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2.ª
Consideração:
Querem
provar, com este texto que há corpo e alma imortal. Mas se o texto
prova alguma coisa é que a alma é perecível,
pois diz: "perecer... a alma e o corpo. Alma
aqui tem o sentido de "vida", a "natureza espiritual
do homem". Temos a promessa da vida eterna que os ímpios não
podem tirar, ainda que nos matem, e neste sentido
é que eles não podem matar a alma. Se somos crentes fiéis a Deus,
ainda que nos matem, não pereceremos. "Espírito, alma e
corpo" é uma forma redundante e enfática de definir a
personalidade integral do homem.
3.ª
Consideração:
Os
aterrorizados discípulos, descrentes na ressurreição de Cristo,
julgavam ver uma "aparição", e não uma pessoa física.
Quando Jesus andava sobre o mar, também julgavam ver um
"fantasma", ou "espírito" conforme a crença
popular.
-
"Na
quarta vigília da noite, foi Jesus ter com eles, andando por
sobre o mar. E os discípulos, ao verem-No andando sobre as águas,
ficaram aterrados e exclamaram: É um fantasma! E, tomados de
medo, gritaram. Mas Jesus imediatamente lhes disse: Tende bom ânimo!
Sou Eu. Não temais!" (Mateus 14:25 a 27)
E
o ilustre comentarista Broadus nos confirma:
"Os discípulos criam em aparições, como também os judeus
(excetuando-se os saduceus), e todas as nações parecem
naturalmente inclinadas a essa crença. A opinião dos apóstolos,
naquele tempo, não tem autoridade para nós, uma
vez que eles ainda nutriam muitas noções errôneas,
das quais só foram libertados pela subseqüente inspiração do
Confortador que lhes fora prometido." - Broadus, Comentário
ao Evangelho de S. Mateus, vol. 2, pág. 56.
Também
o notável Willinston Walker, em sua obra de história
eclesiástica, falando da idéia da imortalidade natural registra:
"Os fariseus ensinavam a existência de espíritos
tanto bons como maus... opinião que recebeu grande impulso das idéias
pérsicas. Acreditavam [os fariseus]... no galardão e suplício
eterno, idéias que tiveram grande desenvolvimento nos dois
séculos antes de Cristo... Os discípulos de Cristo saíram
da camada religiosa imbuída destas idéias." - Willinston
Walker, História da Igreja Cristã, pág. 21.
Aí
está a gênese da idéia pagã imortalista que se infiltrou na
teologia popular cristã. Segundo a Bíblia, Deus é espírito, os
anjos são seres-espíritos, mas nunca o homem. A palavra espírito
(em hebraico neshamah ou ruach e
em grego pneuma) é empregada nas Escrituras com
diversidade de sentidos, como:
|
|
Ezequiel
11:5
|
Filipenses
1:27
|
Lucas
1:17
|
|
Isaías
19:14
|
Romanos
1:9
|
II
Timóteo 1:7
|
Tiago
3:16
|
|
|
I
Coríntios 4:20 e 21
|
Romanos
7:6
|
Tessalonicenses
2:1 e 2
|
|
Gênesis
45:27
|
Juízes
15:19
|
Jó
17:1
|
Provérbio
15:13
|
Ezequiel
18:31
|
|
Daniel
7:15
|
Ageu
1:14
|
Salmo
143:7
|
Provérbio
17:22
|
I
Samuel 30:12
|
|
Jó
14:10
|
Jó
27:2 a 4
|
Lucas
8:55
|
Eclesiastes
12:7
|
|
Gênesis
7:15
|
Salmo
146:4
|
Tiago
2:26
|
Apocalipse
11:11
|
|
Jó
12:10
|
I
Coríntios 5:5
|
Apocalipse
13:15
|
|
Gênesis
1:2
|
Isaías
44:3 e 4
|
Isaías
61:1
|
I
Coríntios 6:19 e 20
|
|
Atos
8:26 comparar com o verso 29
|
Hebreus
1:13 e 14
|
II
Crônicas 18:18 a 20
|
No
entanto em nenhum caso espírito significa "entidade
abstrata e imortal, que sobrevive à matéria." A palavra alma
(em hebraico nephesh, e em grego psyché),
também tem largo emprego na Bíblia, ora significando vida, pessoa,
criatura:
|
Gênesis
36:6
|
Ezequiel
13:17 a 20
|
Salmo
109:20
|
Provérbio
11:30
|
Atos
2:41
|
|
Gênesis
46:15
|
Jeremias
52:29 e 30
|
Levítico
17:12
|
Ezequiel
22:25
|
Atos
3:23
|
E
abaixo reconsideramos os textos apresentados por aqueles que mantém
a idéia do imortalismo:
-
Gênesis
35:18: "Ao sair-lhe a alma (porque
morreu)..." Moffatt traduz assim: "E foi-lhe a vida
dele (pois morreu)..."
-
I
Reis 17:22, que trata da ressurreição do filho da viúva de
Sarepta, Moffatt traduz: "... a vida do
menino voltou, e ele reviveu." - Jamais teve o sentido de
"entidade consciente e imortal". Isto é puro
paganismo que as denominações populares não fazem mais do que
repetir.
4.ª
Consideração:
Querem
que isto prove a imortalidade do homem, e para isso fogem da
realidade dos fatos. Aos saduceus que negavam a ressurreição,
Jesus diz: "E acerca da ressurreição dos mortos,
não tendes lido o que Deus vos declarou..." Mateus 22:31, e
conclui: "Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos."
Cristo de modo nenhum Se referia à continuação da vida após a
morte, mas à ressurreição, significando
claramente ser a ressurreição a única porta pela qual os mortos
poderão voltar à vida.
"Das
283 passagens bíblicas sobre 'espírito' (excetuando-se as
305 que mencionam espírito - Poder Divino), e nas conotações
apresentadas, nada há de indicativo que sai de dentro do homem
algo que tenha forma e se identifique como um ser - vaporoso,
translúcido ou silhuético. Conquanto haja nas Escrituras estas
variadas formas em que alma e espírito são
empregados, não há delas qualquer indício que signifiquem uma
"entidade abstrata que sobrevive à matéria". Não há na
Bíblia nenhum texto que autorize a doutrina de uma alma
ou um espírito imortais. Só Deus é imortal. (I
Timóteo 1:17; I Timóteo 6:16)." - Lourenço Gonzalez, Assim
Diz O Senhor, 7.ª ed., 1997, págs. 279 e 280.
 

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