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A
Observância do domingo sem autorização Divina. Burns
e Oates, de Londres, são publicadores de livros católicos romanos,
um dos quais eles se comprazem em chamar The Library of Christian
Doctrine. Uma parte deste é intitulada: "Por que não
guardais o sábado?" E apresenta o seguinte argumento de um católico
para um protestante:
"Vós
me dizeis que o sábado era repouso judaico, mas que o repouso cristão
foi mudado para o domingo. Mudado! Mas por quem? Quem tem autoridade
para mudar um mandamento expresso do Deus Onipotente? Quando Deus
disse: 'Lembra-te do dia do sábado para o santificar', quem ousaria
dizer: 'Não, podeis trabalhar e fazer qualquer tipo de negócio
secular no sétimo dia; mas santificareis o primeiro dia em seu
lugar?' Esta é a pergunta mais importante, à qual não sei como
podeis responder. Sois
protestante, e afirmais seguir a Bíblia e a Bíblia apenas: e mesmo
neste importante assunto, qual seja o da observância de um dia em
sete como dia santificado, ides contra a clara letra da Bíblia e
pondes outro dia no lugar daquele em que a Bíblia ordenou. O
mandamento que ordena santificar o sétimo dia é um dos Dez
Mandamentos; vós credes que os outros nove sejam ainda obrigatórios;
quem vos deu autoridade para violar o quarto? Se quiserdes ser
coerentes com os vossos princípios, se realmente seguis a Bíblia e
ela unicamente, deveis ser capazes de apresentar alguma porção do
Novo Testamento na qual o quarto mandamento seja expressamente
alterado."
- págs. 3 e 4.
Após
cuidadoso exame da Bíblia, da História tanto civil como eclesiástica,
dos escritos teológicos, comentários, manuais de igrejas, somos
levados a concluir que não há nenhuma autorização nas Sagradas
Escrituras para a observância do domingo, nenhuma autoridade
concedida ao homem para fazer tal mudança do sétimo para o
primeiro dia, nenhuma sanção foi dada à essa mudança.
Esta
substituição do verdadeiro Sábado do Senhor por um falso sábado
foi a obra de um movimento inteiramente anticristão, o qual adotou
a observância de um dia puramente pagão e presunçosamente o
implantou na igreja cristã. Está observância não representa
obrigação alguma para os cristãos, mas deve ser imediatamente
abandonada como preceito, e o verdadeiro sábado do Senhor seja
restaurado ao seu justo lugar, tanto no coração do Seu povo como
na prática de Sua igreja. Carlyle B. Haynes, Do Sábado Para o
Domingo, 8.ª ed., 1999, págs. 47-52.
Desprezo
Ostensivo Pelo Quarto Mandamento
Como
Cristo Considerou o Sábado. Toca
ás raias do absurdo a vesguice dialética dos que tentam demolir o
dia de Deus, relegá-lo ao desprezo e evitá-lo de toda forma,
principalmente os que acham que Cristo considerou desrespeitosamente
o Sábado. Citam Marcos 2:27, que reza: "O sábado foi feito
por causa do homem e não o homem por causa do sábado", e
pontificando com ares doutorais declaram: "Isto quer dizer que
o sábado ou dia de descanso, deve servir ao homem e não o homem
estar sujeito a ele." Aí está uma pueridade de causar pena. Vejamos
o que o Mestre quer dizer com estas palavras: Há aí duas proposições:
uma do sábado servir ao homem; outra, do homem sujeitar-se ao sábado.
Considerando a primeira. É de clareza meridiana:
1.ª
- O sábado foi instituído e oferecido ao homem
como algo muito precioso, como um bem, um favor divino. Figueiredo
traduz: "O sábado foi feito em contemplação ao homem."
O sentido evidente é que o sábado foi instituído para o bem-estar
físico, moral e espiritual das criaturas humanas. O sábado é
assim uma instituição a favor do homem, em seu
benefício, uma benção grandiosa. Só uma perversa distorção do
texto poderia levar à conclusão de que o sábado deva ser
considerado contrário ao homem. Portanto, a dedução
dos que são contra o sábado é infeliz, errônea e contrária ao
sentido bíblico.
2.ª
- A segunda proposição contida no texto diz: "e não o homem
por causa do sábado". Simples demais para ser entendida. Deus
não criou o homem porque Ele tivesse um sábado a ser guardado por
alguém. Ao contrário, criara primeiro o homem, e depois o sábado
para atender-lhe às necessidades de repouso e recreação
espiritual. Assim o sábado lhe seria uma benção e não uma carga.
O farisaísmo dos dia de Cristo obscurecera o verdadeiro caráter do
sábado. Os rabinos o acumularam de exigências extravagantes que o
tornaram um fardo quase insuportável. A atitude de Cristo para com
o sábado foi a de purificá-lo, limpá-lo desses acréscimos,
devolvendo-o à real pureza. A atitude de Cristo para com o Seu
santo dia foi de reverência e não de desprezo.
E
de passagem cabe aqui uma observação: o sábado foi feito por
causa do homem, e isto não pode ser verdade em relação ao
domingo, porque no primeiro dia da semana o homem ainda não fora
criado!
Citam
em seguida Mateus 12:8: "O Filho do homem até do sábado é
Senhor". E concluem desastradamente que Cristo é Senhor do sábado
para mudá-lo, alterá-lo, suprimi-lo, enfim. Incrível! Diríamos
de início que, sendo o sábado um mandamento da Lei de Deus, se
Cristo o transgredisse de qualquer maneira Se tornaria um pecador, e
nessa condição não poderia ser o nosso Salvador! No entanto,
Cristo permaneceu em completa adoração e obediência ao Deus Pai.
Teve uma vida humana impecável, um caráter irrepreensível. (Filipenses
2:5 a 11). E Ele mesmo declara:
-
"Porque
eu não falei por Mim mesmo; mas o Pai, que Me enviou, Esse Me
deu mandamento quanto ao que dizer e como falar. E sei que o Seu
mandamento é vida eterna. Aquilo, pois, que Eu falo, falo-o
exatamente como o Pai Me ordenou." (João 12:49 e 50)
-
"Como
o Pai Me amou, assim também Eu vos amei; permanecei no Meu
amor. Se guardardes os Meus mandamentos, permanecereis no
Meu amor; do mesmo modo que Eu tenho guardado os mandamentos
de Meu Pai, e permaneço no Seu amor." (João 15: 9 e
10)
-
"Tenho-vos
dito estas coisas, para que em Mim tenhais paz. No mundo
tereis tribulações; mas tende bom ânimo, Eu
venci o mundo." (João 16:33)
Jesus
declarou-Se Senhor do sábado! Solene e importantíssima declaração!
Frise-se bem que Ele é Senhor do sábado e não do domingo, embora
a cristandade semi-apostatada averbe este dia como "dia do
Senhor". Cristo porém reafirmou Sua soberania sobre o sábado.
É o Autor do sétimo dia, consagrado ao repouso e, nessa qualidade,
sabe o que lícito ou não fazer nele. Os fariseus que censuraram os
discípulos por apanharem espigas, foram além dos reclamos divinos,
"além do que está escrito". Punham restrições
descabidas à guarda do sábado. E Jesus para mostrar-lhes Sua
autoridade, apresenta-Se como Autor do sábado. Nada há de derrogatório
na declaração do Mestre. Ao contrário, reafirma o valor e a vigência
do sábado, livre, no entanto das aderências talmúdicas.
Broadus,
renomado comentarista, tratando deste texto, assim conclui:
"Mas o sábado permanece ainda, pois que existia antes de
Israel, e era desde a criação um dia designado por Deus para ser
santificado (Gênesis 2:3)..." 1
A.
H. Strong,
grande teólogo, diz: "Nem nosso Senhor ou os apóstolos
ab-rogaram o sábado do decálogo. A nossa dispensação abole as
prescrições mosaicas quanto à forma de guarda o sábado
mas ao mesmo tempo declara sua observância de origem divina e como
sendo uma necessidade da natureza humana... Cristo não cravou na
cruz qualquer mandamento do decálogo... Jesus não se defende da
acusação de quebrar o sábado, declarando que este foi abolido,
mas estabelece o verdadeiro caráter do sábado em atender uma
necessidade humana fundamental..." 2
Ryle,
erutido comentarista evangélico, tratando do texto diz: "Não
devemos deixar-nos arrastar pela opinião comum de
que o sábado é mera instituição judaica, que foi abolido ao
anulado por Cristo. Não há uma só passagem das Escrituras que
isso prove. Todos os casos em que o Senhor Se refere ao sábado,
fala contra as opiniões errôneas que os fariseus propagaram a
respeito de sua observância. Cristo depurou o quarto mandamento da
superfluidade profana dos judeus... O Salvador que despojou o sábado
das tradições judaicas e que tantas vezes esclareceu o seu
sentido, não pode ser inimigo do quarto mandamento. Pelo contrário
Ele engrandeceu e o exaltou." 3
Perpetuidade
Temporária?
Surge
sempre a cediça afirmação de que o sábado não é "perpétuo",
porque em Êxodo. 12:14; 30:21 e Levítico 23:21 o adjetivo
"perpétuo" também é aplicado à "páscoa",
"lavagem de mãos", e "festas judaicas", e estas
coisas cessaram de existir. Aqueles que declaram tal absurdo,
precisam saber que o adjetivo hebraico olam,
traduzido por "perpétuo" nos textos em tela e por
"para sempre" em outros lugares, tem o seu sentido condicionado
à natureza daquilo que se aplica. Sendo assim, as festas
cerimoniais teriam duração até ao tempo em que seriam necessárias.
-
Jonas,
ao descrever as peripécias pelas quais havia passado no
interior do peixe, diz: "... os ferrolhos da Terra
correram-se sobre mim para sempre [olam]",
Jonas 2:6. Esse "para sempre" durou apenas três dias
e três noites. Foi uma duração curtíssima, não acham?
No
entanto, quando o mesmo adjetivo está junto de palavras que, pela
natureza, têm duração ilimitada, significa realmente "duração
sem fim". Junto de "Deus", "vida",
"amor", etc., indica perpetuidade. O "argumento"
nada prova contra a permanência sabática, pois, segundo a
Bíblia, o sábado será observado na Nova Terra pelos
remidos:
"Pois,
como os novos céus e a nova terra, que hei de
fazer, durarão diante de mim, diz o Senhor, assim
durará a vossa posteridade e o vosso nome. E acontecerá que desde
uma lua nova até a outra, e desde um sábado até o outro,
virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor."
(Isaías 66:22 e 23).
1.
John A. Broadus, Comentário de Mateus, vol. 1, pág.
345.
2.
A. H. Strong, Systematic Theology, pág. 409.
3.
J. C. Ryle, Comentário Expositivo do Evangelho Segundo
Lucas, pág. 79.
 

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