF THE CARDS (1974)
  4. SCHEHERAZADE AND THE OTHER STORIES (1975)
  5. LIVE AT CARNEGIE HALL (ao vivo, 1976)
  6. NOVELLA (1977)*
  7. A SONG FOR ALL SEASONS (1978)*
  8. IN THE BEGINNING (compilação, 1978)*
  9. AZURE D´OR (1979)*
  10. ROCK GALAXY (compilação, 1980)
  11. CAMERA CAMERA (1981)
  12. NEVADA (Projeto, 1981)
  13. TIME-LINE (1983)

© Jornalista Robson Florencio Paim - [email protected]
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