
Em nome de Deus, o Clemente, o Misericordioso
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OS TURCOS
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A entrada dos turcos selj�cidas na �sia ocidental, na segunda metade do s�culo XI, constituiu-se em um dos maiores acontecimentos da hist�ria mundial. Acrescentou uma terceira na��o ao Islam dominante, depois dos �rabes e persas, prolongou a vida de um califado moribundo por mais duzentos anos, tirou a �sia Menor do cristianismo e abriu o caminho para a invas�o da Europa pelos otomanos. Permitiu, ainda, que os mu�ulmanos ortodoxos aniquilassem o ismailismo e p�s fim � domina��o pol�tica dos �rabes no Oriente Pr�ximo, difundiu a l�ngua e cultura persas por uma vasta �rea, desde a Anat�lia at� ao norte da �ndia, representou uma grave amea�a aos poderes crist�os, e impeliu o ocidente a empreender a contra-ofensiva das Cruzadas.
As primeiras na��es turcas surgiram em meados do s�culo VI, quando constru�ram um imp�rio n�made de vida curta nas estepes da �sia, conhecidas como Turquest�o, a terra dos turcos. Quando o imp�rio se fragmentou em v�rias confedera��es, segmentos da ra�a turca, sob uma quantidade espantosa de nomes, espalharam-se sobre uma grande �rea, desde os Uighurs, que j� haviam sido da Mong�lia, at� �s estepes russas. Apesar das grandes diferen�as entre eles - alguns com influ�ncia chinesa, outros com influ�ncia persa, alguns eram n�mades, outros eram sedent�rios -, todos falavam dialetos do mesmo tronco, tinham as mesmas tradi��es e lendas folcl�ricas e professavam o xamanismo, religi�o que se baseava na cren�a de que os esp�ritos bons e maus eram dirigidos por xam�s. Calculavam o tempo de acordo com um ciclo de doze anos, com nomes de animais, como o ano da Pantera, o ano do Cavalo, o ano da Lebre, etc.
O Oxus foi a fronteira tradicional entre a civiliza��o e o barbarismo na �sia Ocidental, entre o Ir� e o Turan, e a lenda persa, em forma de um grande �pico, o Shah-namah, falava das batalhas her�icas dos iranianos contra o rei turaniano, Afrasi-yab, que, depois de perseguido, ia morrer no Azerbaij�o. Quando os �rabes cruzaram o Oxus, depois da queda dos sass�nidas, eles cuidaram do khan, contra os n�mades b�rbaros.
As tribos turcas estavam desorganizadas politicamente e n�o foram capazes de opor uma resist�ncia unificada aos �rabes, que, assim, conseguiram chegar at� ao rio Talas. Por aproximadamente tr�s s�culos, a Transoxiana, ou como os �rabes a chamavam, Ma Wara l-Nahar, "a que est� al�m do rio", foi uma terra pr�spera, livre de incurs�es n�mades mais s�rias, e cidades como Samarcanda e Bucara ganharam fama e riqueza.
A partir do s�culo IX em diante, os turcos come�aram a entrar no califado como escravos ou aventureiros, servindo como soldados, infiltrando-se, assim, no mundo isl�mico como os germanos haviam feito com o Imp�rio Romano. O califa Mu'tasim foi o primeiro a se cercar de uma guarda turca. Os oficiais turcos ascenderam a altos postos, comandando ex�rcitos, governando prov�ncias, e reinando como pr�ncipes independentes: assim, Ahmad ibn Tulun ocupou o poder no Egito, em 868, e uma segunda fam�lia turca, os ikhshididas (do iraniano ikkshid, que significa pr�ncipe), que dirigiram o pa�s, de 933 at� a conquista fatimida em 969. A desintegra��o do califado ab�ssida deu espa�o para essa pol�tica aventureira. Quando a autoridade do califa ab�ssida enfraqueceu-se na distante fronteira oriental, a tarefa foi assumida pelos sam�nidas, talvez a mais brilhante das dinastias que surgiu depois dos ab�ssidas. No final, mostrou ser um fardo pesado, e o colapso sam�nida, na �ltima parte do s�culo X, abriu as portas para a enxurrada de tribos n�mades turcas, que se espalharam pelas terras persas e �rabes.
Apesar do breve governo, por pouco mais de cem anos, os sam�nidas fizeram muito pelo imp�rio. De origem persa, estabeleceram um governo forte centralizado no Corass� e na Transoxiana, com sua capital em Bucara, estimularam o com�rcio e a produ��o, patrocinaram o ensino e a divulga��o do Islam de uma forma pac�fica entre os b�rbaros do norte e do leste de seus dom�nios. Foi durante o per�odo sam�nida que os vikings ocuparam a R�ssia e comercializaram suas peles, cera e escravos nos mercados do sul, em troca de tecidos e metais. Uma das principais rotas comerciais da �poca atravessava o territ�rio b�lgaro, uma ra�a turca da regi�o do Volga, e que aceitou o Islam antes de 921, ano em que a miss�o do califa Muktadir visitou-os, fazendo relatos importantes sobre esses povos mu�ulmanos. Os b�lgaros, por sua vez, converteram os russos. � prov�vel que eles tenham sido convertidos por mercadores vindos do reino sam�nida.
Por volta de 956, os selj�cidas converteram-se ao Islam. Assim, o s�culo X vai testemunhar a islamiza��o de uma grande parte dos turcos ocidentais, sob patroc�nio dos sam�nidas, um acontecimento de grande import�ncia.
Apesar da prosperidade do reino, os sam�nidas n�o conseguiram manter a lealdade de seus s�ditos. O despotismo burocratizado era dispendioso e dependia de uma taxa��o pesada para ser mantido. Um de seus governantes, Nasr al-Said, que reinou de 914 a 943, favoreceu o ismailismo e se correspondia com o califa fatimida, Kaim, perdendo, por causa disso, a simpatia dos ortodoxos. Seguindo o exemplo dos ab�ssidas, eles se cercaram de guardas turcos, cuja fidelidade estava longe de estar assegurada. Em 962, um de seus oficiais turcos, Alp-tagin (pr�ncipe her�i), ocupou a cidade e a fortaleza de Ghazna, atual Afganist�o, um rico centro comercial, cujos habitantes tinham enriquecido gra�as ao com�rcio com a �ndia e ao estabelecimento de um principado semi-independente. Ele morreu no ano seguinte e depois um general turco, Sabuk-tagin, conseguiu o controle de Ghazna, fundando uma dinastia que alcan�aria a fama por interm�dio de seu filho, Mahmud. O reino sam�nida se desintegrou, os kara-khanidas, um povo turco de origem desconhecida, capturaram Bucara em 999, enquanto que Mahmud de Ghazna, que havia sucedido seu pai Sabuk-tagin dois anos antes, anexava a grande e pr�spera prov�ncia de Corass�. O governo persa desaparecia ao longo das marchas orientais do Islam e os pr�ncipes turcos reinaram no Corass� e Transoxiana. Impuseram a ordem, permitiram que os oficiais persas permanecessem no governo, protejeram o com�rcio. Eram mu�ulmanos sunitas ortodoxos e se diziam ardentes defensores da f� contra os her�ticos e descrentes.
A fama de Mahmud de Ghazna est� em suas expedi��es � �ndia. Nos trinta anos, entre 1000 d.C e sua morte, em 1030 d.C, ele comandou certa de dezessete ataques ao vale do Indust�o e ao Punjab. Ghazna era uma base fant�stica para esses ataques; o vasto subcontinente hindu era um mos�ico de principados grandes e pequenos; n�o existia um estado forte o suficiente para expulsar o invasor e n�o havia qualquer tra�o de consci�ncia de nacionalidade. Os motivos de Mahmud eram um misto de cupidez e cuidado religioso: quando ele saqueava os templos hindus, dizia estar destruindo a idolatria em nome de Deus e de Seu Profeta, e ele era cumprimentado com honras no califado por causa dos servi�os prestados � f�. Ele combateu os descrentes do Indust�o e os her�ticos ismailitas. Seu feito mais celebrado foi a captura de Somnath, em Gujarat, em 1025, onde ele tomou de assalto o templo de Shiva, um dos mais ricos da �ndia e o destruiu, em meio a uma terr�vel carnificina. A quantidade de prisioneiros foi tal que eles tiveram que ser vendidos como escravos por uma ninharia. Uma parte da riqueza foi usada para promover as artes e o ensino, e a corte de Mahmud foi enriquecida com not�veis obras como as de Firdawsi, o maior poeta �pico persa, de Biruni, o mais distinguido dos cientistas da �poca, e de Utbi, o historiador do reino.
Duas consequ�ncias de grande import�ncia, decorrentes das repetidas incurs�es de Mahmud � �ndia: A primeira foi o colapso da resist�ncia hindu no Punjab, transformando essa prov�ncia numa �rea de assentamento mu�ulmano e expondo toda plan�cie gang�tica �s invas�es vindas do noroeste. Os primeiros ataques aos hindus, na �poca de Mohammad b. Kasim, apenas tinham tocado as bordas de um vasto imp�rio, mas as expedi��es de Mahmud foram mas fundo no Hindust�o, desorganizando suas defesas e abrindo o caminho para os invasores mu�ulmanos, desde os ghuridas at� aos mog�is, que, aos poucos, converteram todo o norte e �ndia central em dom�nios isl�micos. Em segundo lugar, a preocupa��o de Mahmud e de seu filho e sucessor, Mas'ud, com as campanhas na �ndia, n�o lhes deram tempo ou oportunidade para perceber e conferir a firme press�o dos n�mades turcos ao longo do Oxus. Os selj�cidas acabaram transformando-se nos senhores de toda a �sia Ocidental.
As pastagens ao norte dos mares C�spio e Aral, por muito tempo, foram o lar de um grupo de tribos turcas, conhecidas com ghuzz ou oghuz, e mais tarde como turcomanos. Por volta de 950, in�meros cl�s se retiraram da confedera��o de Ghuzz e se estabeleceram em volta do Jand, sob a lideran�a de um chefe chamado Seljuk. Alguns anos mais tarde, trocaram o xamanismo tradicional pelo Islam.
Seljuk � uma figura meio lend�ria. Foi um l�der capaz que transformou seu povo num ex�rcito de primeira classe e por interm�dio de uma diplomacia h�bil, jogou os pr�ncipes vizinhos uns contra os outros. Ele apoiou os sam�nidas contra os kara-khanidas; seu filho, Arslan, criou problemas com Mahmud de Ghazna, a quem ele se vangloriava de ter 100.000 homens submissos ao seu comando, e por causa disso, o ministro de Mahmud aconselhou-o a manter Arslam como ref�m pelo bem de seu povo, alguns dos quais ele havia trazido para o Corass� e estabelecidos em grandes �reas separadas, na esperan�a de que pudessem ser controlados.
Mas, a esperan�a foi em v�o: as tribos
come�aram a atacar o norte da P�rsia e tomar cidades como resgates. Depois da morte de
Mahmud, em 1030, o resto da tribo, chefiada pelos sobrinhos de Arslan, Tughril
Beg e Chaghri Beg, se dirigiram para o Corass� e em 1036 ocuparam Merv e
Hishapur. O filho de Mahmud, Mas'ud, tentando barrar essa
escalada, foi derrotado com pesadas perdas, em Dandankan,
pr�ximo a Merv, em 1040, e saiu de Ghazna. Esta batalha representou, assim, a
funda��o do Imp�rio Selj�cida.
Os selj�cidas foram para o oriente, em dire��o aos
dom�nios decadentes dos buaihidas. As condi��es na P�rsia e no Iraque favoreceram esta
interven��o. O poder pol�tico tinha-se dividido entre os v�rios membros da fam�lia
buaihida. A pol�tica fatimida de desviar o com�rcio com o Oriente, do golfo
P�rsico para o mar Vermelho, tinha empobrecido o estado buaihida. A propaganda ismailita
ajudou a minar a autoridade. N�o havia sa�da pelo Mediterr�neo, uma vez que bizantinos
e fatimidas tinham dividido a S�ria entre eles. Os comerciantes urbanos se ressentiam da
perda do com�rcio e da arrog�ncia da aristocracia militar. Dinastias locais, algumas
�rabes, outras curdas, surgiram rapidamente e minaram a for�a do regime. Mu�ulmanos
ortodoxos impacientavam-se com os governos xi�tas, principalmente aqueles que eram
incapazes de manter a paz e a ordem. Os ab�ssidas, humilhados em sua impot�ncia,
ansiavam por libertar-se desses senhores her�ticos e acabaram por entrar em negocia��es
com Tughril Beg. Uma das cidades da P�rsia, estava em poder dos
selj�cidas. No Iraque, o poder estava com o general buaihida Basasiri,
que pediu ajuda do Cairo, a fim de barrar o avan�o selj�cida. Seguiu-se uma luta
extraordin�ia, com Tughril Beg defendendo o califa ab�ssida, Ka'im, e Basasiri se
esfor�ando para conseguir que o califa fatimida, Mustansir, fosse reconhecido em Bagd�.
Os selj�cidas ocuparam Bagd�, em 1055, mas os excessos e a indisciplina dos homens
provocaram uma rea��o entre a popula��o e os fatimidas perderam Wasit, Mosul e outros
lugares. Tughril recapturou Mosul e voltando a Bagd� foi solenemente recebido por Ka'im,
recebendo o t�tulo de "Rei do Oriente e do Ocidente". Chamado para
debelar uma rebeli�o de seu irm�o mais jovem, Ibrahim, ele n�o conseguiu impedir que
Basasiri recuperasse o controle do Iraque e que se proclamasse o imam fatimida em Bagd�.
Por quarenta sexta-feiras, a khutba (serm�o) era feita na capital ab�ssida, em
nome de Mustansir, do Cairo. Finalmente, em 1060, os selj�cidas reconquistaram Bagd� e
Basasiri foi morto. Tughril Beg recolocou o ab�ssida em seu trono.
Muitas coisas foram decididas neste epis�dio. Primeiro, os fatimidas perderam sua �ltima chance de repetir o sucesso dos ab�ssidas em 750; o frustrado golpe de Basasiri significou que o califa alida ficaria restrito ao Egito e �s terras vizinhas e que n�o conquistariam o dom�nio universal do Islam. Em segundo lugar, a queda dos buaihidas e a chegada dos selj�cidas significaram um grande triunfo para a ordoxia sunita; o poder do estado poderia ser empregado para derrotar o xi�smo de um modo geral e o ismailismo, em particular. Em terceiro, o califado ab�ssida tinha sido restabelecido com uma relativa independ�ncia, mas seu car�ter havia se modificado, e uma nova institui��o - o sultanato - foi criado, num esfor�o para restabelecer a unidade pol�tica do Islam. Para o califado, como uma monarquia central, governando todos os mu�ulmanos, foi uma derrota. Sequer poderia preservar unidade espiritual e religiosa da Ummah: metade do Islam estava em m�os dos fatimidas. Nunca se transformou numa esp�cie da papado, porque a interpreta��o da lei e da f� tinha passado para os Ulama, os doutores e os ju�zes. Contudo, mesmo em sua fraqueza, foi ainda reverenciado pelos novos convertidos turcos, como um s�mbolo da legitimidade religiosa: o sacerd�cio do Profeta conferia autoridade legal aos reis e pr�ncipes mu�ulmanos, a quem, em tese, ele delegara seus poderes. Mahmud de Ghazna ficou satisfeito de conquistar o reconhecimento do califa e seus poetas da corte o chamavam de "Sult�o", uma palavra que, originalmente, significava "poder governamental", mas usado como t�tulo pessoal. Os selj�cidas estavam ansiosos para legitimar seu governo: como estrangeiros e b�rbaros eles eram impopulares entre a popula��o civilizada persa e iraquiana, e a investidura de Tughril Beg como califa, em 1058, numa cerim�nia fant�stica, durante a qual duas coroas foram seguras sobre sua cabe�a, como s�mbolo de sua autoridade r�gia sobre o Ocidente e o Oriente, informava ao povo que o Comandante dos Fi�is tinha delegado seu sultanato aos seu oficial turco. Agora, era dever do sult�o agir como os primeiros califas haviam feito, defender a Ummah, acabar com o cisma e a heresia e retomar a jihad contra as na��es que rejeitassem Deus e Seu Profeta.
Obviamente, dois eram os inimigos a serem combatidos pelos novos protetores do Islam sunita: os bizantinos e os fatimidas. Em �pocas anteriores, os bizantinos tinham golpeado fundamente o Islam, conquistado boa parte da S�ria e anexado a Arm�nia ao seu imp�rio. Mas o renascimento bizantino era t�nue: a vigorosa dinastia maced�nia n�o existia mais; o governo central estava em conflito com as grandes fam�lias propriet�ias de terras da Asia Menor e, a fim de reduzir seu poder, teve que cortar pessoal militar, tornando, assim, o imp�rio fraco contra o novo inimigo que vinha do Oriente. Os turcos se dirigiram para as fronteiras bizantinas, em parte intencional, em parte por acidente. A chegada deles produziu alguma crise em terras �rabes e persas. Numa sociedade onde a distin��o fundamental era entre fi�is e infi�is, o fato de os turcos serem mu�ulmanos contava muito; mas, mesmo assim, o habitante instru�do da cidade n�o conseguia evitar o sentimento de repugn�ncia com a presen�a daqueles filhos grosseiros e incultos das estepes. Os cronistas da �poca faziam um distin��o entre os sult�es e o seu povo: "Seus pr�ncipes s�o guerreiros, prudentes, firmes, justos e se distinguem pelas excelentes qualidades: a na��o, no entanto, � cruel, selvagem, grosseira e ignorante." Para tornar as coisas piores, quando a barreira do Oxus foi rompida, o ex�rcito selj�cida regular, cavaleiros de origem escrava, foi seguido por um enxame de turcomanos, n�mades livres e indisciplinados, buscando pastagens e pilhagens, que atacavam estados, destru�am a colheira, roubavam os caravaneiros e lutavam contra outros n�mades, como os curdos e os bedu�nos �rabes, pela posse de po�os e terras para pasto. Muitos deles se espalharam pelo Azerbaij�o, uma prov�ncia de pomares e pastagens, e de onde come�aram os ataques contra o territ�rio bizantino. Quando Tughril Beg morreu em 1063, sem deixar filhos, o sultanato passou para seu sobrinho Alp Arslan, filho de Chagri, que provavelmente desejava desviar a corrente de viol�ncia n�made das terras do Islam para as do cristianismo e, ao mesmo tempo, conquistar a gl�ria, como um ghazi, um campe�o da f�. Seus ex�rcitos empurraram-nos para os vales da Arm�nia e da Ge�rgia, enquanto os turcomanos mergulhavam cada vez mais na Anat�lia. Um chamado dos inimigos dos fatimidas desviou-os para o sul da S�ria, mas seus planos de uma invas�o do Egito foram abandonados com a not�cia da imin�ncia de um contra-ataque bizantino.
O imperador romano Di�genes, tinha decidido fazer um esfor�o desesperado para acabar com os ataques turcos aos seus dom�nios, e liderando um variado ex�rcito de mercen�rios, incluindo os normandos do ocidente e os usbeques do sul da R�ssia, marchou em dire��o a Arm�nia. Alp Arslan, rapidamente retornou, e os encontrou em Manzikert, pr�ximo �s praias do lago Van. Os normandos come�aram a discutir e se recusarem a lutar pelo imperador; seus mercen�rios turcos desertaram e assim aconteceu a derrota bizantina. Pela primeira vez na hist�ria, um imperador crist�o caiu prisioneiro de mu�ulmanos.
O nome de Alp Arslan estar� sempre ligado a essa batalha important�ssima, que transformou a �sia Menor em um territ�rio turco. Em sua humanidade e generosidade, ele se antecipou a Saladino. Tratou o imperador cativo com cortesia e quando o resgate foi pago, mandou-o de volta para casa, escoltado por guardas turcos. Talvez ele n�o tenha compreendido bem a import�ncia de sua vit�ria. Ele n�o tinha planos de conquistar a �sia Menor ou de destruir o imp�rio bizantino.
Com os bizantinos expulsos, os turcos se espalharam pelo planalto central, prop�cio para o assentamento pastoril; nas lutas pelo trono, que agora se seguiam, pretendentes rivais alugavam as tropas turcas e, desta forma, os n�mades ocuparam cidades e fortalezas que, de outra maneira, jamais teria sido poss�vel. Os senhores de terra e os oficiais tinham fugido; os camponeses, privados de seus l�deres naturais, adotaram a religi�o de seus novos donos e a f� de Mohammad era ensinada nas terras onde S�o Paulo havia pregado o Evangelho de Cristo. Com a �sia Menor, sua principal fonte de soldados e receitas, perdida, amea�ada pela agress�o dos normandos da It�lia, o imp�rio bizantino encontrou a ru�na total e os pedidos de ajuda feitos ao Papa e ao mundo latino, produziriam, 25 anos mais tarde, a prega��o pela Primeira Cruzada.
Com a morte de Alp Arslan, ele foi sucedido por seu filho, Malik-Shah, um jovem de 18 anos, cujos vinte anos de reinado marcarm a expans�o mais completa do poder selj�cida. Malik Shah era mais culto do que seu pai e seu tio, que eram essencialmente chefes tribais rudes. Sabiamente, ele deu a admdinistra��o civil do governo ao grande ministro persa, conhecimento por seu t�tulo Nizam-al-Mulk, "a ordem do reino". Governante justo e humano, ele recebeu os elogios de historiadores crist�os e mu�ulmanos por igual. Seu governo foi reconhecido desde Kashgar at� o I�men, mas levantes e dist�rbios n�o eram incomuns em seus vastos dom�nios e o obrigavam a deixar por conta dos outros, a condu��o das opera��es contra os bizantinos e fatimidas. Um soldado da fam�lia selj�cida, Sulaiman b. Kutulmish, fundou um estado dur�vel na �sia Menor, o chamado Sultanato de Rum; ele tomou Nic�ia, em 1081, e amea�ou Constantinopla. A guerra contra os fatimidas foi iniciada n�o pelos selj�cidas, mas por um l�der turcomano, de nome Atsiz, que em 1070, marchou para a Palestina e expulsou os eg�pcios de Jerusal�m. Malik-Shah n�o tolerou isto e incumbiu seu irm�o, Tutush de cuidar do frente s�ria. Os fatimidas mostraram-se oponentes mais ferrenhos do que os selj�cidas esperavam. Os selj�cidas n�o estavam destinados a acabar com o cisma que se tinha instalado no mundo mu�ulmano por aproximadamente dois s�culos.
O regime fatimida, na verdade, teve uma recupera��o surpreendente do que tinha parecido ser uma ru�na certa. Um terr�vel fome de seis anos tinha paralisado o Egito, de 1067 a 1072; o governo civil estava virtualmente acabado; milhares de pessoas tinham fugido do pa�s e a mis�ria dos que permaneceram foi aumentado em raz�o da anarquia desgovernada dos soldados escravos turcos, b�rberes e sudaneses, que matavam e roubavam por comida e pilhagem. O imp�rio fatimida estava se esfarelando. O Maghrebe tinha sido perdido, a Sic�lia tinha sido conquistada pelos normandos, Atsiz ocupara a Palestina e o califa ab�ssida estava, mais uma vez, rezando nas cidades santas. Mas, em 1073, Mustansir chamou o governante Badr al-Jamali, um brilhante general arm�nio, para restabelecer a ordem; as tropas amotinadas foram disciplinadas, as defesas do Cairo foram fortalecidas, o com�rcio renasceu, as receitas aumentaram e a prosperidade voltou. O pre�o pago foi a cria��o de uma ditadura militar, chefiada por Badr, com o t�tulo de Amir al-Juyush, "Comandante dos Ex�rcitos", a indica��o de um vizir civil, e o califa tendo seus poderes reduzidos ao n�vel dos ab�ssidas na �poca dos buaihidas. Badr saiu para reconquistar a S�ria, e, embora n�o tenha conseguido recuperar Damasco, que caiu sob dom�nio dos sej�cidas em 1076, ele deteve o avan�o dos tutush nas fronteiras eg�pcias e reestabeleceu a autoridade fatimida at� Tiro e Sidon. O califado alida ainda sobreviveu por mais um s�culo. Quando Badr morreu em 1094, pouco meses antes do califa idoso, as esperan�as selj�cidas de restabelecer a ortodoxia no Egito tinham sido frustradas e os partidos rivais ainda lutavam pelo controle da S�ria, uma situa��o que seria muito vantajosa para os cruzados tr�s ou quatro anos mais tarde.
Os selj�cidas prestaram um servi�o not�vel ao Islam, mas suas vit�rias foram equilibradas com muito fracassos. Eles trouxerm um novo vigor e unidade para a �sia Ocidental e terminaram com o regime decadente dos buaihidas. Conquistaram a �sia Menor para o Islam, feito que os �rabes nunca foram capazes de alcan�ar, quebrando as �ltimas defesas do cristianismo no continente asi�tico e abrindo esse territ�rio antigo para o estabelecimento turco colonial. Sua ardente ortodoxia conteve a expans�o do ismailismo, que, no futuro, iria ressurgir sob a forma de movimentos territoristas, cujos agentes ficaram famosos como os Assassinos. Sob a prote��o selj�cida, o Islam sunita iniciou uma propaganda agressiva dirigida contra os her�ticos e aqueles afastados da f�: constru�ram madrassas nas principais cidades, para a instru��o dos estudantes em fikh (jurisprud�ncia isl�mica), de acordo com os ensinamentos das quatro escolas ortodoxas. A mais conhecida dessas institui��es foi a Nizamiya Madrasa, em Bagd�, dedicada a Nizam al-Mulk. Nesta �poca, a ortodoxia teve seu mais ardoroso defensor na pessoa de Al-Ghazali.
Por outro lado, os selj�cidas n�o conseguiram criar um imp�rio forte, dur�vel e centralizado ou destruir o anti-califado fatimida no Egito. Suas concep��es de governo eram primitivas e, apesar dos esfor�os de Nizam al-Mulk para instru�-los nos princ�pios do antigo despotismo persa, que ele entendia como a �nica forma satisfat�ria de governo, eles tratavam seus dom�nios como uma propriedade familiar a ser dividida entre os filhos e sobrinhos, que no caso de serem menores, eram confiados aos atabegs, comumente generais de origem servil, que cuidavam de seus pupilos at� que chegassem � maioridade e que muitas vezes se tornavam pr�ncipes heredit�rios por direito. At� a morte de Malik-Shah, em 1092, alguns graus de unidade foram preservados, mas durante o governo do quarto sult�o selj�cida, Berkyaruk (1095-1114), o imp�rio se transformou numa esp�cie de federa��o de pr�ncipes aut�nomos, nem todos turcos, porque em certas localidades chefesbuaihidas e curdos ainda detinham a autoridade. As lutas incessantes pela sucess�o enfraqueceram o imp�rio e deu aos califas ab�ssidas uma oportunidadde de recuperar algum poder, jogando os pretendentes ao sultanato uns contra os outros. A desintegra��o pol�tica foi acelerada pela expans�o do sistema ikta, se��o ou parte de terra, pelo qual os militares eram pagos com as receitas de certos estados.
Em 1100, os melhores dias dos selj�cidas tinham acabado e foi precisamente este momento que os francos escolheram para iniciar contra o Islam a contra-ofensiva crist�, que ficou conhecida como as Cruzadas.
FONTES:
J. J. Saunders. A History of Medieval Islam.