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Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso.

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MOHAMMAD, O PROFETA DE DEUS

UMA BREVE BIOGRAFIA


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Nos anais da hist�ria da humanidade, em todas as �pocas e lugares, jamais faltou pessoas que tenham devotado suas vidas �s reformas sociais e religiosas de seus povos. Na �ndia, viveram   aqueles que transmitiram ao mundo os Vedas e  tamb�m l�  viveu Sidarta  Gautama. Na China, houve Conf�cio. A Babil�nia deu ao mundo um dos maiores  reformadores,  o Profeta Abra�o   (sem falar em  seus ancestrais como Enoch e No�, sobre os quais temos poucas informa��es).  O povo  judeu pode, muito justamente, se orgulhar de uma longa s�rie de reformadores: Mois�s, Samuel, Davi, Salom�o e Jesus, entre  outros.

Dois aspectos devem ser  observados. Em  primeiro   lugar, esses  reformadores,  de um modo geral, reivindicaram ser os portadores de uma miss�o divina  e legaram  livros sagrados que incorporavam c�digos de  vida para orienta��o de  seus povos. Em segundo   lugar, em decorr�ncia de guerras fratricidas, massacres e genoc�dios, houve, mais ou menos, uma completa perda dessas mensagens divinas.  Quanto aos livros de Abra�o, deles apenas  conhecemos o nome e quanto aos de Mois�s, registros nos d�o conta de que foram repetidamente destru�dos e apenas parcialmente restaurados.

Conceito de Deus

O homem sempre teve consci�ncia da exist�ncia de um Ser  Supremo, o Mestre e Criador de tudo. Os m�todos e abordagens podem ter diferido, mas os povos de cada �poca deixaram provas de suas tentativas de submiss�o a Deus. A comunica��o entre o Deus  Onipresente, ainda que invis�vel,  em conex�o com uma fra��o pequena de  homens de esp�ritos nobres e exaltados, tamb�m foi reconhecida como poss�vel. Fosse essa comunica��o sob a forma de uma encarna��o da Divindade, ou simplesmente a recep��o das mensagens divinas  (atrav�s de inspira��o ou revela��o), o objetivo em cada caso era a orienta��o das pessoas. Era natural que as interpreta��es e explica��es de certos sistemas devessem se mostrar mais vitais e convincentes do que outros.

Cada sistema do pensamento metaf�sico se desenvolve com sua pr�pria terminologia. No curso do tempo, os termos adquirem um significado n�o compreendido na palavra e, assim, as tradu��es n�o conseguem transmitir o verdadeiro sentido da mensagem. No entanto, n�o h� outro m�todo para fazer pessoas de um grupo compreender os pensamentos de outro grupo. Leitores n�o mu�ulmanos, em particular, devem ter em mente este aspecto que � uma desvantagem real, ainda que inevit�vel.

Ao final do s�culo VI d.C, os homens j� haviam alcan�ado grande progresso em diversos setores da vida. Naquela �poca, havia algumas religi�es que abertamente se proclamavam destinadas a  apenas alguns grupos e ra�as de homens e claro que elas n�o traziam em si qualquer rem�dio para os males da humanidade. Havia tamb�m umas poucas que reivindicavam a universalidade, mas declaravam que a salva��o do homen est� na ren�ncia a este mundo. Eram as religi�es da elite e abrangiam um pequeno n�mero de pessoas.

Ar�bia

Uma leitura cuidadosa do mapa do hemisf�rio como um todo (do ponto de vista da propor��o terra/ mar), mostra a pen�nsula ar�bica na conflu�ncia de tr�s grandes continentes: asi�tico, africano e europeu. Na �poca de que tratamos, esse extenso subcontinente ar�bico, composto em sua maior parte de �reas des�rticas, era habitado por povos instalados em acampamentos, da mesma forma que os povos n�mades. Muitas vezes, membros de uma mesma tribo se dividiam em outros grupos e, muito embora mantivessem uma rela��o, seguiam diferentes modos de vida. Os meios de subsist�ncia na Ar�bia eram escassos. O deserto tinha suas desvantagens e o com�rcio das caravanas era mais importante do que a agricultura ou a ind�stria. Isso exigia muitas viagens e os homens tinham que ir al�m da pen�nsula, para a S�ria, Egito, Abiss�nia, Iraque, India e outras terras.

Na Ar�bia Central, estava localizado o I�men, muito justamente conhecida como Ar�bia Felix. Na �poca do profeta, o I�men estava dividido em in�meros principados e ocupado em parte por invasores estrangeiros. Os sass�nidas da P�rsia, que tinham penetrado o I�men, j� tinham obtido a posse da Ar�bia Oriental. Havia um caos s�cio-pol�tico na capital (Madain), com reflexos em todos os seus territ�rios. A Ar�bia do Norte havia sucumbido �s influ�ncias bizantinas e  enfrentava  seus pr�prios problemas. Somente a Ar�bia Central permanecia  imune aos efeitos desmoralizantes da ocupa��o estrangeira.

Nesta  �rea limitada da Ar�bia  Central, a exist�ncia do tri�ngulo Meca-Ta'if-Medina parecia alguma coisa providencial. Meca, des�rtica, privada de �gua e de outros encantos dos aspectos f�sicos, representava a �frica e o ardente deserto  do Saara. A umas poucas milhas dali, Ta'if apresentava um quadro da Europa e suas geadas. Medina, ao norte, n�o era menos f�rtil do que a maior parte dos pa�ses asi�ticos como a S�ria, por exemplo. Se o clima tem alguma influ�ncia sobre o car�ter do ser humano, este tri�ngulo, mais do que qualquer outra regi�o da terra, era uma reprodu��o miniaturizada do mundo todo.

E nesse lugar nasceu Mohammad, o Profeta do Islam.

Religi�o

Do ponto de vista da religi�o, a Ar�bia era id�latra e apenas uns poucos indiv�duos haviam abra�ado uma religi�o. O povo de Meca tinha no��o de um Deus �nico, mas acreditava tamb�m que os �dolos tinham poder para interceder junto a Ele.   Curiosamente, n�o acreditavam na ressurrei��o e na vida ap�s a morte. Eles tinham preservado o ritual da peregrina��o � Casa de Deus, a Caaba,  uma institui��o constru�da sob inspira��o divina por seu ancestral Abra�o. Os 2 000 anos que os separavam de Abra�o haviam transformado a peregrina��o em um espet�culo de feira comercial e uma oportunidade de idolatria sem sentido, que longe de produzir qualquer bem, somente servia para degradar seu comportamento, tanto social como espiritual.

Sociedade

Apesar da pobreza em recursos naturais, Meca era o mais desenvolvido dos tr�s pontos do tri�ngulo. Meca era uma cidade-estado, governada por um conselho de dez chefes heredit�rios, que usufru�am uma clara divis�o de poder. Os chefes de caravanas gozavam de boa reputa��o e tinha permiss�o para visitar os imp�rios vizinhos para efetuar neg�cios. Embora n�o muito interessados na preserva��o das id�ias e no registro escrito, eles cultivavam as artes e as letras, como, por exemplo, a poesia, a orat�ria e as lendas.

O Nascimento do Profeta

Estas eram as condi��es e o ambiente em que Mohammad nasceu, em 569 d.C. Seu pai, 'Abdullah havia morrido algumas semanas antes de seu nascimento e foi seu av� quem cuidou dele. De acordo com os costumes, ele foi confiado � uma m�e-de-leite bedu�na, com quem passou muitos anos no deserto. Aos seis anos ele perde sua m�e, quando voltava de uma viagem de Medina. Aos oito anos, esse seu av� morre e seu tio, Abu Talib, passa a cuidar dele. Apesar de ser um homem generoso por natureza, Abu Talib era muito pobre e mal conseguia sustentar sua fam�lia.

Assim, Mohammad teve que come�ar a trabalhar cedo para ganhar seu sustento. Trabalhou como pastor para alguns vizinhos. Aos dez anos, acompanhou seu tio numa caravana � S�ria.

Aos vinte e cinco anos, era conhecido na cidade pela integridade de sua disposi��o e honestidade de seu car�ter. Uma vi�va rica, Khadija, contratou seus servi�os para vender suas mercadorias na S�ria. Fascinada com o lucro incomum que ela havia obtido e tamb�m encantada pelo car�ter de Mohammad, ela lhe prop�s casamento. H� relatos de sua presen�a na feira de Hubashah (I�men), e, pelo menos, uma vez no Bahrain, conforme mencionado por Ibn Hanbal.

In�cio da Consci�ncia Religiosa

Quando o Mensageiro de Allah estava com 35 anos, os coraixitas come�aram a reconstruir a Caaba. Era um pr�dio baixo  de  pedras brancas, medindo cerca de 6,30 m de altura. Tamb�m n�o tinha teto, o  que dava f�cil acesso de ladr�es aos seus tesouros. Por outro lado, o desgaste do tempo havia enfraquecido e rachado suas paredes. Algum tempo antes, tinha havido uma grande enchente em Meca, que quase demoliu a Caaba.  Os coraixitas foram obrigados a reconstruir para proteger sua santidade e posi��o. Decidiu-se usar na constru��o somente dinheiro l�cito,   assim todo o recurso proveniente da  prostitui��o, da usura ou de pr�ticas   ilegais est� exclu�do. As paredes foram demolidas at� ser encontrada a base feita por Abra�o. Quando come�aram  a levantar as novas paredes,  o trabalho foi dividido entre as tribos. Cada uma foi respons�vel pela reconstrua��o de uma parte. As pedras foram colecionadas e o trabalho come�ou em completa harmonia,  at� a hora de se colocar a Pedra Negra no lugar adequado. Os desentendimentos come�aram entre os l�deres e durou  por 4 ou  5 dias, cada um deles reivindicando a honra de colocar a pedra em sua posi��o. Felizmente,  o  mais  velho d entre os chefes, fez uma    proposta que foi aceita pelos outros.   Ele disse:   "Aquele que  entrar no templo em primeiro  lugar decidir� o local correto. E Mohammad foi  o primeiro  a entrar na mesquita. Ao   v�-lo,  todos  clamaram  a  uma s�  voz:  "Al Ameen (o confi�vel)  chegou.  Ficaremos felizes em  cumprir o que ele decidir." E  Mohammad aceitou o  encargo e usou de um expediente para conciliar a todos. Ele pediu um manto, que foi esticado sobre  o ch�o,  e   a pedra  foi  colocada no centro. Em   seguida,   ele pediu aos representantes dos diversos cl�s para que todos juntos levantassem o manto com a pedra. Quando chegou no  local apropriado, Mohammad a colocou em um dos �ngulos do pr�dio e todos ficaram satisfeitos.   E, dessa maneira, uma situa��o tensa foi facilmente resolvida com sabedoria pelo Profeta

A partir desse momento, Mohammad   se torna mais e mais absorto em medita��es espirituais. Da mesma forma que seu av�, ele costumava se retirar durante todo o m�s de Ramad� na caverna de Hira. L�, ele orava, meditava e dividia suas magras provis�es com os viajantes que passavam por ali.

Revela��o

Ele estava com quarenta anos e h� cinco anos vinha fazendo seus retiros anuais, quando  uma noite, ao final do m�s do  Ramad�, um anjo veio visit�-lo e anunciou que Deus o havia escolhido como Seu mensageiro para toda a humanidade. O anjo lhe ensinou o modo das ablu��es, a forma de adora��o a    Deus e a conduta nas ora��es. E lhe comunicou a seguinte mensagem divina:

"Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso. L�,   em  nome do teu Senhor Que criou; Criou o homem de algo que se agarra.   L�, que o teu Senhor � Generos�ssimo, Que ensinou atrav�s do c�lamo,   Ensinou ao homem o que este  n�o sabia." (Alcor�o 96:1-5)

Transtornado com o ocorrido, ele voltou para casa e contou � esposa o que havia acontecido, temendo que pudesse ser alguma coisa diab�lica ou a a��o de esp�ritos mal�volos. Ela o consolou, dizendo que ele sempre fora um homem generoso, caridoso, ajudava os pobres, �rf�os, as vi�vas e necessitados e garantiu-lhe que Deus o   protegeria de todo o mal contra ele.

Ent�o, veio uma pausa nas revela��es, que durou mais de tr�s anos. O Profeta deve ter sentido de in�cio um choque, depois uma calma, um desejo ardente e ap�s um per�odo de espera, uma crescente impaci�ncia ou nostalgia. A not�cia da primeira vis�o havia se espalhado e com a interrup��o das mensagens, os c�ticos da cidade come�aram a escarnecer dele. Chegaram a ponto de dizer que Deus o havia abandonado.

Durante os tr�s anos de espera, o Profeta se dedicou mais e mais �s preces e  pr�ticas espirituais. As revela��es, ent�o, recome�aram e Deus lhe assegurou que Ele n�o o tinha abandonado em absoluto, pelo contr�rio, era Ele Quem o tinha guiado no caminho correto: portanto, ele deveria cuidar dos �rf�os e destitu�dos e proclamar a generosidade de Deus sobre ele (Alcor�o 93:3-11). Esta era, na verdade, uma ordem para iniciar a prega��o. Uma outra revela��o o orientou a advertir as pessoas contra as pr�ticas erradas, a exort�-los para a adorar somente ao Deus �nico e a abandonar tudo o que pudesse desagradar a Deus (Alcor�o 74:2-7). Contudo, uma outra revela��o ordenou que ele advertisse seus pr�prios parentes mais pr�ximos (Alcor�o 26:214) e: "Proclama, pois, o que te tem sido ordenado e afasta-te dos id�latras. Porque somos-te Suficiente contra os escarnecedores." (Alcor�o 15:94-5). De acordo com Ibn Ishaq, a primeira revela��o chegou ao Profeta durante seu sono, evidentemente para reduzir o choque. Mais tarde, as revela��es chegavam em estado de total consci�ncia.

A Miss�o

O Profeta come�ou a pregar sua miss�o secretamente, primeiro entre os amigos mais �ntimos e depois entre os membros de sua pr�pria tribo e, mais tarde, publicamente na cidade e vizinhan�as. Ele insistia na cren�a de Um Deus Transcendente, na Ressurrei��o e no Dia do Julgamento. Ele convidou os homens a praticarem a caridde e a benemer�ncia. Ele cuidou para preservar, atrav�s da escrita, as revela��es que ele recebia e orientou seus adeptos a decorarem os vers�culos. E assim foi durante toda a sua vida, tendo em vista que o Alcor�o n�o foi revelado de uma s� vez.

O n�mero de adeptos foi aumentando gradualmente, mas, com a den�ncia de paganismo, a oposi��o tamb�m cresceu por parte daqueles que estavam firmemente presos �s cren�as dos ancestrais. Esta oposi��o acabou se transformando em tortura f�sica do Profeta e daqueles que haviam abra�ado a religi�o. Eles eram estirados sobre a areia escaldante, queimados com ferro incandescente e amarrados com correntes nos p�s. Alguns deles morreram sob os efeitos da tortura mas ningu�m renunciava � religi�o. Em desespero, o Profeta Mohammad aconselhou seus companheiros a abandonarem a cidade e se refugiarem fora, na Abiss�nia, "onde reina um governante justo, em cujos dom�nios ningu�m � oprimido" (Ibn Hisham). Dezenas de mu�ulmanos aceitaram seu conselho e migraram para a Abiss�nia. Essas fugas secretas levaram a mais persegui��o aos que permaneceram em Meca.

O Profeta Mohammad foi orientado a chamar essa religi�o de "Islam", isto �, submiss�o � vontade de Deus. Suas caracter�sticas distintas s�o:

1. Um equil�brio harmonioso entre o temporal e o espiritual (o corpo e a alma), permitindo uma satisfa��o completa de todo o bem que Deus criou (Alcor�o 7:32), determinando, ao mesmo tempo, responsabilidades para com Deus, tais como a adora��o, o jejum, a caridade, etc. O Islam veio para ser a religi�o das massas e n�o simplesmente de um eleito.

2. A universalidade do chamado - todos os crentes s�o irm�os e iguais, sem distin��o de classe ou ra�a ou nacionalidade. A �nica superioridade que se reconhece � a pessoal, baseada no temor maior a Deus (Alcor�o 49:13)

Boicote Social

Quando um grande n�mero de mu�ulmanos migraram de Meca para a Abiss�nia, os l�deres pag�os enviaram um ultimato � tribo do Profeta, exigindo que ele fosse excomungado, proscrito e enviado a eles para ser condenado � morte. Todos os membros da tribo, mu�ulmanos e n�o mu�ulmanos, rejeitaram o pedido (conforme Ibn Hisham). Por causa disso, a cidade decidiu impor um boicote total � tribo. Ningu�m podia falar com eles ou ter rela��es comerciais e/ou matrimoniais com eles. O grupo das tribos �rabes, chamado Ahabish, que morava nas vizinhan�as aderiu ao boicote, provocando completa mis�ria entre as v�timas inocentes, entre crian�as, mulheres, idosos, doentes e fracos. Alguns deles n�o resistiram e morreram mas ningu�m entregava o Profeta a seus perseguidores. Um tio do Profeta, Abu Lahab, abandonou a tribo e participou do boicote se juntando aos pag�os. Ap�s tr�s terr�veis anos, durante os quais as v�timas eram obrigadas a devorar at� couro esmagado, quatro ou cinco n�o mu�ulmanos, mais humanos do que o resto e pertencentes a diferentes cl�s, proclamaram publicamente sua condena��o ao boicote injusto. Ao mesmo tempo, o documento promulgando o pacto do boicote que tinha sido firmado no templo foi encontrado, conforme Mohammad tinha predito, comido pelas formidas que pouparam somente as palavras Deus e Mohammad. O boicote foi levantado, contudo, devido �s priva��es, a esposa, Khadijah, e Abu Talib, o chefe da tribo e tio do Profeta, morreram logo em seguida. Um outro tio do Profeta, Abu Lahab, que era um inimigo declarado do Islam, assumiu a lideran�a da tribo (conforme Ibn Hisham)

A Ascen��o

Foi por esse �poca que o Profeta fez o mi'raj (ascen��o). Ele teve uma vis�o em que era recebiddo no c�u por Deus e testemunhava todas as maravilhas das regi�es celestiais. Ao voltar, ele trazia para a sua comunidade um presente divino, o ritual da prece  (salat), que se constitui em uma esp�cie de comunh�o entre Deus e o homem. O termo crist�o "comunh�o" significa participa��o na divindade. Por achar isso pretensioso, os mu�ulmanos usam o termo "ascen��o" a Deus e acolhimento em Sua presen�a, Deus permanecendo Deus e o homem permanecendo homem.

A not�cia desse encontro celestial levou a um aumento nas hostilidades dos pag�os de Meca e o Profeta foi obrigado a deixar sua cidade natal e procurar asilo em outro lugar. Ele procurou seu tio materno em Ta�if mas voltou porque as pessoas perversas daquela cidade o afugentaram de l�, atirando pedras e ferindo-o.

Migra�ao para Medina

A peregrina��o anual � Caaba trouxe a Meca pessoas de todos os lugares da Ar�bia. O Profeta Mohammad tentou convencer uma tribo ap�s outra a dar-lhe abrigo e permitir-lhe cumprir sua miss�o de reforma. Cerca de 15 tribos se recusaram   mas ele n�o se desistiu. Finalmente, encontrou meia d�zia de habitantes de Medina que, sendo pr�ximos aos judeus e crist�os, tinham uma no��o dos profetas e das mensagens divinas. Eles sabiam tamb�m que "o povo do livro" estava esperando a chegada de um profeta - o �ltimo confortador. Assim, aqueles homens n�o perderam a oportunidade e prometeram conseguir mais adeptos e a ajuda necess�ria em Medina. No ano seguinte, mais doze apresentaram seu compromisso de obedi�ncia ao Profeta e pediram que lhes mandasse um professor mission�rio. O trabalho  do  mission�rio  (mus'ab) se   mostrou frut�fero  e  acabou por  levar  um contingente de 73 novos convertidos a Meca, por ocasi�o da peregrina��o. Eles convidaram o Profeta e seus companheiros em Meca a migrarem para Medina e prometeram abrigar o Profeta e a trat�-lo e a seus companheiros como seus parentes. Secretamente, e em pequenos grupos, a maior parte dos mu�ulmanos migraram para Medina. Os pag�os de Meca confiscaram os bens dos migrantes e planejaram uma conspira��o para assassinar o Profeta. Agora era imposs�vel para ele permanecer na cidade. Vale ressaltar que, apesar dessa hostilidade dos pag�os para com o Profeta, eles tinham uma confian�a ilimitada na sua probidade, tanto que alguns costumavam guardar suas economias com ele. O Profeta confiou aqueles dep�sitos a Ali, seu primo, com a orienta��o de devolv�-los a seus leg�timos donos. Ele, ent�o, deixou a cidade secretamente na companhia de sua fiel amigo Abu Bakr. Ap�s alguns incidentes, eles conseguiram alcan�ar Medina a salvo. Isto aconteceu no ano de 622, que ficou conhecido como o ano da H�gira, in�cio do calend�rio mu�ulmano.

Reorganiza��o da comunidade

Para uma melhor adapta��o dos imigrantes, o Profeta criou la�os de fraternidade entre eles e os moradores da cidade. Cada imigrante ganhou uma fam�lia e esses irm�os trabalhavam juntos para ganharem o sustento e se ajudavam mutuamente.

Al�m disso, ele achava que o desenvolvimento do homem como um todo seria melhor alcan�ado se religi�o e pol�tica fossem partes de um todo. Para esse fim ele convidou os representantes dos mu�ulmanos assim como dos n�o mu�ulmanos habitantes da regi�o. �rabes, judeus, crist�os e outros, e sugeriu o estabelecimento da Cidade-estado em Medina. Dotou a cidade de uma constitui��o escrita - a primeira dessa esp�cie no mundo - na qual direitos e deveres foram definidos tanto para cidad�os como para os chefes de estado, e a habitual justi�a privilegiada foi abolida. A administra��o da justi�a tornou-se a preocupa��o da organiza��o central da comunidade de cidad�os.  O documento estabelecia princ�pios de defesa e de pol�tica estrangeira. Reconhecia que o Profeta teria a palavra final em todas as quest�es divergentes e que n�o havia limites em seu poder de legislar. Reconhecia, tamb�m, a liberdade de religi�o, principalmente para os judeus, a quem o ato constitucional garantia igualdade com mu�ulmanos em todos os aspectos da vida.

Mohammad viajou muitas vezes com vistas a ganhar adeptos nas tribos vizinhas e assinar com elas tratados de alian�a e m�tua ajuda. Com a ajuda dessas tribos, ele decidiu fazer press�o econ�mica aos pag�os de Meca que tinham confiscado os bens dos mu�ulmanos migrantes e tamb�m haviam causado preju�zos enormes. Come�aram as obstru��es das caravanas a caminho de Meca, com desvio para a regi�o de Medina. Os habitantes de Meca se irritaram, resultando uma luta sangrenta.

Ainda que houvesse a preocupa��o com os interesses materiais da comunidade, os aspectos espirituais jamais foram negligenciados. Um ano j� havia se passado desde a H�gira e a mais rigorosa disciplina espiritual havia sido imposta a todo mu�ulmano adulto, homem ou mulher.

Luta contra a intoler�ncia e a descren�a

N�o contentes com a expuls�o de seus compatriotas mu�ulmanos, os cidad�os de Meca enviaram um ultimato aos de Medina, exigindo a rendi��o ou, pelo menos, a expuls�o de Mohammad e de seus companheiros. Alguns meses mais tarde, no ano 2 da H�gira, eles mandaram um ex�rcito poderoso contra o Profeta, que os enfrentou em Badr; e os pag�os, tr�s vezes mais numerosos do que os mu�ulmanos, foram derrotados. Um ano depois, eles voltaram e invadiram Medina para vingar a derrota de Badr. Ap�s um confronto sangrento em Uhud, o inimigo se retirou, mas a quest�o permanecia pendente. Os mercen�rios do ex�rcito de Meca n�o queriam se arriscar ou se expor ao perigo.

Nesse meio tempo, os judeus de Medina come�aram a fomentar a disc�rdia. Por ocasi�o da vit�ria de Badr, um de seus l�deres, Ka'b ibn al-Ashraf,  foi at� Meca dar seu apoio aos pag�os e incit�-los � revanche. Ap�s a batalha de Uhud, a tribo desse mesmo l�der planejou matar o Profeta e n�o conseguiu. Como puni��o, a �nica exig�ncia do Profeta foi que aquela tribo abandonasse a regi�o de Medina, levando com eles todos os seus bens e o que n�o puderam levar, venderam e quitaram seus d�bitos com os mu�ulmanos. Apesar  desse gesto de clem�ncia, os exilados contataram os habitantes de Medina e as tribos do norte, sul e leste e mobilizaram ajuda militar, com o fim de invadirem Medina. Partiram de Khaibar com for�as quatro vezes mais numerosas do que aquelas empregadas em Uhud. Os mu�ulmanos se prepararam para o s�tio, cavaram um fosso para se defenderem. Ainda que a deser��o em Medina permanecesse, foi com uma diplomacia sagaz que o Profeta  conseguiu quebrar a tal alian�a e os diferentes grupos se retiraram um ap�s o outro.

Foi nessa �poca que as bebidas alco�licas e o jogo foram proibidos aos mu�ulmanos.

A reconcilia��o

O Profeta tentou mais uma vez se reconciliar com Meca e foi at� l�. A barreira imposta �s caravanas que vinham do norte havia arruinado sua economia. O Profeta prometeu a eles tr�nsito seguro, extradi��o de seus fugitivos e o cumprimento de todas as condi��es que eles desejassem. Assim, foi assinado o acordo de Hudaibiyah, nos sub�rbios de Meca, que previa a manuten��o da paz e a observ�ncia de neutralidade nos conflitos com terceiros.

Aproveitando os momentos de paz, o Profeta iniciou um programa intenso de propaga��o de sua religi�o. Ele enviou mensagens aos reinos de Biz�ncio, Ir�, Abiss�nia e a outros territ�rios. O sacerdote bizantino abra�ou o Islam mas, por causa disso, foi linchado pelos crist�os. O prefeito de Ma'an (Palestina) teve o mesmo destino e foi decapitado e crucificado por ordem do imperador. Um embaixador mu�ulmano foi assassinado na S�ria-Palestina e, ao inv�s de punir o culpado, o Imperador Her�clio mandou suas tropas proteg�-lo contra a expedi���o enviada pelo Profeta (batalha de Mu'tah).

Os habitantes de Meca, esperando se aproveitarem das dificuldades dos mu�ulmanos, violaram os termos do tratado assinado com o Profeta. Ent�o, chefiando um ex�rcito de mu�ulmanos ele surpreendeu Meca que foi ocupada sem viol�ncia ou derramamento de sangue. Como um conquistador benevolente, ele reuniu o povo vencido, lembrou-lhes as m�s a��es, a persegui��o religiosa, o confisco injusto dos bens dos que migraram para Medina, as invas�es incessantes e as hostilidades sem sentido por vinte anos consecutivos. E, ent�o, lhes perguntou: "Agora, o que voc�s esperam de mim?"  Quando todos baixaram a cabe�a com vergonha, o Profeta declarou: "Que Deus os perdoe, v�o em paz, voc�s est�o livres!" Ele sequer reivindicou a posse das propriedades dos mu�ulmanos, confiscadas pelos pag�os. Esta atitude produziu uma grande mudan�a psicol�gica no �nimo de todos. Quando o chefe de Meca, ap�s ouvir essa anistia geral, se dirigiu ao Profeta para declarar a aceita��o do Islam, ele lhe disse: "E, por meu lado, indico voc� como governador de Meca!"  Sem deixar um �nico soldado na cidade conquistada, ele se retirou para Medina.

Logo ap�s a ocupa��o de Meca, a cidade de Ta'if se mobilizou para lutar contra o Profeta. O inimigo estava disperso no vale de Hunain, mas os mu�ulmanos preferiram levantar um cerco pr�ximo  Ta'if e usar de meios pac�ficos para quebrar a resist�ncia daquela regi�o. Menos de um ano mais tarde, uma delega��o de Ta'if chegou a Medina, oferecendo a submiss�o. Mas, queria a isen��o das preces, das taxas e servi�o militar, e a liberdade para o adult�rio, a fornica��o e a bebida alco�lica. Queriam, ainda, a conserva��o do templo dedicado ao �dolo al-Lat em Ta'if. Mas, o Islam n�o era um movimento materialista imoral e logo a delega��o se sentiu envergonhada de suas exig�ncias em rela��o �s preces, ao adult�rio e ao vinho. O Profeta cedeu na isen��o do pagamento de taxas e na presta��o do servi�o militar e acrescentou: "Voc�s n�o precisam demolir o templo com suas pr�prias m�os; enviarei daqui quem fa�a esse servi��o e se houver qualquer consequ�ncia, por causa de suas supersti��es, ser�o eles quem sofrer�o." Este gesto do Profeta mostra quais as concess�es que podem ser feitas aos novos convertidos. A convers�o de Ta'if era t�o sincera que em pouco tempo eles pr�prios renunciaram �s concess�es contratadas e o Profeta indicou um coletor de impostos para a localidade.

Em todas essas "guerras" que se estenderam por um per�odo de mais de 10 anos, os n�o mu�ulmanos perderam nos campos de batalha cerca de 250 pessoas e as perdas mu�ulmanas foram menores. E com essas poucas incis�es a pen�nsula ar�bica foi curada da anarquia e da imoralidade. Durante esses 10 anos de lutas, os povos da pen�nsula e das regi�es sul do Iraque e da Palestina aceitaram voluntariamente o Islam. Alguns grupos de crist�os, judeus e persas permaneceram vinculados a seus credos e lhes foi garantida a liberdade de consci�ncia assim como autonomia jur�dica e jurisdicional.

No ano 10 da H�gira, quando o Profeta fez a peregrina��o (hajj) a Meca, ele encontrou 140.000 mu�ulmanos l�, vindos de diferentes partes da Ar�bia, cumprindo sua obriga��o religiosa. Dirigiu a eles  o seu famoso serm�o, no qual fez um resumo de seus ensinamentos: "Cren�a em um s� Deus, sem imagens ou s�mbolos, igualdadde entre todos os crentes, sem distin��o de ra�a ou classe, a superioridade do ser humano basea-se unicamente na piedade, santidade de vida, propriedade e honra, aboli��o do juro, das vingan�as e da justi��a privilegiada, melhor tratamento para as mulheres, obrigatoriedade da heran�a e distribui��o dos bens do falecido entre os parentes pr�ximos de ambos os sexos e elimina��o da possibilidade de acumula��o de riqueza nas m�os de uns poucos."

O Alcor�o e a conduta do Profeta servem como bases do direito e de um crit�rio saud�vel em todos os aspectos da vida.

Quando ele voltou a Medina,   caiu doente e poucas semanas mais tarde morreu com a plena convic��o de que tinha desempenhado a tarefa para a qual  havia sido escolhido por Deus - pregar para o mundo a mensagem divina.

Ele legou para a posteridade, uma religi�o de puro monote�smo, criou um estado disciplinado e trouxe a paz ao inv�s da guerra de todos contra todos, estabeleceu um equil�brio harmonioso entre o espiritual e o temporal, entre a mesquita e a cidade, deixou um novo sistema de leis, que prov� uma justi�a imparcial, pela qual at� os chefes de estado devem se submeter e na qual a toler�ncia religiosa � t�o grande que os habitantes n�o mu�ulmanos dos pa�ses mu�ulmanos usufru�am igualmente de completa autonomia cultural, jur�dica e jurisdicional. Na quest�o dos ganhos do estado, o Alcor�o fixou os princ�pios do or�amento e distribui��o das rendas. Acima de tudo, o Profeta Mohammad foi um exemplo e praticou tudo o que ele ensinou a todos.

 

Baseado em   "Introdu��o ao Islam", de Muhammad Hamidullah

 

 

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