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É
o Homem Imortal? - Parte I. Já
no início da história humana, começou Satanás seus esforços
para enganar a nossa raça. Aquele que incitara rebelião no Céu,
desejou levar os habitantes da Terra a unirem-se com ele em luta
contra o governo de Deus. Adão e Eva tinham sido perfeitamente
felizes na obediência à lei divina, e esse fato era um testemunho
constante contra a alegação em que insistira Satanás no Céu, de
que a lei de Deus era opressiva, e se opunha ao bem-estar de Suas
criaturas.
E,
demais, despertou-se a inveja de Satanás ao olhar ele para o belo
lar preparado para o inocente casal. Decidiu-se a causar a sua
queda, a fim de que, tendo-se separado de Deus e trazido sob o seu
poder, pudesse obter posse da Terra, e aqui estabelecer o seu reino
em oposição do Altíssimo.
Houvesse
Satanás se manifestado em seu verdadeiro caráter, teria sido
repelido de pronto, pois Adão e Eva tinham sido advertidos contra
este perigoso adversário; ele, porém, operou na escuridão,
ocultando seu propósito, para que mais eficazmente pudesse realizar
o seu objetivo. Empregando como seu intermediário a serpente, então
criatura de fascinante aspecto, dirigiu-se a Eva: "É assim que
Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim?" (Gênesis
3:1). Se Eva tivesse evitado de entrar em argumentação com o
tentador, teria estado em segurança; mas arriscou-se a conversar
com ele, e caiu vítima de seus enganos. É assim que muitos ainda são
vencidos. Duvidam e argumentam com relação aos preceitos de Deus;
e, ao invés de obedecerem aos mandados divinos, aceitam teorias
humanas, que tão-somente disfarçam as armadilhas de Satanás.
"Disse
a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas
do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não
comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Então a
serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus
sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e
sereis como Deus, sabendo o bem e o mal." (Gênesis 3:2 a 5). A
serpente declarou que se tornariam como Deus, possuindo maior
sabedoria que antes, e sendo capazes de uma condição mais elevada
de existência. Eva cedeu à tentação; e, por sua influência, Adão
foi levado ao pecado. Aceitaram as palavras da serpente, de que Deus
não queria dizer o que falara; desconfiaram de seu Criador, e
imaginaram que Ele estava a restringir-lhes a liberdade, e que
poderiam obter grande sabedoria e exaltação, por transgredir Sua
lei.
Nesse
caso haveria, na verdade, grande bem a ganhar pela transgressão, e
Satanás se demonstraria um benfeitor da raça. Mas Adão não achou
ser este o sentido da sentença divina. Deus declarou que, como pena
de seu pecado, o homem voltaria à terra donde fora tirado: "És
pó, e em pó te tornarás." (Gênesis 3:19). As palavras de
Satanás: "… se abrirão os vossos olhos", mostraram-se
verdadeiras apenas neste sentido: Depois que Adão e Eva
desobedeceram a Deus, seus olhos se abriram para discernirem a sua
loucura; conheceram o mal, e provaram o amargo fruto da transgressão.
No
meio do Éden crescia a árvore da vida, cujo fruto tinha o poder de
perpetuar a vida. Se Adão tivesse permanecido obediente a Deus,
teria continuado a gozar livre acesso àquela árvore, e teria
vivido para sempre. Mas, quando pecou, foi despojado da participação
da árvore da vida, tornando-se sujeito à morte. A sentença
divina: "Tu és pó, e em pó te tornarás" – indica
completa extinção da vida.
A
imortalidade, prometida ao homem sob condição de obediência, foi
perdida pela transgressão. Adão não poderia transmitir
à sua posteridade aquilo que não possuía; e não poderia
haver esperança alguma para a raça decaída, se, pelo sacrifício
de Seu Filho, Deus não houvesse trazido a imortalidade ao seu
alcance. Ao passo que "a morte passou a todos os homens, por
isso que todos pecaram", Cristo "trouxe à luz a vida e a
incorrupção pelo evangelho". (Romanos 5:12; II Timóteo
1:10). É unicamente por meio de Cristo que a imortalidade pode
ser obtida. Disse Jesus: "Aquele que crê no Filho tem a
vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não terá a
vida." (João 3:36). Todo homem pode alcançar a posse desta
preciosa e imensurável bênção, se satisfizer as condições.
Todos os que, "com perseverança em fazer bem, procuram glória,
e honra e incorrupção", receberão "vida eterna".
(Romanos 2:7)
A
Grande Mentira. O
único que prometeu a Adão vida em desobediência foi o grande
enganador. E a declaração da serpente a Eva, no Éden –
"Certamente não morrereis" – foi o primeiro sermão
pregado acerca da imortalidade da alma. Todavia, esta declaração,
repousando apenas na autoridade de Satanás, ecoa dos púlpitos da
cristandade, e é recebida pela maior parte da humanidade tão
facilmente como o foi pelos nossos primeiros pais. À sentença
divina: "A alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel
18:20), é dada a significação: A alma que pecar, essa não morrerá,
mas viverá eternamente. Não podemos senão nos admirar da estranha
fatuidade que tão crédulos torna os homens com relação às
palavras de Satanás, e incrédulos com respeito às palavras de
Deus. Houvesse
ao homem sido permitido franco acesso à árvore da vida, após a
sua queda, teria ele vivido para sempre, tendo assim imortalizado o
pecado. Querubins e uma espada chamejante, porém, guardavam "o
caminho da árvore da vida" (Gênesis 3:24), e a nenhum membro
da família de Adão foi permitido passar aquela barreira e
participar do fruto doador da vida. Não há, portanto, pecador
algum imortal.
Mas,
depois da queda, Satanás ordenou a seus anjos que fizessem um esforço
especial a fim de inculcar a crença da imortalidade inerente do
homem; e, tendo induzido o povo a receber este erro, deveriam levá-lo
a concluir que o pecador viveria em estado de eterna miséria. Agora
o príncipe das trevas, operando por meio de seus agentes,
representa a Deus como um tirano vingativo, declarando que Ele
mergulha no inferno todos os que não Lhe agradam, e faz com que
sempre sintam a Sua ira; e que, enquanto sofrem angústia indizível,
e se contorcem nas chamas eternas, Seu Criador para eles olha com
satisfação. Assim
o príncipe dos demônios reveste com seus próprios atributos ao
Criador e Benfeitor da humanidade. A crueldade é satânica. Deus é
amor: e tudo quanto criou era puro, santo e formoso, até o pecado
ser introduzido pelo primeiro grande rebelde. Satanás mesmo é o
inimigo que tenta o homem a pecar, e então o destrói, se o pode
fazer; e, ao se ter dominado sua vítima, regozija-se na ruína que
efetuou. Se lhe fosse permitido, colheria o gênero humano todo em
sua rede. Não fosse a interposição do poder divino, nenhum filho
ou filha de Adão escaparia.
 

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